Filho de peixe...



Hoje, garimpei, mas não precisei escavar muito para eleger um tema: a incontornável e polêmica mineração em Minas Gerais.


E logo de início, quase um pleonasmo: mineração em Minas. Minas Gerais! Chamemos um gato, de gato! O nome já entrega o nosso DNA.


Minerar é preciso. Sempre foi e é nossa mina de ouro, nosso PIB. Mas, por mais quanto tempo? 30, 40 anos? E depois?


O Brasil foi feito de ciclos econômicos. Ciclos, como impérios, conhecem início, auge e fim.


Desde 1500, tivemos o ciclo do pau-brasil, da cana-de-açúcar, do ouro, do algodão, do café e da borracha. Quase todos acabaram e traumaticamente.


Por isso, vamos ao que interessa a Minas Gerais, o ciclo do ouro. Sem esquecermos dos diamantes e outras pedras preciosas que, se não são mais abundantes, deixaram profundas e positivas marcas em Minas e no povo mineiro.


Ouro Preto, Ouro Branco, Diamantina, Tiradentes... É muita história preciosa em apenas 302 anos.


O ouro legou-nos as cidades históricas; a música barroca; a arte de Aleijadinho e de Mestre Ataíde. Tempos ricos que construíram a identidade de Minas, seus trens de ferro e sua cozinha; tradição, fé e costumes. O estado mais emblemático do Brasil.


A extração do ouro de Minas mudou e, embora continue sendo o maior Estado produtor desse metal no país, nossas minas são gerais, contam com muitas coisas, como o ferro.


Os ciclos passam e o minério continua.


A exemplo da formiga daquela fábula, precisamos nos preparar para o “inverno”. Com ou sem cigarra.


Se tudo começa ou passa por Minas, precisamos pensar e buscar o que ficar em Minas. Quando as outras minas conhecerem o mesmo destino das minas de ouro, qual será o futuro deste chão de ferro? Esperemos que seja o melhor!


Somos mestres em mineração. Temos “know how” e “savoir faire” para encontrar soluções e investimentos para o pós minério, na Economia e no Meio Ambiente.


Devemos lutar por royalties mais justos, aumentar o valor e aplicar melhor os recursos do minério, com justiça e sabedoria.


Impossível uma omelete sem quebrar os ovos. Desde que não matemos a galinha dos ovos de ouro. E que este novo ouro, de ferro, não seja de tolo.


Confessou o poeta Carlos Drummond de Andrade: “por isso sou triste, orgulhoso: de ferro. Noventa por cento de ferro nas calçadas. Oitenta por cento de ferro nas almas”.


No que completou o jornalista Jorge Fernando dos Santos, com menos tristeza: “todo mineiro tem um trem de ferro apitando nas veias, uma montanha brilhando nos olhos e uma banda tocando nos ouvidos”.


Resumindo, há que defendermos nossa maior riqueza e sua exploração consciente. Criminalizar a mineração é dar um tiro de canhão no pé. Afinal, somos ou não as Minas Gerais? Se não, vamos trocar o nome do estado, para Cafés Gerais, Hortifrutigranjeiros Gerais, Cachaçalândia! O que acham?


O minério não é o bandido! Pelo contrário, é uma dádiva, riqueza natural. Ele é o mapa da Ilha do Tesouro, para a abertura de nossa economia. Ele pode e deve ser a base de uma diversificação econômica.


Assim como o ouro nos brindou com riquezas materiais, imateriais e culturais, o minério pode repetir a façanha. Como? Simples! Possibilitando outros diferentes ciclos.


Sendo bem aplicado. Atraindo outras indústrias de valor agregado, incentivando o Turismo, melhorando e ampliando a infraestrutura de estado; por fim, divulgando dentro e fora do Brasil as infinitas possibilidades de Minas, abençoada com recursos gerais e férteis.


Em casa de ferreiro, espeto de ferro sim.


Filho de peixe, peixinho é, peixão será.


Porque, como pode um peixe vivo viver fora da água fria?