Crianças aproveitam mais e se divertem em feira literária em Tiradentes

Com homenagem ao cartunista mineiro Ziraldo, terceira edição da Fliti tem até estreias de atores de TV como escritores

Edição 2022 da Fliti em Tiradentes teve a presença de cerca de 20 mil visitantes (Foto: Lu Rezende)


A 3ª Feira Literária de Tiradentes, realizada de 3 a 6 de novembro, finalizou com protagonismo dos alunos da rede pública de Tiradentes que participaram ativamente do evento. Além disso, a organização registrou a presença de cerca de 20 mil visitantes e o lançamento de diversos títulos. Não foi informada a quantidade de obras comercializadas.

“É muito importante fazer da feira literária uma grande diversão”, acrescenta idealizadora do Fliti, Cristina Figueiredo. Neste ano, a feira prestou homenagem aos 90 anos do cartunista mineiro Ziraldo.

Para incentivar o acesso à literatura da turminha, a Cemig – uma das empresas apoiadores da mostra – distribuiu cerca de 1.500 vales-livros para crianças e adolescentes da rede municipal de Tiradentes.

Após quatro dias de feira, veja o balanço divulgado pelos organizadores:


  • 20 mil visitantes no geral;

  • 1 mil crianças da rede pública municipal participantes;

  • 100 atrações;

  • 30 editoras presentes;


Vídeo traz os melhores momentos da Fliti 2022. Assista:


Só elogios


Escritores, editores e executivos de entidade ligadas à literatura mostram-se satisfeitos com os resultados da Fliti 2022.

A presidente da Câmara Mineira do Livro, Glaucia Gonçalves, ficou impressionada com a participação dos pequenos leitores. “Crianças, aproveitem muito a infância, brinquem muito e leiam. Ruben Alves, um grande poeta já falava que o livro é um brinquedo com letras, então descubram as histórias e o mundo da fantasia nos livros”, ressaltou.

Já a vice-presidente da academia de letras de São João Del Rei, Ana Cintra, destacou que a terceira edição foi perfeita, diversificada, atraindo um público que realmente gosta de literatura. “O ambiente estava muito gostoso e isso estimula jovens autores e os que já estão na estrada há muito tempo”, salientou.

Cristiana Oliveira e Beth Goulart estreiam como escritoras e apresentam duas obras na Flit 2022 (Foto: Lu Rezende)


A Fliti 2022 marcou a estreia de atores da TV como escritores. É o caso da eterna Juma – da primeira versão da novela Pantanal, Cristiana Oliveira. Ela conta que aos 52 anos, já como atriz conhecida e respeitada, percebeu que realmente estava envelhecendo e começou a lidar com as questões pessoais de uma forma leve e divertida. “Eu tive uma trajetória de vida que eu tive que amadurecer e aprender. Fui até o fundo do poço e dali realmente eu não tinha pra onde ir, a não ser levantar e, assim, comecei a escrever esse livro”, explica a atriz, agora escritora do livro “Versões de uma Vida”.

A também atriz Beth Goulart aproveitou o evento de Tiradentes para apresentar o livro escrito em homenagem a mãe, a também atriz Nicete Bruno, morta em 2021. “Viver é uma Arte: Transformando a dor em Palavras” era para ter sido escrito com saudosa mãe. “Era nosso primeiro livro juntas”, lembra.

Segundo ela, Nicete Bruno era sua maior referência de vida. “Aprendi com ela o amor, sentimento maior que governa a minha vida. Perder a minha mãe me jogou no vazio. E agora, quem sou eu? A perda dela me fez repensar a minha identidade, me aprofundar dentro de mim mesma para encontrar essa essencialidade e a força de minha voz, a minha pessoalidade. Tive que encontrar a minha mãe dentro de mim”, acrescentou.


O que disseram


Outros escritores também apresentaram obras de vários temas durante a Fliti 2022. Veja alguns depoimentos:


  • “Falei sobre meus livros e minha trajetória para um público diverso. No Ônibus falei com muita criança, li histórias, fiz brincadeiras poéticas, foi muito divertido” - Leo Cunha, escritor do livro “Uma História de Muitas Histórias e Poemas e Brincadeiras”

  • “Este é um evento muito importante, principalmente para muitos que não têm a oportunidade de ir para outros eventos literários. Aqui, podemos estar perto da leitura” - Penelope Clearwater, escritora do livro “O cretino do meu chefe”.

  • “No caso da educação, mais do que qualquer outra área, você não entende os problemas do presente e os desafios do futuro se você não souber contextualizar do ponto de vista histórico. A educação é uma área que quando a gente avalia os alunos com teste de larga escala, quando você faz isso, a maior parte que você está captando é um efeito do passado” - Antonio Gois, escritor do livro “O Ponto a que Chegamos: Duzentos Anos de Atraso Educacional e Seu impacto nas Políticas do Presente”.

  • “Ninguém estava prestando atenção que as crianças também estavam sofrendo. De repente, pararam e tiveram que ficar em casa, sem nem poder ir ao colégio. Eu resolvi perguntar o que as crianças achavam da pandemia e como seria o futuro. Elas me mandaram depoimentos e resolvi publicá-los” - Luciana Savage, escritora do livro “Minhas Histórias são suas Histórias- o Que Sentimos com o Isolamento”.

  • “Existem vários tipos de humor e depois do Casseta levamos isso adiante. Começamos escrevendo revistas e não na TV. Sempre atuei nos livros de humor e hoje se vende menos do que já se vendeu antes no Brasil, isso por questões da indústria editorial e do mercado que vive de moda” - Beto Silva, humorista e escritor do livro “Estão Matando os Humoristas”.

  • “Defendo uma literatura que visa fortalecer as identidades de crianças e jovens negros e não negros no Brasil, trazendo como centralidade os conflitos que ocorrem no cotidiano, em sala de aula, nas escolas, a partir da minha experiência de 40 anos como professora em escola infantil e berçário” - Kiusam de Oliveira, escritora do livro “LINEBEIJU: A Literatura Negro-Brasileira do Encantamento Infantil e Juvenil como caminho para a Liberdade”.


Galeria mostra como foi a Fliti 2022:

Fotos: Lu Rezende

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