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Um vereador competente, um chef genial, e o melhor lugar de BH

Vislumbrei o Mina como um dos bares citados. Acertei em cheio. Minha idealização correspondeu exatamente à realidade.


Cena de “Um dia de chuva em Nova York”: bares do filme lembram o Mina de BH- Foto: Pipoca Moderna


Quando Gabriel Azevedo, disparado o melhor vereador da nossa cidade, um estranho no ninho em meio ao desesperante nível da nossa Câmara, me disse que abriria um bar no Automóvel Clube em parceria com o brilhante Léo Paixão, tive uma visão, em função do intelecto e da sofisticação de ambos: o estabelecimento me lembraria bares que aparecem em um dos últimos filmes de Woody Allen. “Um dia de chuva em Nova York” obviamente não entra com destaque na genial carreira do cineasta vítima, injustamente, da perigosa “lei do cancelamento”. Ainda assim, confesso que tenho uma quedinha irracional pela obra.

Uma das idiossincrasias de Allen foi/é a capacidade ímpar de dirigir personagens mulheres. De tornar atrizes lindas, charmosas, ainda mais magnéticas. Neste aspecto, a escolha dos figurinos quase sempre mostrou-se perfeita. Annie Hall...


“Noivo neurótico e noiva nervosa”, destas traduções bizarras comuns no Brasil, aí sim, entra como um dos pontos altos da prolífica filmografia do diretor. E revolucionou a moda. As roupas vestidas pela ultra talentosa Diane Keaton – sua gravata, por exemplo – passaram a proliferar-se pelas cidades antenadas dos EUA. Em “Um dia de chuva em Nova York”, Selena Gomez aparece com um magnetismo inefável. O destaque da fita, também nesta alçada, é o incrivelmente lindo Timothée Chalamet. Mulheres e homens que não pecam pela falta de sensibilidade, sucumbindo a um neomachismo, dificilmente ignoram, incólumes, o charme do ator franco-americano.


A melhor cena de “Um dia de chuva em Nova York” acontece no apartamento da personagem de Selena. Ali, Timothée canta e toca piano numa versão indescritível de “Everything Happens to Me”, de Chet Baker. O início faz menção a uma modalidade esportiva infelizmente relegada às elites econômicas no nosso país: “I make a date for golf, and you can bet your life it rains”. Há tomadas de Timothée aparecendo em bares espetaculares da capital do mundo.


Em outro trecho, o jovem galã se exibe no piano em um bar que frequenta habitualmente quando o estabelecimento já está fechando – a amizade com funcionários do local permite que o carismático personagem dê vida ao instrumento mesmo quando o público já deixara o lugar. Vislumbrei o Mina como um dos bares citados. O relacionei com pianistas tocando Chet Baker nos entorpecendo. Acertei em cheio. Minha idealização correspondeu exatamente à realidade. Não há em BH nada igual.



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