Síndrome do Olho Seco: saiba o que é e como prevenir

Nesta entrevista, médico oftalmologista Tiago César Pereira Ferreira alerta para a existência de fatores de risco genéticos e comportamentais que podem desenvolver o problema

O médico oftalmologista Tiago César Pereira Ferreira é especialista em catarata, lentes de contato, ceratocone e cirurgia refrativa (Foto: Ramon Ferrary)


Embora julho tenha sido considerado o Mês da Conscientização do Olho Seco (Julho Turquesa), a preocupação dos médicos é contínua, uma vez que este problema afeta as pessoas que passam muito tempo em exposição às telas.

Nesta entrevista ao CIDADE CONECTA, o médico oftalmologista Tiago César Pereira Ferreira - que é especialista em catarata, lentes de contato, ceratocone e cirurgia refrativa - explica mais sobre esta síndrome e como tratá-la.


O problema do olho seco é muito comum? Qual grupo é o mais afetado?

Um trabalho recente realizado sob liderança da pesquisadora Mônica Alves, da Unicamp, apontou que, no Brasil, cerca de 13% da população sofre deste problema. Ressaltou-se também que a prevalência é maior entre mulheres, devido às questões fisiológicas e hormonais, e que o olho seco não se limita à população idosa - um estudo realizado entre alunos universitários da Unicamp e Unifesp mostrou que 23% dos estudantes apresentavam sintomas ou história prévia de olho seco, entre estes, 42% mulheres e 24% homens. O estudo mensurou também os fatores de risco associados, quase 70% dos entrevistados encaixavam-se no grupo de risco quanto ao tempo de exposição às telas; 38% tinham menos de 6h de sono por noite; 22% tomavam contraceptivos orais e 16% fazia uso de lentes de contato.


Existem fatores de risco para desenvolver o problema do olho seco, ou ele aparece aleatoriamente?

Há fatores genéticos e comportamentais, depende do tipo de olho seco. O olho seco evaporativo é o mais comum, corresponde a 90% dos casos e, nestes casos, os fatores comportamentais têm influência importante no aparecimento e continuidade dessa condição. Um outro estudo recente, realizado entre alunos universitários das mesmas universidades paulistas, também conduzido pela pesquisadora Mônica Alves, fez um mapeamento dos comportamentos associados a fatores de risco, e apontou que quase 70% dos entrevistados encaixavam-se no grupo de risco quanto ao tempo de exposição às telas e 38% tinham menos de 6h de sono por noite, ambos comportamentos que favorecem o desenvolvimento do olho seco.


Como o problema pode ser identificado?

Os sinais iniciais são sensação de secura, vermelhidão, coceira, sensação de 'areia' nos olhos, ardor. Apesar disso, qualquer alteração na aparência ou sensação incômoda relacionada aos olhos deve ser avaliada por oftalmologista, pois muitas doenças oftalmológicas são silenciosas, e só apresentam sintomas em estágios muito avançados.

No caso do olho seco, há o exame Break up Time, que é próprio para a detecção do problema. Instilamos fluorescína no olho e iluminamos com luz azul de cobalto. A quebra do filme lacrimal em menos de 10 segundos demonstra um problema grave de instabilidade da lágrima, e indica que a síndrome do olho seco pode estar presente.


Quais as dicas para evitar o aparecimento do Olho Seco?

As cinco principais dicas que costumo dar aos pacientes são: umedecer o ambiente; não ficar em frente ao fluxo do ar condicionado; Beber bastante água; lembrar-se de piscar os olhos mais vezes, voluntariamente, principalmente durante o uso de telas, dirigindo ou lendo. Por fim, a qualquer sinal de alteração na visão ou sensação incômoda nos olhos, procurar um oftalmologista. Caso a pessoa seja diagnosticada com o olho seco, ele poderá prescrever um colírio lubrificante adequado. Lembrando que o uso indiscriminado de colírios, sem prescrição médica, pode trazer sérios prejuízos à saúde ocular.