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BH, a casa dos quadrinhos

Curador de importante feira do gênero destaca a evolução temática deste tipo de arte, com a crescente presença feminina e de obras que abordam meio ambiente, inclusão e representatividade.

Reconhecida como a capital nacional dos quadrinhos, Belo Horizonte sediará a 5ª edição da Feira da Casa de Quadrinhos (CDQ COM), de 16 a 18 de dezembro. O evento é integralmente gratuito e encerra a agenda do ano de quadrinistas e artistas gráficos. A feira ocorre em formato híbrido, com transmissões e entrevistas on-line, e uma série de atividades presenciais na Escola de Design UEMG e na Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais, marcando a reabertura do anexo da biblioteca.


Em entrevista ao CIDADE CONECTA, um dos um dos curadores da feira, Fabrício Martins, revela as novidades que serão apresentadas nos três dias. Ele ainda descreve sobre o mercado de quadrinhos e sua evolução nas temáticas, com a crescente presença feminina e obras significativas que abordam meio ambiente, antirracismo, inclusão e representatividade.


Como você vê BH no mercado nacional de quadrinhos e da cultura geek?


Belo Horizonte é um polo importante para as histórias em quadrinhos no Brasil em todas as etapas da cadeia produtiva. Temos escolas de formação consolidadas, eventos nacionais e internacionais que promovem a troca de experiências entre artistas e público. Temos editoras importantes no cenário nacional sediadas na cidade, e temos muitos artistas reconhecidos pelo mercado e amados por todos os leitores de quadrinhos. Não é à toa que frequentemente a cidade é chamada de capital dos quadrinhos do Brasil.


Qual é a importância da “Feira da Casa de Quadrinhos – CDQ CON” para os profissionais e os fãs?


A Feira da Casa dos Quadrinhos tem se consolidado nos últimos anos como um importante evento para Belo Horizonte. Por acontecer no fim do ano, a feira cumpre um papel de fechamento de um ciclo e preparação para o futuro próximo. Artistas se encontram para conversar e trocar experiências sobre o balanço do ano e criar projetos em parceria para o ano seguinte. Além de ser uma ótima oportunidade para fãs de quadrinhos comprarem obras de artistas independentes para presentear familiares e amigos no Natal. A Feira de Quadrinhos da Casa é a forma perfeita de terminar o ano em grande estilo.


Qual é a estimativa de público para os três dias de evento? Pode adiantar as principais atrações que serão uma oportunidade única para os belo-horizontinos?


Esse ano, a feira acontecerá na Praça da Liberdade, no coração cultural da cidade, na véspera do Natal. E como é tradição, a praça terá uma montagem de luzes de Natal que atrai um grande público. Por isso, além dos fãs tradicionais de quadrinhos e cultura geek, estamos bem otimistas para receber um público bem expressivo. Com certeza os artistas participantes irão se surpreender. Nesta edição, contará com Jefferson Costa como artista homenageado. O trabalho de Jefferson é maravilhoso, tanto as obras autorais como as feitas para grandes editoras, e conta com grande reconhecimento do público, tendo ganhado os principais prêmios em quadrinhos do Brasil, inclusive o prêmio Jabuti. A feira também contará com diversas oficinas para todas idades e públicos, além de palestras sobre o mercado de quadrinhos, produção e processos criativos. Mas o espaço favorito de todos é o Artist´s Alley, que contará com quase 50 artistas expondo e vendendo seus trabalhos para o público. É uma chance única de conhecer seus artistas favoritos e conversar direto com eles, além de pegar aqueles autógrafos, com direito a dedicatória e arte.


Como surgiu a ideia de criar um espaço exclusivo na feira para os novos talentos serem avaliados por profissionais consagrados do mercado?


A Casa dos Quadrinhos entente que a função social da feira vai além de fomentar a leitura e o intercâmbio entre artistas e fãs, mas também de incentivar o crescimento profissional dos artistas e aproximá-los do mercado de uma forma consistente. Assim nasceu o “Abraços do Tamanduá”. O encontro tem um formato de pitch, no qual em cinco minutos os artistas selecionados têm que aperfeiçoar seu poder de convencimento e apresentar seu projeto para uma banca de especialistas e editores. Por sua vez, a banca dará dicas e orientações para os artistas melhorarem seus trabalhos e, quem sabe, dar aquele empurrãozinho a mais para uma publicação de sucesso. Para os artistas independentes, às vezes é muito difícil ter acesso a uma banca de especialistas à sua disposição. Dessa forma, o “Abraço do Tamanduá” é uma oportunidade imperdível.


Quais são, hoje, as principais referências femininas que produzem quadrinhos e estarão na CDQ CON?


Felizmente, o mundo dos quadrinhos não é mais tão exclusivo dos homens. Ainda temos muito o que avançar, mas cada vez mais as mulheres têm participado desse campo, aumentando a riqueza, qualidade e representatividade do mercado. A feira contará com a participação de Mariamma Fonseca, uma das criadoras do “Ladys Comics”, um dos mais importantes movimentos de quadrinistas mulheres do Brasil; Carol Rosseti, autora do sucesso internacional “Mulheres”, que conta relatos e ilustrações sobre corpo, estilo, identidade, relacionamentos e superação do universo feminino; Ana Cardoso, que está lançando uma graphic novel pela Mauricio de Souza Produções; Aline Cristine, um sucesso nas redes sociais com o “Cristirinhas”; além de outras jovens e talentosas artistas com obras potentes, como Laura Jardim, Val Armanelli, Line Lemos e muitas outras.


Você percebe uma evolução nas narrativas dos quadrinhos nas últimas décadas, enfocando temáticas como consciência ambiental, antirracismo, inclusão e representatividade? Por favor, cite algumas obras como exemplos.


Os quadrinhos, como linguagem artística, são um reflexo do tempo que vivemos. E a arte exerce um papel de ponta de lança, puxando os temas relevantes para a pauta e fomentando o fortalecimento de debates sociais na política. E os quadrinhos fazem isso com inovações narrativas e visuais. Por exemplo, Acir Piragibe lançou recentemente a obra “D'Artagnan”, em que resgata e ressignifica o trabalho de Alexandre Dumas como um autor negro ao enfatizar as raízes africanas do mais famoso personagem dos “Três Mosqueteiros”. Val Amanelli criou um conto de fadas sobre violência contra as mulheres e crianças na obra de fantasia “Comida de Fadas”, com uma incrível técnica de colagens. Laura Jardim nos transporta para um mundo de ficção cientifica para abordar a depressão, um dos problemas mais sérios de saúde mental do século. Gabriel Nascimento e João Belo, com o premiadíssimo “A Menor Distância entre Dois Pontos é uma Fuga” encantaram a crítica e o público com uma edição inovadora de uma obra que aborda a história mundial, sanatórios e a vida das mulheres no interior.

Todos eles, e muitos outros autores, irão apresentar trabalhos encantadores na feira. E por se tratar de trabalhos autorais, eventos como esse são uma oportunidade rara de encontrar tantos talentos e obras juntas.


FOTO / Arquivo Pessoal



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