- Atualidades
- julho 14, 2025
- 9 minutos
Segurança eletrônica no Brasil: 1 milhão de empregos diretos
O Brasil tem se destacado como um mercado em expansão no setor de segurança eletrônica, impulsionado pela crescente demanda por soluções tecnológicas que garantam proteção patrimonial e pessoal

Foto/Freepik
Conforme dados da Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança (Abese), o setor de segurança eletrônica é um dos que mais cresce no país, com uma previsão de expansão contínua nos próximos anos, o segmento encerrou 2023 com um faturamento de mais de R$ 12 bilhões.
E a oferta de empregos no setor tem seguido essa tendência de crescimento. Composto por mais de 33,5 mil empresas, responsáveis por mais de 1 milhão de empregos diretos e mais de 3 milhões de empregos indiretos, segundo dados da Abese, houve um aumento significativo no número de vagas nos últimos três anos.
As áreas que possuem uma maior necessidade de profissionais são aquelas ligadas à instalação e manutenção de sistemas, bem como à análise de cibersegurança. Regiões metropolitanas, como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, concentram a maior parte das oportunidades, refletindo a maior demanda por soluções de segurança nessas áreas urbanas.
“A segurança eletrônica no Brasil abrange uma ampla gama de soluções, incluindo videomonitoramento, alarmes, controle de acesso, detecção de incêndio e portarias remotas. A adoção dessas tecnologias tem crescido significativamente, especialmente em resposta à percepção de insegurança, com o Brasil sendo classificado como o 11º país mais inseguro do mundo. A pandemia de Covid-19 também intensificou a procura por tecnologias avançadas, como reconhecimento facial e câmeras térmicas, que registraram aumento de mais de 40% na comercialização”, ressalta o diretor de Novos Negócios da Veolink, Rogério Custódio.
Esse crescimento do mercado reflete não apenas a necessidade de segurança, mas também a modernização do setor, com a integração de tecnologias como inteligência artificial (IA), Internet das Coisas (IoT) e machine learning. Essas inovações têm transformado as funções dos profissionais, exigindo maior capacitação técnica e analítica.
Mas, afinal, como o Brasil se posiciona em relação aos profissionais dessa área? O país conta com bons profissionais de segurança eletrônica? O país possui um contingente significativo de profissionais na área de segurança eletrônica, com destaque para funções como instaladores, operadores de monitoramento, gestores de segurança e técnicos de manutenção.
A qualidade desses profissionais é reconhecida, mas enfrenta desafios relacionados à formação e à adaptação às novas tecnologias.
Adaptabilidade e criatividade na segurança eletrônica
Os profissionais brasileiros são frequentemente elogiados por sua versatilidade e capacidade de lidar com desafios variados. Essa característica é especialmente valiosa em um setor dinâmico como o de segurança eletrônica, onde soluções criativas são necessárias para enfrentar ameaças em constante evolução.
O País também possui uma oferta considerável de cursos de formação e certificações em segurança patrimonial, CFTV (Circuito Fechado de Televisão) e monitoramento de alarmes. A transição para tecnologias como portarias remotas tem incentivado a requalificação de profissionais.
Segundo a Abese, 34,5% das empresas que atuam com portaria remota requalificam porteiros para funções como operadores remotos e assistentes de manutenção, demonstrando um esforço para adaptar a mão de obra às novas demandas do mercado.
E quais são os desafios?
Apesar da quantidade de profissionais, há uma carência de especialistas com habilidades avançadas em tecnologias emergentes, como IA e análise de dados. A complexidade dos novos sistemas exige que os profissionais desenvolvam competências analíticas e de gestão estratégica, o que nem sempre é atendido pela formação tradicional.
“A informalidade no setor prejudica a valorização dos profissionais qualificados. Empresas clandestinas oferecem serviços a preços mais baixos, muitas vezes sem a devida capacitação, o que compromete a qualidade do serviço e a imagem do setor. Por isso, é fundamental que as empresas tenham know-how para estar neste mercado que não aceita amadorismo”, enfatiza Rogério.
Com o avanço tecnológico, o perfil do profissional de segurança eletrônica está mudando. Segundo a Avantia, as quatro habilidades principais esperadas no futuro incluem:
- Conhecimento técnico avançado com domínio de tecnologias como IA, machine learning e IoT para operar sistemas complexos;
- Habilidade para analisar dados captados por sistemas de monitoramento e direcioná-los estrategicamente;
- Entendimento da Lei Geral de Proteção de Dados para garantir que os processos de monitoramento respeitem a legislação;
- Competências para planejar sistemas de segurança e liderar equipes, especialmente em cargos de gestão.
“Além disso, a certificação em áreas específicas, como segurança patrimonial e CFTV, é cada vez mais valorizada, assim como o conhecimento em informática e a capacidade de se comunicar eficazmente com outros setores da empresa”, finaliza Rogério Custódio.