Intimidade



Nossa necessidade de outras pessoas é

paradoxal. Ao mesmo tempo em que nossa cultura se encontra enredada na celebração de uma independência radical, também ansiamos por intimidade e por uma ligação com um ser amado especial. Concentramos toda a nossa energia na missão de encontrar aquela pessoa única, que esperamos, venha curar nossa solidão e, entretanto, sustentar nossa ilusão de que ainda somos independentes.


Mas, enquanto pessoas, precisamos da intimidade em um relacionamento amoroso: na relação amorosa é onde partilhamos a maior intimidade com alguém, incomparável com qualquer outra situação em nossas vidas! No livro A Insustentável Leveza do Ser, Milan Kundera nos fala dessa intimidade, com grande beleza, marcando o ato sexual como sendo a grande expressão dessa intimidade e cumplicidade. Nada mais pode ser tão íntimo assim... e ainda é, na vida a dois, onde expressamos com mais intensidade e constância nossos sentimentos mais profundos, nossos medos, nossas alegrias e vitórias, e nosso amor. E ainda ficamos com o sentimento de que precisamos aproximar mais e mais.


Porém, acredito que esse tipo de intimidade possa ser considerado algo positivo e que, se alguém for privado dessa intimidade, acabará tendo problemas, como talvez o sentimento de não pertencer, de não ser prioridade, de não se sentir importante, e que pode conduzir a sensação de estar só, e até desprotegido. Essa proximidade da intimidade seria não só para compartilhar o toque físico, mas também nossas idéias, pensamentos, os bons acontecimentos, alegrias e conquistas. Quer coisa melhor do que compartilhar as boas notícias e ter essa pessoa especial para vibrar junto e ainda nos fazer sentir essa sensação de estar conectado?!!


Será que podemos ousar dizer que as ligações íntimas em relações amorosas seriam o eixo em torno do qual gira a vida de uma pessoa? Dessas ligações íntimas a pessoa pode extrair sua força e seu prazer de viver, e através desse enriquecimento, essa pessoa transmite força e prazer de viver aos outros!?


Está claro que a intimidade promove o bem-estar físico e psicológico. Ao examinar sobre os benefícios para a saúde proporcionados por relacionamentos íntimos, pesquisadores em medicina concluíram que aqueles que mantêm relacionamentos íntimos, onde podem recorrer em busca de apoio, solidariedade e afeto, têm menor probabilidade de apresentar doenças como também maior probabilidade de sobreviver a desafios da saúde.


A intimidade é igualmente importante para a manutenção da boa saúde emocional. Portanto, levando-se em conta a importância vital da intimidade, como tratamos de conseguir intimidade na nossa vida diária?


Desmond Morris em seu livro Intimate Behavior define intimidade como “ser íntimo significa estar próximo... A meu ver o ato da intimidade ocorre sempre que dois indivíduos entram em contato físico.”

Voltando para a raiz da palavra “intimidade” do latim “intima”, que significa “interior” ou “mais interior” temos a definição de intimidade oferecida pelo dr. Dan McAdams como “o desejo de compartilhar nosso eu mais profundo com outra pessoa”. Já o dr. Patrick Malone define intimidade como a “experiência e capacidade de se conectar”.


Vou terminar buscando a palavra do Dalai-Lama em seu livro A Arte da Felicidade onde lembra que se o que procuramos na vida é a felicidade, e se a intimidade é um importante ingrediente de uma vida mais feliz, então sem dúvida faz sentido conduzir nossa vida com base num modelo de intimidade que inclua tantas formas de ligação com os outros quantas forem possíveis. Portanto, casais, fiquem próximos, pois vida a dois não gosta nem de distância, nem de isolamento e nem de solidão.