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A evolução do transporte público na capital mineira

Atualmente, sustentabilidade e preservação do meio ambiente fazem parte do DNA das operações do sistema.


Belo Horizonte completa neste mês 125 anos. Cidade planejada e construída especialmente para ser a capital mineira, já passa hoje dos 2,5 milhões de habitantes e como toda grande metrópole enfrenta diversos desafios na sua urbanização, com destaque para o trânsito de veículos e da mobilidade das pessoas nas vias da cidade.


O avanço da ciência e tecnologia permitiu uma série de transformações e facilidades para o dia a dia, com a possibilidade de unir pessoas, encurtar distâncias, movimentar a economia e o comércio, mantendo o fluxo de grande contingente de pessoas por meio dos veículos automotores coletivos, como os ônibus.


No Brasil, o primeiro serviço de transporte coletivo por ônibus foi implantado em 1908, no Rio de Janeiro. O veículo, movido a bateria e gasolina, tinha carroceria e motores alemães e, praticamente, não provocava poluição sonora ou atmosférica. Nos anos seguintes, aumentaram-se as linhas, os usuários e as tecnologias empregadas no setor. O sucesso do ônibus foi tão grande que os outros meios de transporte, como as carruagens e cabriolés, protestaram em diversas cidades do país.


Na capital mineira, o serviço de bondes foi criado em 7 de setembro de 1902, apenas cinco anos após a inauguração da cidade, pela Companhia Ferro-Carril. As primeiras linhas ficaram concentradas no centro e no bairro funcionários e a frota de bondes contava apenas com quatro veículos.


Nos anos seguintes, não foi diferente, BH crescia rapidamente e pedia, cada vez mais, um transporte público eficiente para atender a demanda da população. No auge de sua eficiência, o sistema de bondes de Belo Horizonte chegou a transportar 73 milhões de passageiros por ano com uma frota de 75 veículos.


A partir da década de 1940, diante da dificuldade de reposição de peças e pela maior flexibilidade do transporte sobre pneus, os bondes foram sendo substituídos por ônibus a combustão e, depois, vieram os trólebus em 1950, até sua parada definitiva em 1963.


Nessa mesma época, em 1952, foi criado o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros (Setransp). Em 2001, o Setransp foi extinto, dando origem ao atual SetraBH e ao Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros Metropolitano (Sintram). A partir desse momento, com o aumento exponencial da demanda, foi iniciado um processo de modernização do transporte de passageiros na capital.


Ao longo da década de 1970, os ônibus a diesel se consolidaram no atendimento da população, então na faixa de 1 milhão de habitantes – ainda que por volta de 1980, a prefeitura resolveu reativar o sistema de trólebus na cidade. As obras foram feitas inicialmente na avenida Cristiano Machado para atender à futura linha 5555 (Estação Venda Nova/Estação Lagoinha), mas as obras foram paralisadas um ano depois e nunca mais saíram do papel.


Posteriormente as pistas para os trólebus da Cristiano Machado foram transformadas e adaptadas em corredores exclusivos para os ônibus do Sistema MOVE. A popularização dos corredores exclusivos de ônibus impulsionou produtos específicos para a aplicação, como os ônibus biarticulados com capacidade para até 200 passageiros com diversas tecnologias embarcadas para o conforto e segurança do usuário. Em 1986, o metrô de Belo Horizonte, concebido no fim da década de 1970, entra em operação.


Com o aumento das cidades e das populações urbanas, novos desafios para o sistema, vinham crescendo na mesma proporção. A partir dos anos 1990 e com mais ênfase, a partir da virada do século, nos anos 2000, chega a era da tecnologia embarcada para facilitar a vida do usuário do transporte público.


O vale transporte de papel é substituído pelo cartão eletrônico. Roletas ganham a companhia de leitoras óticas desses cartões, TVs e veículos com ar-condicionado e suspensão a ar, passam a fazer parte da frota – e atualmente já é possível gerar créditos de passagens por QR Code e realizar os pagamentos por PIX ou cartão de crédito, todas essas funções em um único lugar, o aplicativo BHBUS+.


O Sistema MOVE, anunciado em 2010 é implantado no início de 2014. Uma rede de corredores exclusivos e estações de transferência ao longo das avenidas Antônio Carlos, Cristiano Machado, Paraná, Pedro I, Santos Dumont e Vilarinho, além de estações de integração nas regionais administrativas. Com ele um moderno Centro de Controle Operacional (CCO) com monitoramento em tempo real por câmeras 24horas, dentro dos veículos, no itinerário e nas estações.


Os motoristas passam a contar com um display no painel dos veículos, onde podem comunicar com a central situações adversas, como acidentes e manifestações. Também passar a contar com um botão de pânico em caso de assaltos ou assédio contra mulheres dentro dos veículos.


Sustentabilidade e preservação do meio ambiente, passam a fazer parte do DNA das operações do sistema. As empresas passaram a desenvolver ações e programas para minimizar a emissão de poluentes na atmosfera e promover o desenvolvimento sustentável, com descarte e reciclagem de materiais nas garagens. Em 2008, as concessionárias implantam em parceria com a Confederação Nacional do Transporte (CNT), o Despoluir – Programa Ambiental do Transporte, intensificando o controle de emissão de poluentes pelos ônibus, com aferições e adequações dos veículos nas garagens das empresas.


Como um ser em constante movimento, é importante olhar para o futuro do transporte público, aprendendo com o passado, para pavimentar o presente, formatando uma base sólida, estruturada, desenvolvida, sustentável e eficiente, para a melhoria contínua da prestação do serviço e a conquista da preferência do modal pela população Belo-horizontina.


Fotos: Arquivo / Setra BH


Artigo escrito por Wesley Figueiredo


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