- Bem-estar
- agosto 8, 2025
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Câncer colorretal: prevenção, diagnóstico precoce e o legado de Preta Gil
Médico especialista aborda as principais questões a respeito deste problema de saúde pública

Fábio Lopes Queiroz (*)
Na última semana, o Brasil se despediu da artista Preta Gil, após acompanhar sua corajosa luta contra o câncer de reto. O câncer do cólon e do reto — também conhecido como câncer colorretal ou do intestino grosso — representa um sério problema de saúde pública. Trata-se da quarta principal causa de morte por câncer no Brasil.
Anualmente, são diagnosticados cerca de 1,9 milhão de novos casos de câncer colorretal no mundo, com aproximadamente 935 mil mortes atribuídas à doença. Estima-se que, até 2040, o número de novos casos possa chegar a 3,2 milhões. No Brasil, é o segundo tipo mais comum em homens e mulheres, atrás apenas do câncer de próstata e do câncer de mama, com estimativa de 45.630 novos casos por ano no triênio 2023–2025.
Um dado preocupante é o aumento expressivo da incidência em pessoas com menos de 50 anos, contrariando a crença de que se trata de uma doença que afeta apenas os mais velhos. O crescimento do número de casos está intimamente ligado aos hábitos da vida moderna e é mais comum em países industrializados, especialmente nas regiões Sul e Sudeste do Brasil. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), os principais fatores de risco incluem idade acima de 50 anos, sedentarismo, obesidade, consumo excessivo de álcool e tabaco, má alimentação e histórico familiar da doença. A boa notícia é que o câncer colorretal é altamente prevenível com medidas relativamente simples e eficazes.
A prevenção primária consiste na adoção de um estilo de vida mais saudável: redução do consumo de gorduras e carnes vermelhas, evitar alimentos ultraprocessados e embutidos como presunto, salsichas, linguiças e defumados, bem como bebidas açucaradas industrializadas (soft-drinks). É fundamental aumentar a ingestão de fibras por meio de frutas, verduras e legumes, praticar atividade física regular, evitar o consumo de álcool e abandonar o tabagismo.
Já a prevenção secundária se baseia na detecção precoce de lesões, como os pólipos, que são alterações benignas da mucosa intestinal, mas que podem evoluir para câncer se não forem removidos. Para isso, exames como a pesquisa de sangue oculto nas fezes e, principalmente, a colonoscopia são fundamentais.
Esse último permite identificar e remover pólipos antes que se tornem malignos, prevenindo de forma direta o surgimento do câncer.
As sociedades médicas recomendam que a prevenção com colonoscopia seja iniciada aos 45 anos de idade para toda a população, independentemente do sexo. Para pessoas com histórico familiar de câncer colorretal, o ideal é começar aos 40 anos ou 10 anos antes da idade em que o parente mais jovem foi diagnosticado. Em casos especiais, como portadores de síndromes genéticas ou doenças inflamatórias intestinais, a conduta deve ser individualizada e definida por um especialista, preferencialmente um coloproctologista.
Preta Gil nos deixou um enorme legado artístico, marcado por autenticidade, irreverência e talento. Mas deixa uma contribuição inestimável à saúde pública, ao usar sua visibilidade para conscientizar milhares de pessoas sobre a importância do diagnóstico precoce e da prevenção do câncer de intestino. Sua coragem ao enfrentar a doença de forma pública e aberta certamente salvará muitas vidas.
(*) Especial para o CIDADE CONECTA