ELVIS: O rei está de volta



O novo filme de Baz Luhrmann nos transporta para os primórdios do Rock, quando cantar ou dançar Rock’n’roll era um ato de rebeldia. Ninguém incorporou tanto isso quanto Elvis Presley. Dono de uma das vozes mais poderosas da música e de movimentos corporais excitantes, Elvis foi, sem dúvida alguma, um dos artistas mais importantes de todos os tempos. Com uma trilha sonora impecável - como já era de se esperar -, o filme nos leva por uma viagem musical e visual, contando a vida do cantor desde sua infância pobre em Memphis, Tennessee, até sua morte por ataque cardíaco em 1977.

Nas palavras do presidente americano Jimmy Carter: Elvis misturou o ritmo Country dos brancos com o Rhythm & Blues (R&B) dos negros, mudando, assim, a cara da cultura pop americana. Mudança que perdura até os dias atuais. Sua voz e sua música estavam acima de política e religião. Em um país dividido e segregado como os EUA, onde as pessoas tinham lugares e costumes bem definidos, ele ousou ser diferente. Decidiu atravessar as barreiras que lhe tinham sido impostas e conseguiu alcançar não só o estrelato, como também a admiração de todos os segmentos da população. Apesar dos percalços da vida e do próprio showbiz, ele nunca deixou de sonhar com a eternidade…

Sua capacidade de showman era poderosa e os shows que fez deram origem aos grandes espetáculos que temos hoje. Essa é uma das coisas que nos deixa tristes ao assistirmos ao filme: a certeza de que nunca poderemos sentir na pele a emoção de assistir ao vivo à um show do Elvis. O filme nos mostra como ele conseguia levar a plateia ao delírio. Dotado de muito sex appeal, o rei do Rock também poderia ter sido chamado de o rei das calcinhas, muito antes de Wando - dada propensão de seu público feminino em atirar lingeries durante seus shows.

Brincadeiras à parte, é impossível não sentir fortes emoções assistindo a essa obra primorosa de Baz Luhrmann, que teve muito cuidado em juntar os hits do cantor com os momentos mais marcantes de sua vida. O resultado é sensacional. Um filme que vale a pena ser assistido no cinema. O roteiro nos mostra o “por trás das câmeras” da vida do cantor e as pessoas que fizeram parte e moldaram sua trajetória, em especial, seu empresário - Coronel Tom Parker -, protagonizado por Tom Hanks. Luhrmann faz um contraponto bem interessante entre Tom e Elvis e como o relacionamento dos dois foi essencial para a ascensão e a queda do artista. Porém, pessoalmente, o aspecto mais fenomenal do filme é o ator, Austin Butler, que tem a difícil tarefa de encarnar Elvis. Ele conseguiu entrar tanto no papel que às vezes fica difícil lembrar que não estamos vendo um documentário. Não é só a semelhança física, o ator conseguiu reproduzir sua voz, seus trejeitos, e até os seus passos de dança. Uma experiência cinematográfica que conseguimos sentir no corpo todo, tendo momentos em que fica difícil permanecermos sentados na cadeira, pois queremos levantar, cantar e dançar junto com a platéia fictícia.

No final, a vida segue e devemos voltar a realidade, mas ficamos com um gosto de quero mais. Apesar de uma inevitável tristeza por ele ter nos deixado cedo demais, seu impacto e sua presença podem ser sentidos até hoje, pois só existe um Rei do Rock! Para os amantes da música como eu, existe uma citação sua que transmite toda sua paixão, seu fascínio, sua sedução e sua dedicação à arte: “Eu aprendi cedo na vida que: ‘Sem uma canção, o dia nunca terminaria; sem uma canção, o homem não tem um amigo; sem uma canção, a estrada nunca se curvaria - sem uma canção.’ Então, eu continuo cantando uma canção.” Elvis pode ter “deixado o prédio”, mas alcançou sua tão sonhada eternidade como um artista único e inigualável.