Consequências da pandemia na colocação de estudantes em casas de famílias no exterior

Somente 51% das famílias disseram que a Covid-19 não diminui a vontade de hospedar intercambistas.



A própria OMS fala que ainda é cedo para dizer que a pandemia da Covid-19 chegou ao fim. Embora os números de estudantes interessados e matriculados em diferentes programas de intercâmbio tenham aumentado muito em 2022 com a abertura e flexibilização de entrada em diversos países, ainda existem grandes desafios pela frente. E o maior de todos, talvez, seja a acomodação para todos esses estudantes.


A demanda reprimida de 2020 e 2021 aumentou ainda mais o número de estudantes – não só brasileiros – a, finalmente, embarcar para o seu tão esperado sonho: um intercâmbio no exterior. A acomodação mais procurada continua sendo a opção de moradia em uma casa de família. Não somente por ser uma opção economicamente mais viável, mas também pela experiência em si. O que muitos não sabem é que a COVID-19 e suas consequências mundo afora afetou, e muito, esse mercado. Como? Vejamos:


Uma das maiores empresas provedoras de acomodação no Canadá fez recentemente uma pesquisa com suas famílias hospedeiras – em torno de 4 mil em todo o país durante os meses de abril e maio de 2022, com um retorno de 55% das famílias participantes.


19% das famílias responderam que ainda estão muito preocupadas em pegar Covid-19, 32% responderam que estão preocupadas, 29% não estão muito preocupadas e apenas 18% responderam não estar nem um pouco preocupadas em pegar Covid-19. Essa preocupação acaba refletindo na vontade de hospedar um estrangeiro. Somente 51% das famílias disseram que a Covid-19 não diminui a vontade de hospedar estudantes.


Um outro fator desafiador é a inflação que está atingindo praticamente todo o mundo. Compensação financeira não deve, nunca, ser a principal motivação para se hospedar um estudante, mas também não é justo com as famílias, arcar com todas as despesas que uma nova pessoa dentro da sua casa traz. Nessa mesma pesquisa as famílias entrevistadas relataram que, em média, o gasto com um estudante estrangeiro aumentou 17,5% desde 2017 – muito mais do que o aumento anual do valor recebido (em torno de 1 a 2% por ano, dependendo do programa).


Além disso, os quartos extras que antes eram utilizados pelas famílias para hospedar estudantes acabaram se tornando escritórios para o tão comum “home office” ou mesmo estão sendo utilizados pelos filhos dessas famílias hospedeiras que voltaram para a casa dos pais por motivo financeiro, perda do trabalho, etc.


Como vocês podem ver, as consequências da COVID-19 ainda estão muito presentes e pelo visto ainda vão perdurar por algum tempo. O desafio existe e estamos todos, agências de intercâmbios, parceiros no exterior, escolas e famílias focados e determinados a vencer essas barreiras para proporcionar a melhor experiência para todos os estudantes.