Os Diamantes São Eternos


Para começar, o que tem a ver um shopping com um clube de futebol? Nada! O que tem a ver nosso lindo DiamondMall com o vencedor Clube Atlético Mineiro? Tudo! Ou metade de tudo, uma boa parte. O Diamond Mall, inaugurado em 1996, foi desenvolvido e administrado, desde a sua abertura, pela Multiplan, no terreno que o Atlético recuperou em ação judicial com a Prefeitura de Belo Horizonte. Terreno arrendado do clube pelo período de 30 anos, ou seja, até novembro de 2026. Em 2020, o Atlético vendeu 50,1% do shopping para o mesmo Multiplan. O clube receberia R$ 296,8 milhões de forma gradativa. No começo do acordo, em 2017, estava em R$ 250 milhões, valor que subiu devido às correções monetárias. Agora, o Atlético cogita vender sua parte restante, 49,9%. De acordo com avaliação de mercado, o empreendimento vale cerca de R$ 300, R$ 350 milhões. Com o dinheiro, o Galo terá condições de negociar descontos com os credores. O valor da negociação é considerada suficiente para estancar a dívida chamada ruim, a onerosa; as bancárias e trabalhistas. O que vocês acham? Em minha quase humilde opinião, de atleticano e Conselheiro do clube, sou 100% a favor da venda. 100% a favor de tirar o “bode da sala”. Porque, aqui entre nós, diamantes são lindos, mas nem um pouco comestíveis, concordam? Deve ser ótimo ter um shopping para chamar de meu. Mas, no caso, é como ter um carro importado na garagem, com o tanque vazio. Como naquele clássico filme com Marilyn Monroe, “Diamonds are a girl's best friend”, os diamantes são os melhores amigos de uma garota, mas para que servem no futebol? Para que serve um diamante num estojo, com a geladeira vazia? Para ser vendido, claro! “O Atlético tem uma situação bem diferente da maioria dos clubes do Brasil, porque tem um patrimônio muito grande. Poucos clubes têm um patrimônio igual", disse um dos mecenas do Galo, Rubens Menin, que estimou esse valor em R$ 1,6 bilhão. Acontece que, falando em dívida, no topo da lista, a maior do futebol brasileiro, está a do mesmo Atlético Mineiro, que virou o ano com um “buraco” entre R$ 1,3 e R$ 1,4 bilhão. O pódio ainda tem o Cruzeiro (R$ 1,020 bilhão) e o Corinthians (R$ 928 milhões). O endividamento líquido do Galo foi quase 2,4 vezes maior que o seu faturamento em 2021. Nos últimos 10 anos, o Galo pagou R$ 460 milhões em juros e encargos. Só no glorioso 2021 foram 88 milhões em juros. Neste 2022 deve bater os R$ 100 milhões. Um bola de neve que precisa ser furada ou derretida. Vendendo o DiamondMall e negociando bem, fica o “colesterol bom”, a dívida não onerosa. E mais! Este diamante, para o Atlético, é vidro! Em 2006, o shopping era sua segunda maior fonte de receitas. Agora, a cada seis anos, “perde-se” metade do shopping para arcar com o custo da dívida. As receitas com o DiamondMall representaram menos de 1% das receitas operacionais do Galo ano passado. Murro em ponta de faca. E vale a pena repetir. Com a venda do shopping, o Galo utilizará o dinheiro exclusivamente para pagamento das dívidas e, consequentemente, alteração do perfil do endividamento. Sem deixar de focar no estádio! Na Arena MRV. Porque, a já citada venda dos 50,1%, por exemplo, com destinação integral dos recursos à construção da arena, viabilizou a execução do projeto, que, até sua inauguração, tem o potencial de arrecadação de 889 milhões”. Isso sim é investimento. É o Galo e sua galinha dos ovos de ouro. Aí vem aquele gaiato cantando “Pecado Capital”, do Paulinho da Viola: “Dinheiro na mão é vendaval”. Nas mãos erradas, sim. Para garantir a devida destinação dos recursos, o clube já definiu os mecanismos de blindagem para o monitoramento da operação de venda: infinita vigilância, transparência, competência, reponsabilidade e prestação de contas. Aí sim, nosso diamante será eterno. No mais, só alegria e voz para gritar: “É Campeão!”.

Posts recentes

Ver tudo