Cruzeiro e o Sobrenatural de Almeida

Atualizado: 12 de jul.

O nosso amado “Beautiful Game” escancara para todos, mais do que Daniel Markovits, professor de direito em Yale, as ciladas da meritocracia.



Numa espécie de paráfrase que está longe de fazer jus à genialidade de Blaise Pascal, diria – e estou longe de ser o primeiro – que o futebol tem razões que a própria razão desconhece. O esporte bretão não é diferente dos outros, mais mágico do que as outras modalidades apenas por abrigar uma quantidade de zebras completa e desproporcionalmente descomunal. O nosso amado “Beautiful Game” escancara para todos, mais do que Daniel Markovits, professor de direito em Yale, as ciladas da meritocracia – embora a contemple muito mais do que a vida, em geral, o que usualmente aumenta meu respeito, minha admiração pelos profissionais desta área (não os comentaristas, óbvio, que executam o labor mais fácil e dispensável do universo).


Na espiral de tragédias desencadeada em anos recentes em que foi metido, catapultada pela pior administração que já vi num clube de futebol – principais culpados: Itair Machado, Wagner Pires de Sá e um considerável número de conselheiros despidos da capacidade de sugestionar qualquer coisa –, o cruzeirense sofria com requintes de uma inacreditável crueldade. A crise sem precedentes era totalmente explicável dentro do escopo da razão. Mas o plano metafísico, os artífices do intangível ansiavam rodar desprovidos do menor pudor o punhal socado sem qualquer benevolência nas costas da nação celeste por alguns dos piores cartolas da história.

Dirigentes queimando dinheiro em jogadores no ocaso de suas trajetórias? Sim. Chutes completamente aleatórios desviando até nas minhas queridas vovozinhas entrando na meta de Fábio?

Também.


Este ano, virtudes facilmente perceptíveis passaram a transitar com mais frequência e desenvoltura pela Toca. Trocando em miúdos: o trabalho nos bastidores, na gestão do futebol e do todo, melhorou notória e sensivelmente. Parece, todavia, que o celestial, o intocável, o incorpóreo, o transcendental – liderados, como se sabe, pelo Sobrenatural de Almeida, personagem criado por Nelson Rodrigues que aparecia quando seu Fluminense sofria algum dissabor e que hoje, com vida própria, deixou de restringir sua atuação contra o tricolor – voltaram a sorrir para as multidões azuis.


Dois exemplos deram as caras no jogo da última terça: gol contra espírita e chute despretensioso tabelando com meu vovô Rubens para mansamente balançar as redes do Sport.


Foto: Divulgação CC / Cruzeiro




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