Entrevista: cães também podem ser tratados para evitar catarata

Médico veterinário explica como funcionam as lentes intraoculares desenvolvidas especialmente para os pets

Segundo o médico veterinário Luiz Fernando Lucas Ferreira, assim como os humanos, os cães apresentam doenças oculares que podem ser prevenidas ou tratadas (Foto: Inspira Comunicação/Divulgação)


A catarata é uma das principais causas de cegueira e baixa visão em todo o mundo e atinge cerca de 65 milhões de pessoas, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). O que nem todos sabem é que a doença também afeta a população canina que está vivendo mais: estima-se que em torno de 50% dos cachorros poderão apresentá-la.

Como em humanos, a catarata canina pode ser tratada por meio de uma cirurgia menos invasiva, que substitui o cristalino por uma lente intraocular.

A novidade é o recente lançamento das lentes da ViZoo Oftalmologia Veterinária, uma lente intraocular de micro-incisão desenvolvida especificamente para pets – a única fabricada na América Latina para uso exclusivamente veterinário.

Nesta entrevista ao CIDADE CONECTA, médico veterinário e doutor em cirurgia veterinária, Luiz Fernando Lucas Ferreira conta como a patologia se manifesta nos cães e como é feito o procedimento para reverter o quadro.


Qual a importância de levar o cachorro a consultas regulares com médico veterinário especialista em oftalmologia?

Assim como os humanos, os cães apresentam doenças oculares que podem ser prevenidas ou tratadas. Por isso é tão importante um acompanhamento com profissional habilitado desde o primeiro ano de vida. Entre as condições, podemos citar glaucoma, úlcera de córnea, uveíte, entrópio, ceratoconjuntivite seca (CCS) e catarata.


O que é a catarata canina e quais são os fatores de risco?

A catarata canina consiste na perda de transparência do cristalino, lente natural dos olhos, responsável pela passagem da luz até a retina para formar as imagens, causando opacidade dos olhos até a perda da visão, se não for tratado a tempo. Os principais agentes causais são inflamação, diabetes e herança genética. Estudos sugerem que a doença é mais prevalente entre as raças poodle, cocker spaniel, schnauzer, yorkshire terrier, shih tzus, entre outras. Diferentemente do que o senso comum acredita, a catarata não se manifesta apenas em idade avançada. Existe a catarata congênita, em que o animal já nasce com a patologia, e a catarata juvenil, que acomete o paciente entre um e três anos de idade.


Quais são os sinais de que o cão pode estar com catarata?

Quando o cão começa a esbarrar em objetos e móveis, ou apresenta ansiedade ou apatia, ou a coloração do olho muda para um tom azulado, está na hora de buscar ajuda médica veterinária. Se a catarata não é tratada, o cachorro pode ter luxação do cristalino (o cristalino sai do lugar), inflamações intraoculares, glaucoma e descolamento da retina, até a perda total da visão.


Frequentemente, são relatados casos de cães que perderam a visão na velhice. Podemos afirmar que parte desses casos são decorrentes da catarata? A condição pode ser tratada?

Sim, boa parte dos quadros de cegueira em idade avançada são ocasionados pela catarata e muitos tutores desconhecem um tratamento relativamente novo no Brasil, empregado há cerca de 20 anos: uma cirurgia minimamente invasiva, que retira o cristalino e o substitui por uma lente intraocular. A boa notícia é que existe uma lente mais atual e eficaz, desenvolvida há cerca de três anos no País, a IoVet, da ViZoo Oftalmologia Veterinária, uma lente intraocular de micro-incisão desenvolvida especificamente para pets, considerada a mais fina do mundo, o que favorece o implante e a recuperação pós-cirúrgica, além de se adaptar a diversos tamanhos de olhos. Trata-se da única lente fabricada na América Latina para uso exclusivamente veterinário. O procedimento para implante da lente dura cerca de 20 minutos, a depender do grau de maturidade da catarata, e é feita sob anestesia geral. O paciente fica com o colar elisabetano durante o pós-operatório, que é de 30 dias, e são aplicados colírios.