Prioridade ao Transporte Público é o caminho para o futuro da mobilidade

Atualizado: 23 de set.

Texto: Rubens Lessa Carvalho


Na Semana Nacional de Trânsito, temos que refletir sobre a necessidade urgente de investimentos em infraestrutura, diante do esgotamento dos modelos de vias atuais



A Semana Nacional de Trânsito acontece anualmente entre os dias 18 e 25 de setembro, criada em 1997 pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB), tem como objetivo conscientizar e incentivar à sociedade por um trânsito mais seguro. Neste ano, o tema definido pelo Contran para a SNT 2022 é "Juntos salvamos vidas".


Sabemos que a educação no trânsito é fundamental para a ampliação de bons condutores, que respeitem as leis e sejam exemplo de cidadania nas vias. Mas é imprescindível que continuemos alertas, ao fato de que campanhas despertam e chamam atenção para determinados problemas ou dados negativos, mas o seu objetivo principal é o de preservar vidas, e isso exige o compromisso de todos.


Neste ano, gostaria de convidar a todos para uma reflexão acerca do excessivo número de automóveis e motocicletas no trânsito, que, como sabemos, causam enormes prejuízos ao meio ambiente, ao bem-estar das pessoas e que, reflete diretamente na segurança e mobilidade da população nas grandes cidades.


Atualmente é discutido amplamente por toda a sociedade, a questão da mobilidade nos grandes centros como problema crônico a ser enfrentado de forma imediata. A CNT (Confederação Nacional do Transporte), entidade que representa todos os modais do transporte brasileiro, rodoviário, ferroviário, hidroviário e aéreo, apresentou recentemente o projeto "O transporte move o Brasil" com várias propostas para a mobilidade no País – o projeto na íntegra pode ser acessado no endereço: www.cnt.org.br


O documento foi entregue aos candidatos à presidência da República. Seu conteúdo busca contribuir para a construção de uma agenda estratégica de desenvolvimento do Brasil, especialmente no que se refere à melhoria das infraestruturas de transporte, do ambiente regulatório e de negócios para empresários e investidores.


Ele aponta caminhos visando à solução de entraves à competitividade do setor, à ampliação da sustentabilidade econômica e ambiental do transporte e à garantia de segurança jurídica para os empresários e investidores.


Um dos pontos mais importantes aponta a necessidade urgente de investimentos em infraestrutura, diante do esgotamento dos modelos de vias atuais para fluir um número cada vez maior de automóveis e motocicletas. A restrição da circulação de carros nas grandes cidades já se torna uma realidade para conter o excesso, entre outras ações para se evitar o colapso.


Daí a necessidade, a reflexão de que precisamos urgentemente priorizar o livre trânsito do transporte público coletivo, principalmente nas áreas centrais das grandes cidades. É preciso estimular, informar a população, sobre os benefícios e vantagens do uso dos ônibus para a mobilidade. Para isso ressalto três pontos que contemplam o transporte coletivo como benéfico e vantajoso.


É mais barato. Mesmo o condutor que utiliza o veículo mais econômico do mercado hoje, gasta mais que o dobro para se deslocar de sua casa ao centro e retornar, do que se optasse pelo transporte coletivo. Sem contar os gastos com combustíveis, manutenção, depreciação do veículo, e gastos eventuais com acidentes, estacionamento e multas.


É sustentável. É mais que comprovado que o uso coletivo do transporte é mais sustentável, pois comporta mais pessoas dentro de um único veículo. Estudos da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) mostram que os automóveis particulares emitem oito vezes mais gases poluentes do que os ônibus.


Você sabia que os ônibus transportam em número de pessoas, o equivalente a 40 carros na rua? O espaço ocupado nas avenidas é 20 vezes menor, o que significa maior fluidez no trânsito com viagens mais rápidas, reduzindo congestionamentos e diminuindo o tempo de deslocamento.


Por fim a coletividade, símbolo do transporte público. Utilizar o transporte coletivo significa dividir o transporte com outras pessoas, a cidadania sendo exercida, contribuindo para uma melhor qualidade de vida de todos nas grandes cidades


(*) Rubens Lessa Carvalho, especial para o CIDADE CONECTA. Ele é diretor da Confederação Nacional de Transportes (CNT), presidente do Conselho Regional do Sest Senat em Minas Gerais e da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros de Minas Gerais (Fetram)


FOTO / Tião Mourão




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