O que o amor uniu, ninguém separa



Contos de fada não existem, não é mesmo? Apesar da Disney tentar nos mostrar uma realidade cheia de arco-íris e princesas, a sociedade nos diz e mostra que a vida não é como um filme. Porém, ocasionalmente, nos deparamos com momentos e pessoas que nos fazem repensar essa pergunta. Tive a sorte de presenciar um momento mágico desses no casamento de dois queridos amigos - Ana Júlia e Henrique - no último fim de semana em Tiradentes. Digna de realeza, a cerimônia foi em uma igreja que representa o melhor da nossa arquitetura barroca - uma riqueza que provoca emoções, altamente ornamentada, com curvas e arcos dramáticos, cores vibrantes e muito ouro! A festa estava com uma decoração encantadora, além de muito divertida e animada, com direito a várias bandas e os noivos se esbaldando na pista de dança. A noiva estava impecável e clássica; o noivo muito alegre e animado, mas não é disso que estou falando. Quero falar sobre o amor entre eles, a troca de olhares, os gestos, beijos e abraços que prenunciam uma vida futura harmoniosa e que nos convida a crer em almas gêmeas. Aquela visão que traz lágrimas aos olhos e uma sensação quentinha no peito.

Isso é o mais importante em um relacionamento, pois o casamento é mais que uma festa, é uma vida inteira, ou pelo menos é o que se promete e espera. É alegria, tristeza, briga, amor, balbúrdia, choro, riso, histórias compartilhadas, olhares que valem mais que mil palavras. Um eu “te amo” mesmo quando “te odeio”. É ter filhos ou não, e, se sim, como criá-los. Compartilhar emoções e experiências, uma vida a dois até que a morte os separe (ou é essa a expectativa). Sempre achei que quando os noivos se preocupam muito mais com o dia do casório do que com qualquer outra coisa, o futuro não promete muita coisa. Vinte-quatro horas são tão efêmeras que não valem toda essa atenção e desespero. Contudo, é um dia muito aguardado e quando compartilhado com aqueles que amamos se torna uma lembrança muito especial. Lembrem-se do provérbio sueco: “Alegria compartilhada é alegria em dobro. Tristeza compartilhada, é tristeza pela metade.”

Em nossa sociedade, o casamento, muitas vezes, constitui um marco no relacionamento de um casal. Como se tudo mudasse agora que são cônjuges, com um antes e um depois. Isso me irrita, pois um relacionamento duradouro é construído aos poucos, não após uma benção religiosa ou contrato civil. Não se deve esperar, então, felicidade eterna - algo improvável ao extremo. A vida, assim como a natureza, é feita do equilíbrio alcançado entre o bom e ruim. Duas partes de um todo indivisível. Só sabemos sorrir porque aprendemos a chorar.

Assim, o amor entre os noivos é que faz essa união duradoura e não um pedaço de papel - ou um aro dourado. Como nos diz Balzac: “O amor é a poesia dos sentidos. Ou é sublime, ou não existe. Quando existe, existe para sempre e vai crescendo dia a dia.” E foi esse amor que pude presenciar no último sábado e sei que meus amigos tem todas as chances de um matrimônio com soma positiva: mais alegrias que tristezas. Fica aqui, então, a minha singela homenagem a esse lindo casal. Felicidades!



Fotos: Guilherme Bolina

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