- Bem-estar
- outubro 13, 2026
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Castração previne doenças, mas não determina a longevidade dos pets
Procedimento pode reduzir riscos de complicações reprodutivas e tumores, mas os benefícios dependem das características de cada animal

Da Redação
O controle reprodutivo não é o único benefício da castração em cães e gatos. O procedimento também pode prevenir doenças uterinas, reduzir o risco de determinados tumores e contribuir para o controle de alterações prostáticas. Os efeitos, porém, variam conforme a espécie, o sexo e a fase da vida do animal, e a cirurgia, isoladamente, não garante maior longevidade.
Nas fêmeas, a castração pode prevenir doenças como a piometra e reduzir o risco de tumores mamários quando realizada em determinadas fases da vida. Nos machos, a remoção dos testículos elimina o risco de tumores testiculares e contribui para o controle da hiperplasia prostática benigna. A indicação, no entanto, exige avaliação veterinária individual.
Segundo a professora de Medicina Veterinária da Estácio BH, Natália de Castro Alves, a expectativa e a qualidade de vida dos animais dependem de um conjunto de fatores, que inclui genética, alimentação, condição corporal, atividade física, vacinação, controle de parasitas e acompanhamento veterinário periódico.
“O procedimento cirúrgico pode contribuir para a prevenção de determinadas doenças aumentando a expectativa de vida. Mas é importante fazer uma distinção: isoladamente, a castração não garante a longevidade do pet. A expectativa e a qualidade de vida são determinadas por um conjunto de fatores, entre eles, genética, alimentação, condição corporal, atividade física,vacinação, controle de parasitas e acompanhamento veterinário periódico”, afirma.
Por isso, a decisão de castrar deve considerar as particularidades de cada animal. Embora muitos cães e gatos passem pelo procedimento ainda jovens, antes ou depois da puberdade, o momento mais adequado depende de uma avaliação individual.
Espécie, sexo, raça, porte, idade, condição corporal, histórico clínico, ambiente e estilo de vida estão entre os fatores considerados pelo médico-veterinário na indicação da cirurgia e na definição dos cuidados pré e pós-operatórios.
Prevenção de doenças reprodutivas
Nas fêmeas, a ovariohisterectomia consiste na remoção dos ovários e do útero. A cirurgia elimina o risco de piometra, uma infecção uterina grave que pode evoluir para complicações sistêmicas, incluindo sepse, e colocar a vida do animal em risco.
“A piometra é uma enfermidade uterina grave, associada à influência hormonal do ciclo reprodutivo e à infecção bacteriana, que pode evoluir para quadros sistêmicos, incluindo sepse, com risco de morte. A técnica também interrompe a atividade ovariana e, consequentemente, os ciclos estrais e as oscilações hormonais relacionadas à reprodução”, afirma a médica.
A castração também impede a gestação e pode reduzir significativamente o risco de tumores mamários, conforme a fase da vida em que é realizada.
Nos machos, a remoção dos testículos reduz a influência dos hormônios sexuais sobre determinadas condições de saúde. Uma delas é a hiperplasia prostática benigna, caracterizada pelo aumento da próstata e frequente em animais não castrados.
“A redução hormonal contribui para a prevenção e o controle da hiperplasia prostática benigna, uma alteração muito frequente em machos não castrados e diretamente relacionada à exposição contínua aos andrógenos”, ressalta a especialista.
A redução dos hormônios sexuais também pode influenciar determinados comportamentos. Em alguns animais, a castração pode diminuir a procura por fêmeas, as fugas motivadas pelo comportamento reprodutivo e a marcação territorial com urina.
A resposta, no entanto, varia de um animal para outro. A cirurgia não substitui o treinamento, o manejo adequado ou a avaliação comportamental quando necessária. Por isso, a indicação deve considerar tanto os aspectos clínicos quanto as necessidades individuais do pet.