Experiências Reais

Colunista: Bárbara Molinari



Na quinta-feira, dia 12/05, tive a oportunidade de ir ao show do Metallica no Mineirão. Apesar da acústica do local não ser das melhores, nada poderia estragar a emoção de estar lá, presenciando ao vivo um show tão esperado, o primeiro em solo mineiro. Desde a entrada já era possível perceber o alcance da banda e a paixão dos fãs, pessoas que vieram de outras cidades e até de países vizinhos para ter a oportunidade de ver a banda que comemora 41 de carreira este ano.


O estádio estava lotado e quando seus quatro integrantes subiram no palco o público todo se colocou de pé e assim ficamos até o fim. Ao som de seus maiores sucessos, para o delírio da plateia, tivemos um show a parte com a apresentação artística dos integrante e com os efeitos visuais que eles construíram ao longo da apresentação. Tivemos até labaredas de lança-chamas subindo do meio da pista e do palco aos céus… Junto com essa linda performance da banda, pude presenciar um fenômeno que se tornou corriqueiro em shows: o uso indiscriminado dos celulares. Seja para tirar fotos, fazer vídeos ou simplesmente simular isqueiros acesos com a lanterna; a todo momento, milhares de aparelhos estão “ligados” naquele acontecimento.


Desde os primórdios da humanidade o ser humano sente uma necessidade de recordar e registrar os eventos que permeavam sua vida. Primeiro foram os desenhos rupestres, depois as palavras, passando pelas pinturas, que evoluíram para as fotos e culminaram nos vídeos. Queremos guardar para sempre aqueles momentos tão especiais e a memória, como qualquer neurocientista pode dizer, não é sempre confiável. Porém, a memória tem um caráter emocional que muitas vezes suplanta os meios externos de lembrança. Além disso, estamos nos tornando escravos do salvar e compartilhar experiências. O que antes era algo individual ou íntimo está se tornando algo coletivo e partilhado com o mundo.


No entanto, estou inclinada a questionar se experiênciar a vida ou um evento através de uma tela é o mesmo que vivenciar a realidade na pele ou ao vivo. A pandemia pela qual passamos me leva a crer que não. Um vídeo não substitui um abraço, um carinho, uma conversa cara a cara. As nuances comunicativas não operam muito bem no espaço virtual, ainda é preciso viver em pessoa no âmbito real e social. Muitos acham que o mundo de hoje exige provas físicas de que alguém estava lá, mas até hoje nunca precisei contar um caso ou um acontecimento com adereços físicos, a imaginação humana ainda é capaz de abstração e visualização metafísica. Aqueles saudosos casos de família não são normalmente acompanhados de registros fotográficos, eles só dependem da interpretação e da atuação de quem os conta para suscitar memórias e boas risadas.


Lanço agora uma pergunta: quantas vezes você reviu ou assistiu de novo a todas as suas fotos e vídeos? Provavelmente nunca. Tiramos fotos ou gravamos um vídeo para a eventual possibilidade de necessitarmos daquilo, mas quase sempre nos esquecemos que existem, além de a vida nos apresentar novas experiências e momentos, ela não para… Assim, da próxima vez que ela te proporcionar um momento digno de lembrança, tire uma foto ou grave um vídeo se quiser, mas, por favor, reserve um tempo para realmente experienciar esse momento EM PESSOA (FISICA NÃO VIRTUAL). As emoções suscitadas ficarão com você por muito mais tempo do que o registro virtual “imortal”, uma vez que fotos são boas para elicitar memórias, mas não para contar toda a história


Foto: Cena do filme S&M2 - METALLICA & THE SAN FRANCISCO SYMPHONY - Reprodução

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