Julho Turquesa: mês alerta sobre a Síndrome do Olho Seco

Dr. José Alvaro Pereira Gomes e Dr. Milton Yogi destacam que o uso excessivo de telas tem relação direta com a condição.



Cerca de 40 milhões de brasileiros, sobretudo mulheres acima de 50 anos de idade, sofrem da Síndrome do Olho Seco, condição que se agravou na pandemia devido ao tempo maior dedicado às videoconferências e às aulas remotas. A chamada Zoom Fatigue (Fadiga do Zoom) e o uso em excesso de telas para outras atividades provocam um esgotamento mental e físico que também atinge a visão, conforme explica o oftalmologista Dr. Milton Yogi, diretor técnico do Instituto Paulista de Estudos e Pesquisas em Oftalmologia – IPEPO, voltado para assistência aos pacientes do SUS.


“Com o avanço da tecnologia, as pessoas têm passado a maior parte do dia em frente às telas (smartphones, tablets, computadores) e, mesmo em casa, nos momentos de lazer, permanecem conectadas, acessam as redes sociais, assistem ao streaming, interagem em aplicativos de mensagens instantâneas, o que resulta em piscar menos e, consequentemente, na produção insuficiente de lágrimas”, elucida Dr. Milton Yogi.


De acordo com o oftalmologista, um indivíduo pisca em torno de 20 vezes por minuto, mas ao utilizar as telas esse número cai para seis vezes por minuto. “Ocorre que ao piscar menos o filme lacrimal evapora de forma mais rápida. O filme lacrimal, ou seja, a lágrima, é formado pelas camadas lipídica, aquosa e mucoide, mantém os olhos lubrificados e funciona como um mecanismo de defesa contra infecções”, aponta.


O ressecamento da superfície dos olhos origina ou piora a Síndrome do Olho Seco – também conhecida como Disfunção Lacrimal –, por isso é importante se ater aos sintomas, como esclarece o oftalmologista e professor, Dr. José Alvaro Pereira Gomes, diretor do Centro Avançado de Superfície Ocular (CASO) e fundador da ONG Associação dos Portadores de Olho Seco (APOS). “As manifestações mais comuns são fadiga ocular em contato com aparelhos eletrônicos, ardor, olhos vermelhos, irritados e ressecados, coceiras constantes, sensibilidade à luz e visão embaçada ao final do dia”, descreve Dr. José Alvaro.


Em virtude do crescente número de casos da Síndrome do Olho Seco criou-se a campanha mundial Julho Turquesa, que no Brasil é fruto de uma parceria entre a Associação dos Portadores de Olho Seco (APOS) e a Tear Film Ocular Surface Society (TFOS). “A iniciativa tem o objetivo de esclarecer e alertar a população para o diagnóstico da doença e tratamentos disponíveis. Da mesma forma, busca informar sobre os fatores de risco, que não se resumem à expansão do uso de computadores, celulares e tablets. Também interferem na formação de lágrimas ou em sua qualidade agentes de ordem ambiental, com o aumento da poluição nos centros urbanos e uso do ar condicionado, a chegada da menopausa, lentes de contato, doenças autoimunes”, relata o fundador da APOS.


Os especialistas afirmam que atualmente existem diferentes tratamentos para o Olho Seco. “O oftalmologista irá avaliar as necessidades individuais do paciente para propor a abordagem mais adequada, que pode envolver uso de lágrimas artificiais, medicamentos sistêmicos, luz pulsada, lentes de contato esclerais, entre outras”, ilustra Dr. Milton Yogi. Dr. José Alvaro Pereira Gomes acrescenta que em casos mais graves podem ser recomendados procedimentos cirúrgicos, como tarsorrafia e transplante de conjuntiva, mucosa labial ou até mesmo de glândulas salivares. “O tratamento é individualizado e definido de acordo com os fatores que desencadeiam o Olho Seco no paciente, considerando risco/benefício e custo”, orienta.