Artigo: Capacitar 50+ é aprender, reaprender e se reinventar

Artigo: Capacitar 50+ é aprender, reaprender e se reinventar

O desafio continua grande, pois o preconceito etário e as lacunas tecnológicas formam barreiras reais, que muitas vezes impedem a valorização de talentos

Projeto Capacitar 50 Mais
Projeto Capacitar 50+ é sobre devolver protagonismo e abrir caminhos para que os participantes possam se recolocar ou até se reinventar profissionalmente (Fotos: Bruna Custódio)

 

Rosana Aguiar (*)

Marili Lima, de 58 anos, está em busca de recolocação profissional desde outubro de 2024. Ela é analista financeira, com sólida experiência em B2B, entre outras expertises, e reconhece que a idade ainda é uma barreira no mercado de trabalho. Sabe que é preciso se capacitar.

“Acredito que, quando as organizações ampliarem esse olhar, poderão perceber o quanto nós, 50+, podemos fazer a diferença e agregar valor em qualquer ambiente profissional”, acredita.

Enquanto a oportunidade não chega, Marili segue em constante evolução profissional, buscando capacitação e se mantendo atualizada para estar preparada para os desafios do mercado.

“Por meio do Capacitar 50+, iniciativa realizada pelo Instituto Marina & Flávio Guimarães, com patrocínio do Grupo Bmg e em parceria com a Mais Vívida, vivi uma experiência simplesmente transformadora. Foram dias de aprendizado, troca de vivências, inspiração e fortalecimento, que mostraram que nunca é tarde para reinventar-se, aprender novas habilidades e construir novas oportunidades. Cada momento foi conduzido com muito carinho e profissionalismo por pessoas incríveis que marcaram a minha jornada”, ressalta.

Para Marili Lima, a porta que se abriu para adquirir mais conhecimento a fez ter uma certeza: “A idade não limita, ela potencializa. Esse curso me mostrou que o futuro pode e deve ser vivido com propósito, coragem e brilho nos olhos. Hoje sou ainda mais motivada a seguir buscando, aprendendo e construindo. Porque o 50+ é só o começo de uma nova história”.

A história de Marili Lima não é exceção, mas o retrato de milhares de brasileiros que têm muito a oferecer e ainda lutam contra o preconceito etário.

 

Projeto Capacitar 50 Mais
A analista financeira Marili Lima (diploma em mãos), de 58 anos, está em busca de recolocação e, enquanto a oportunidade não chega, ela permanece em constante atualização

 

Esse contingente não é pequeno. O Brasil já conta com 1,4 milhão de pessoas acima de 50 anos em busca de recolocação, e em apenas 15 anos o número de trabalhadores desse grupo etário dobrou. Isso não é apenas um dado demográfico: é um alerta para que empresas e sociedade entendam que a economia do futuro será necessariamente intergeracional.

O desafio, no entanto, ainda é grande. O preconceito etário e as lacunas tecnológicas formam barreiras reais, que muitas vezes impedem a valorização desse talento. Ocorre que essas barreiras não se sustentam diante da disposição desses profissionais para aprender, reaprender e se reinventar. Quando recebem apoio, mostram-se altamente adaptáveis, comprometidos e prontos para agregar perspectivas que só a experiência é capaz de oferecer.

É nesse ponto que a capacitação se torna decisiva. Atualizar competências técnicas, desenvolver novas habilidades e criar pontes com as demandas atuais do mercado são movimentos que transformam esse profissional em um ativo estratégico.

No Instituto Marina e Flávio Guimarães, do Grupo Bmg, temos investido nessa crença por meio do projeto Capacitar 50+, realizado em parceria com a Mais Vívida. A iniciativa oferece cursos que combinam conteúdos práticos, como técnicas de vendas, atendimento, marketing pessoal e serviços financeiros, além de reflexões sobre tendências de consumo, especialmente voltadas ao público 60+. Trata-se de devolver protagonismo e abrir caminhos para que os participantes possam se recolocar ou até se reinventar profissionalmente.

Os resultados já mostram o poder dessa integração. Profissionais maduros oferecem qualidades que o mercado valoriza cada vez mais: maturidade para lidar com situações complexas, empatia para compreender clientes diversos, comunicação clara, foco em resultados, lealdade e baixo turnover. São atributos que, quando somados a novos aprendizados técnicos, formam uma combinação rara e de alto impacto em qualquer segmento da economia.

Mais do que inclusão, a reinserção dos 50+ deve ser vista como uma estratégia de competitividade nacional. Num país que envelhece rapidamente, ignorar esse contingente é desperdiçar talento, experiência e potencial de crescimento econômico. Cabe a todos nós, institutos, empresas e sociedade, criar as condições para que essa frase se torne realidade para milhões de brasileiros.

(*) Diretora executiva do IMFG – Instituto Marina & Flávio Guimarães, especial para o CIDADE CONECTA