SXSW 2022: inovação, arte e tecnologia

Muito difícil definir a dimensão e o que é este festival; são inúmeras atividades que abrem a cabeça de qualquer um.



A SXSW (South by Southwest) é um festival anual em Austin, Texas (EUA), que celebra a convergência de informação, tecnologia, negócios, arte, música e cultura trazendo experts dos mais diversos setores do mundo contemporâneo.


Muito difícil definir a dimensão e o que é o festival, considerado hoje um dos maiores eventos de inovação do mundo, mas quem vai se surpreende e quer voltar. São inúmeras palestras, workshops e debates que abrem a cabeça de qualquer um que passe por ali alguns dias.


Estive por lá atenta a todas as novidades, numa imersão inspiradora, afinal entender o momento que vivemos é complexo e se preparar para o futuro requer primeiro muito conhecimento.


Talvez o tema que mais tenho sido discutido em painéis do evento foi o metaverso, como será, potenciais de negócio, conduta e regulamentação. Não somente pela sua importância em ser mais uma via para conexão de pessoas, mas também por ser um canal em que será possível explorar de maneira inovadora uma nova cultura digital através de novas formas de entretenimento, interações sociais, manifestações artísticas e negócios.


O assunto não é novo: foi utilizado pela primeira vez em 1992 por Neal Stephenson para descrever um ambiente 3D. Em 2006 foi criado o Second Life, um game que já dava muito indícios do que estava por vir, marcando essa transição da atenção para o mundo digital. Após a pandemia a vontade e as possibilidades de novos negócios cresceram massivamente.


Mark Zuckerberg (Meta/Facebook) externou que um de seus desafios é conseguir que a tecnologia acompanhe a velocidade do olhar e seus reflexos em milésimos de segundo, bem como a portabilidade dessa tecnologia, a ideia de um óculos que tenha micro projeções holográficas que possa trazer o metaverso à rotina outdoor sem cabos e de forma leve.


O potencial disso tudo para nós – arquitetos e público em geral – além dos aspectos sociais, certamente estará muito atrelado a um novo ambiente de trabalho. A realidade virtual definitivamente irá transformar todos os negócios onde o que se vende são sonhos.


Novos aparelhos estão sendo desenvolvidos por grandes empresas de games e softwares de realidade virtual para escanear e reproduzir no virtual ambientes reais. Sem falar no que podemos criar.


Muito louco pensar também em um sistema financeiro independente e totalmente virtual, auto regulamentado. Mas a verdade é que as bitcoins (primeira moeda virtual criada), já são uma realidade e outras criptomoedas vêm trilhando caminhos similares, para o desespero do sistema bancário tradicional. Mas as justificativas e o desenho de todo o sistema é muito interessante e faz muito sentido.


Confesso que imaginar supercomputadores mineradores trabalhando sozinhos e gerando milhões de renda através da execução de operações virtuais ainda é muito para meu pouco entendimento. Mas ao mesmo tempo a possibilidade de se ter uma moeda única mundial em transações livres de tantas taxações das instituições é uma tendência real. Uma NFT pode ser desde um hectare de árvores em uma fazenda de reflorestamento na Amazônia a uma obra de arte (física ou digital), como uma escritura virtual de algo que tem valor.


Muito se fala das revoluções tecnológicas que irão pautar as próximas décadas. As tendências são claras em mostrar futuros construídos com uma pegada digital. Mas escutamos também o que chamaram de supertendências não-obvias, que fala justamente sobre o fator humano no meio disso tudo.


Os computadores e gadgets estão cada vez mais rápidos e integrados à nossa experiência sensorial. Já se fala em computadores quânticos acessíveis a empresas no final desta década. Considerando que o primeiro computador (criado na década de 40) demorou décadas para chegar num modelo acessível à nós, essa velocidade é formidável e nos mostra que vamos em frente e vamos rápido.


E como fica ser humano em um mundo que migra rapidamente para o digital? As máquinas podem parecer assustadoras em um filme de ficção pós apocalíptico, mas a realidade é que estão ao nosso serviço.


Muito se tem discutido sobre a importância da igualdade de gênero, mas foi interessante ver painéis com mulheres presidentes e CEOs em cargos de lideranças em várias companhias ou negócios próprios.


O que me chamou a atenção foi a postura de cada uma delas e o valor da mulher em cargos importantes não apenas como um efeito de um movimento crescente de igualdade de gênero, mas sim pela sua própria capacidade, valor e visão única que traz aos negócios. Ou seja, o mundo contemporâneo pede atribuições aos cargos e à liderança que vão de encontro às mulheres pela sua s próprias características, capacidade generalista e olhar sensível.


Um workshop muito interessante que participei foi o “Play with the power of emotions in design’ (“brinque com o poder da emoção no design”) com Yasmin Borain chief experience officer (CEO) da agência Tribal de Londres e Greet Janes, duas profissionais com mais de 20 anos de experiência no processo de design sob o viés das emoções.


Usamos para um estudo de caso uma metodologia de análise de comportamentos, motivações, hábitos e emoções atuais para descobrir novos negócios, ou novos serviços ou ainda repensar produtos.


E o futuro, como fica? O futuro que desejamos reside no agora, e se a inovação vem de boas perguntas, fica aqui meu convite e minha melhor pergunta: vamos juntos?


Foto: Arquivo Pessoal

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