- Atualidades
- agosto 25, 2025
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Estudo inovador da Rede Mater Dei é publicado na revista Nature
Pesquisa aborda técnica menos invasiva e mais segura de artrocentese, que reduz dor orofacial e processos degenerativos na articulação temporomandibular por meio de uma “lavagem”

Um estudo realizado no Centro de Dor Orofacial da Rede Mater Dei de Saúde, em Belo Horizonte, foi publicado na renomada revista científica Nature
Foto/Divulgação Rede Mater Dei
Um estudo realizado no Centro de Dor Orofacial da Rede Mater Dei de Saúde, em Belo Horizonte, foi publicado na renomada revista científica Nature. O artigo discorre sobre um procedimento aplicado em 22 pacientes da rede, para reduzir a dor na articulação temporomandibular (ATM), por meio de uma técnica inovadora e menos invasiva.
Os resultados foram positivos, com registro de melhoras significativas na dor, abertura da boca e até mesmo na recuperação do desgaste ósseo em pacientes com problemas avançados na ATM.
Cerca de 10 milhões de brasileiros sofrem com disfunções na ATM, de acordo com o Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial. Conhecidos como DTM (disfunções temporomandibulares), esses problemas que afetam a articulação e os músculos responsáveis pela mastigação, como desgastes e doenças articulares degenerativas, podem causar dor, dificuldade para abrir a boca e até mesmo estalos ou rangidos na articulação.
Nesses casos, é comum que o paciente seja submetido a um procedimento chamado artrocentese, que consiste na lavagem do ambiente interno da articulação, a fim de aliviar inflamações, dores e inchaço.
O método desenvolvido pelos pesquisadores possibilita o acesso – antes inacessível em ambiente ambulatorial – aos compartimentos superior e inferior da ATM, mediante a utilização de marcos anatômicos precisos, referenciados pela equipe.
A técnica inova também ao utilizar instrumentos especiais, agulha e cânula de forma concêntrica, que possibilita que o cirurgião use apenas um ponto de entrada para cada compartimento da articulação, tornando o processo mais simples, seguro e menos invasivo.
Além disso, a lavagem da articulação é somada a outras duas técnicas, a depender do nível de desgaste da ATM: a viscossuplementação (VS), que atua como um “lubrificante e nutriente” para a articulação, feita com ácido hialurônico, e a injeção de ortobiológicos (OB), “remédios biológicos” que ajudam na reparação dos tecidos.
O uso de ultrassonografia aprimorou a segurança e eficácia do procedimento, checando o posicionamento da agulha e cânula e minimizando riscos de lesões. 22 pacientes (que tinham problemas nas duas ATMs, totalizando 44 articulações) foram acompanhados por cerca de um ano, e o resultado foi positivo: todos os pacientes tiveram uma melhora significativa na dor, chegando a zero após o tratamento, e também houve melhora na amplitude de abertura bucal e na reparação óssea, com redução nos estágios de desgaste da ATM.
Porém, os autores do estudo ressaltam a importância de estudos futuros com amostras maiores e grupos de controle para confirmar a aplicabilidade e a eficácia a longo prazo.
“O grande diferencial dessa técnica é o reparo estrutural dos componentes anatômicos comprometidos pela doença degenerativa, além de uma menor morbidade e a rápida recuperação do paciente, melhorando de forma relevante sua qualidade de vida”, afirma o cirurgião-dentista, responsável pelo centro de Dor Orofacial e Disfunção Temporomandibular do Hospital Mater Dei e autor principal do estudo, Dr. Eduardo Januzzi.