O amor é lindo…



Com o dia dos namorados se aproximando fico pensando no conceito de alma gêmeas, tanto disseminado em várias culturas e a real necessidade social de ser parte de um casal. Para aqueles que não sabem o termo alma gêmea provém de um mito, isso mesmo, um mito como aqueles sobre Zeus e Thor. Foi Platão que nos apresentou esse mito em sua obra O Banquete, em que um dos personagens, Aristófanes, discorre sobre como éramos “completos”, compostos de duas cabeças, quatro braços e quatro pernas. Depois de uma altercação com os Deuses - como sempre - fomos castigados por Zeus por essa insubordinação. Ficamos, então, fadados a vagar pela terra em busca da nossa outra metade. Daí também viriam todos os nossos sentimentos de falta e vazio… Impactante, não??

Contudo, não consigo deixar de pensar na tarefa hercúlea de encontrar essa chamada alma gêmea em um lugar com quase 8 bilhões de habitantes. E o que acontece se quando encontramos essa pessoa ela já está com outra - preferiu não “esperar” ou procurar -, ou, pior, sofreu uma trágica fatalidade? Tentamos uma reencarnação? Estamos fadados a nunca preencher aquele vazio? Acho uma perspectiva deprimente, além de acreditar que se alguém busca se “completar” em um casal, este ser necessita de terapia e não de um namorado, uma namorada ou afins. Podemos ter nascido literalmente ligados a outro ser humano, mas o corte do cordão umbilical não significaria que estamos prontos para viver plenos e completos?

Não que isso impossibilite encontrarmos a nossa “cara-metade” ou alguém com quem compartilhar nossas vidas. Só acho que o amor é maior que um rótulo, um buquê de flores, um jantar romântico ou um único dia no calendário. E por ser uma data criada com o intuito de celebrar a paixão e o amor, de um ponto de vista de marketing, limitar esses sentimentos a um casal é um pouco reducionista e pouco visionário. Por isso que o grande site chinês, Alibaba, criou o dia dos Solteiros. Adivinhem qual é o dia em que o site computa mais vendas?

Devemos fugir desse conceito platônico de que necessitamos ser “dois” para sermos completos. Não é muito melhor amar por amar e não porque fazemos parte de um todo indivisível? No mundo atual, isso se torna ainda mais necessário, considerando os vários tipos de relacionamentos existentes, que podem extrapolar o conjunto de dois.

Portanto, não se desespere se você irá passar esse dia sozinho porque o status do seu relacionamento é complicado ou ainda está a procura de alguém com quem se relacionar. O mundo está cheio de possibilidades e é muito mais realista do que uma alma gêmea. Porém, se nada disso lhe oferece consolo, tem uma frase que li uma vez que pode ser apropriada (ou talvez seja um provérbio): “O maior amor é de mãe, depois o de um cão, depois o do namorado” - substitua namorado pela designação que preferir. Nessa hierarquia amorosa, alguns amores são puros e incondicionais, outros momentâneos ou talvez eternos, o desafio é nunca deixar de amar - ou então adotar um cachorro!