Temperaturas baixas, cuidados em alta

Com a chegada do frio, farmacêutico alerta para as principais doenças da época e destaca a importância de cuidar da saúde de forma individualizada.



Belo Horizonte registrou quedas recordes de temperatura nas últimas semanas e o Inverno nem chegou de verdade. Além do frio, esse período traz também um aumento importante nos casos de algumas doenças, principalmente as respiratórias. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), a gripe, por exemplo, registra em torno de 3 a 5 milhões de casos graves por ano, sendo muito mais comum nos meses mais frios. Isso sem falar na Covid-19, que também tem sua incidência aumentada.


De acordo com o presidente da Regional Minas Gerais da Associação Nacional dos Farmacêuticos Magistrais (Anfarmag), Helbert Bontempo, isso acontece por causa de uma queda natural na imunidade do nosso corpo e pela maior facilidade do contágio, uma vez que as partículas de secreção circulam mais facilmente em ambientes fechados.


Para o farmacêutico, é importante se preparar para a chegada do inverno, evitando as complicações das doenças típicas da época. “Seja no frio ou no calor, sempre é necessário mantermos nossa imunidade em dia”, acredita. Nesta entrevista ao CIDADE CONECTA, Bontempo fala mais sobre as principais doenças do período e aponta a importância de um cuidado personalizado para manter a saúde em dia.


Quais as principais doenças que mais acometem as pessoas com a chegada do frio?


As doenças mais comuns são aquelas causadas principalmente por vírus e bactérias. Isso acontece por causa de uma queda natural na imunidade do nosso corpo e pela maior facilidade do contágio, uma vez que as partículas de secreção circulam mais facilmente em ambientes fechados. Também há que se atentar para a baixa umidade do ar nessa época e para as alterações bruscas de temperatura que vemos frequentemente aqui no Brasil, o que favorece também os quadros alérgicos. Alguns exemplos de doenças comuns no inverno são gripe, resfriado, bronquite, asma, sinusite, rinite, otite, entre outras. Além dessas, nos últimos anos temos convivido com a Covid-19, que também tem sua transmissão intensificada na época de frio, em especial atualmente pela não-obrigatoriedade do uso de máscaras em lugares fechados que não os recomendados pelos Governos Estaduais.


É possível se preparar para a chegada do frio, por exemplo, aumentando a imunidade? Como isso pode ser feito?


Seja no frio ou no calor, sempre é necessário mantermos nossa imunidade em dia. Isso pode ser feito tendo mais atenção e cuidado com a saúde. As vacinas, por exemplo, são ótimas aliadas para combater totalmente ou minimizar os sintomas de algumas doenças, como a gripe e a própria Covid-19. Além disso, alguns alimentos favorecem o fortalecimento do sistema imunológico, contribuindo para o combate às doenças típicas da época do frio.


Alguns exemplos são os alimentos ricos em vitamina C (laranja, acerola, couve, etc), vitamina D (peixes e ovos), zinco (carne vermelha, aves, frutos do mar, etc), entre outros. Caso a ingestão desses alimentos seja baixa, por qualquer motivo, é possível suplementar esses componentes por meio de formulações personalizadas. Outras medidas de prevenção são manter os ambientes bem arejados, lavar as mãos com frequência, usar álcool em gel quando fora de casa, proteger a boca ao tossir e se manter adequadamente hidratado. No entanto, é preciso lembrar que nem sempre uma imunidade alta é garantia de que a pessoa não vá se infectar com alguma dessas doenças, pois cada organismo é diferente de outro e vírus e bactérias passam por mutações.


Quais os diferenciais dos produtos manipulados no sentido de prevenir e combater os males que podem surgir nessa época de frio?


Em primeiro lugar, é preciso ressaltar que o segmento de manipulação é fundamental para a saúde brasileira, salva vidas e é referência internacional. O preparo individualizado de produtos e medicamentos é feito exclusivamente sob prescrição de profissionais de saúde habilitados, atendendo tanto os pacientes que buscam as farmácias por si mesmos quanto os hospitalizados, com produtos direcionados às suas necessidades específicas. Nesse sentido, a farmácia de manipulação consegue adequar os medicamentos às demandas individuais de cada pessoa. Por exemplo, é possível associar diversos princípios ativos em um mesmo medicamento, facilitando sua administração. Também é possível criar formulações em diferentes formas de apresentação – xaropes, cápsulas e até pastilhas –, facilitando o processo para pessoas que têm alguma dificuldade de deglutição, como os pacientes hospitalizados, por exemplo. Nos meses mais frios, é maior a demanda por multivitamínicos que contribuem para a imunidade. De acordo com as necessidades individuais, é possível manipular uma fórmula personalizada, com a quantidade específica de cada componente necessário à suplementação da pessoa. Isso tudo, é claro, se o farmacêutico avaliar que há viabilidade técnica para tal.


De que forma o farmacêutico pode ajudar fazendo um primeiro atendimento a quem precisar de algum medicamento nessa época?


É preciso destacar que são funções do farmacêutico, entre outras, oferecer as devidas orientações ao paciente quanto ao uso racional de medicamentos, manipular remédios e outros produtos, realizar análises das prescrições e avaliar sinais e sintomas de doenças com o propósito de prover cuidado primário ao paciente. De modo geral, podemos dizer que, enquanto o médico é o profissional do diagnóstico e do paciente, o farmacêutico é o profissional especializado nos tratamentos a base de medicamentos. Por isso, é direito de cada cidadão receber o primeiro atendimento dentro das farmácias, por um farmacêutico habilitado, sempre que necessitar. Esse profissional vai ouvir as queixas, avaliar os sintomas e encaminhar para o médico ou outro especialista da saúde quando julgar necessário, podendo também prescrever medicamentos que não necessitem de receita médica para melhorar a qualidade de vida desse indivíduo.


Em quais casos o farmacêutico deve orientar a pessoa a procurar um médico?


Quando o farmacêutico observar indícios e sintomas de doenças mais graves, com risco de complicações, ou se for um caso de emergência, por exemplo, ele pode e deve orientar que o paciente busque ajuda médica, seja em consulta com especialista ou de primeiros socorros. Será neste momento que o profissional médico vai diagnosticar o problema e prescrever os medicamentos adequados com eventual necessidade de receitas médicas.


FOTO / Divulgação CC / Anfarmag


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