Entrevista: Direito digital

Sócia-proprietária de escritório de advocacia especializado em business e no mercado de tech conta sobre a adaptação a um segmento inovador e diferenciado.


Foto: Arquivo Pessoal


Fazer diferente e focar em clientes do mercado empreendedor, especialmente em startups e empresas inovadoras. Foi com este propósito que advogados mineiros fundaram o L&O Advogados, especializado em business e no mercado de tech. “Atendemos toda a demanda do mercado digital, que não tem tempo ou disposição de entender o lado jurídico e que precisa delegar para um time jurídico que veste a camisa do cliente, tal como um jurídico interno”, explica uma das sócias do escritório, Lorena Lage.

Nesta entrevista ao CIDADE CONECTA, ela conta o que a levou e seu sócio Robert Oliveira a apostarem neste segmento tão diferenciado e com legislações específicas e diferenciadas.


O que levou vocês a focarem em empreendedores, startups e no mercado digital?


A L&O surgiu de um sonho, o de fazer diferente do que nos frustrou na advocacia tradicional. O formato com o qual as pessoas faziam o Direito acontecer era focada nas ações judiciais, em litigar. Robert Oliveira, meu sócio, e eu, vimos que judicializar todas as ações não é o ideal, uma vez que nem todos lados não saem satisfeitos. Há desgastes, perdas e demoras que não permitem que os dois lados sejam contemplados. Ao sentir essas frustrações na prática, vimos que as ações aconteciam por falta de apoio preventivo, de um alinhamento anterior: a maioria das situações poderiam ser evitadas em uma cláusula contratual ou uma orientação estratégica de um advogado.


Em que o trabalho de vocês se difere dos outros escritórios?


Nosso escritório é focado no mercado empreendedor, especialmente em startups, empresas inovadoras e, como acompanhamos a transformação digital, também atendemos a gamers e infoprodutores. Com a nossa expertise em business e no mercado tech, atendemos toda a demanda do mercado digital, que não tem tempo ou disposição de entender o lado jurídico e que precisa delegar para um time jurídico que veste a camisa do cliente, tal como um jurídico interno. Por sermos especializados no segmento, há cerca de sete anos, entendemos a fundo nossos clientes, como pensam, e as especificidades do nicho. Atuamos para evitar ações judiciais, resolvendo as demandas do cotidiano de um negócio e estruturando para o crescimento saudável do negócio.


Chegar neste modelo de negócio foi fácil?


Não mesmo. Demandou humildade em um caminho de aprendizado sobre o que o mercado precisava e coragem para pivotar (mudar a direção de um negócio mantendo a mesma base que já existia) em alguns momentos. Inclusive, há seis anos, entendemos como oferecer o máximo de valor quando tivemos uma boa sacada. Em um dia, quando tínhamos cerca de um ano de escritório, tivemos uma experiência que foi o ápice dos dois mundos em que atuávamos: passamos uma longa manhã numa reunião fechada, maçante e tradicional e, à tarde, fomos ao SEED, programa de inovação de MG, e tivemos um encontro que se tornou quatro horas de bate-papo, com um empreendedor chamando o outro para nos ouvir e tirar dúvidas de como evitar questões judiciais. Nesse dia, tomamos nossa decisão em focar no mercado digital e assumir que era neste meio que poderíamos agregar o nosso máximo de valor estratégico.


Como foi a receptividade do meio digital ao escritório?


Como focamos nossa energia nisso e aprendemos sobre o business, sobre os trâmites do mercado e compreendemos profundamente os processos do digital e das empresas inovadoras, podemos falar a mesma língua dos nossos clientes. Acredito que esse ponto, em conjunto com o nosso conhecimento prévio ao mundo tech, colaborou com a recepção e, consequentemente, com o crescimento do escritório. Recebemos diariamente feedbacks muito compensadores, de pessoas que gostam de falar com advogados que não usam ternos, não usam de jargões jurídicos e que entendem do universo digital. Entendemos os produtos e a multidisciplinaridade necessária para este segmento. E, ao auxiliar e descomplicar fusões e aquisições, momentos de aportes financeiros, contratos digitais e estruturar todo o cotidiano jurídico de negócios inovadores, o mercado tem percebido o quanto é importante ter um time jurídico como o nosso, sendo que a receptividade ao mercado cada vez aumenta.


Vocês desenvolvem um trabalho forte de cultura no escritório, no que isso acrescenta ao ambiente de trabalho?


Todo mês, temos conversas individuais com todos os funcionários. Todos os colaboradores recebem 30 minutos com o seu líder, para feedbacks mútuos, para falar sobre como tem se sentido e o que pode ser melhorado. Dessas conversas, já implementamos, inclusive, um novo produto, proposto por uma colaboradora e que já se consolidou como um produto robusto e lucrativo do escritório. Além de um novo produto, a partir de conversas com o nosso time, também já implantamos iniciativas de sucesso, como o L&O Readers, um clube do livro em que todos os colaboradores trazem propostas de leituras e temos momentos de debates e interações sobre as nossas percepções; a iniciativa do L&O Games, para que pudéssemos ter um momento descontraído, jogando e conhecendo novos jogos, permitindo-nos conhecer e desenvolver habilidades novas, além de gerar interação e descontração dentre o time; e a divulgação dos pets que os membros do time têm, gerando maior conexão entre nós, a partir de um interesse em comum. Cuidar do bem-estar dos profissionais também pode ser uma estratégia competitiva: um time bem alinhado, traz, direta e indiretamente, novos clientes, por meio de indicações e, especialmente, pelo prazer de falar abertamente sobre como gostam de onde trabalham e como são valorizados.