- Bem-estar
- outubro 17, 2025
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Saúde: Alzheimer em pessoas mais jovens exige diagnóstico rápido
Neurologista alerta que sintomas em adultos antes dos 65 anos podem ser confundidos com estresse ou desatenção, atrasando o início do tratamento

Foto/Freepik
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 55 milhões de pessoas vivem com algum tipo de demência, sendo a doença de Alzheimer a mais comum, atingindo sete em cada 10 indivíduos no mundo.
Com o envelhecimento da população, os números preocupam: a Alzheimer’s Disease International projeta que os casos globais podem chegar a 74,7 milhões em 2030 e 131,5 milhões em 2050.
No Brasil, o Ministério da Saúde aponta que aproximadamente 1,2 milhão de pessoas têm Alzheimer, com cerca de 100 mil novos casos diagnosticados anualmente. Entre eles, um grupo específico chama atenção: os pacientes jovens, que desenvolvem a doença antes dos 65 anos.
Segundo a neurologista Bianca Mazzoni, professora do curso de Medicina do Centro Universitário UniBH, o Alzheimer de início precoce pode surgir entre os 30 e 65 anos, sendo mais frequente à medida que o paciente se aproxima dos 65 anos. “A incidência estimada entre 45 e 64 anos é de 6,3 a cada 100 mil pessoas por ano, com uma prevalência de 24,2 a cada 100 mil. Então, não é algo muito comum”, afirma.
Dra. Bianca explica ainda que o Alzheimer precoce apresenta alterações cognitivas diferentes das vistas em pacientes idosos, afetando frequentemente linguagem, comportamento e função executiva.
“Alguns pacientes podem ter manifestações motoras, mioclonias (contrações musculares rápidas, breves e involuntárias, semelhantes a espasmos), e até crises epilépticas. Além disso, a evolução costuma ser mais rápida, com progressão para dependência maior e até óbito”, diz.
A genética também desempenha papel relevante no diagnóstico: cerca de 10% dos pacientes jovens apresentam mutações em genes específicos associados à doença, configurando o chamado Alzheimer familiar autossômico dominante. “Nos jovens, temos uma relação genética mais forte do que nos pacientes idosos, que muitas vezes possuem fatores genéticos diversos e ambientais”, acrescenta.
Mazzoni revela ainda que os primeiros indícios em adultos jovens podem incluir alterações de linguagem, com dificuldade de nomear objetos e formar frases; mudanças comportamentais; dificuldades executivas, marcadas pela incapacidade de realizar tarefas anteriormente simples; déficit de memória, principalmente na formação de novas lembranças; e manifestações atípicas, como movimentos involuntários ou problemas motores.
“É importante, porém, diferenciar lapsos de memória comuns, muitas vezes ligados à desatenção ou excesso de estímulos do dia a dia, de sinais que merecem investigação médica, especialmente quando familiares ou colegas percebem alterações”, alerta.
Saúde exige diagnóstico, exames e tratamento
O diagnóstico da doença, conforme aponta Bianca, envolve descartar causas reversíveis e condições que possam se assemelhar ou camuflar o Alzheimer, como deficiências vitamínicas, alterações metabólicas, infecções (como sífilis ou HIV) e doenças estruturais ou inflamatórias do cérebro.
Exames de imagem, como a ressonância magnética, e exames laboratoriais são fundamentais para uma confirmação precisa. “Em casos específicos, exames avançados, como PET para avaliação de proteína TAU e biomarcadores no líquor (beta-amiloide e proteína TAU), além de testes genéticos, podem ajudar no diagnóstico e no aconselhamento familiar.”
Por fim, a neurologista destaca que embora o principal fator de risco no Alzheimer precoce seja o genético, a prevenção pode ser eficaz por meio de medidas voltadas ao controle de fatores cardiovasculares e da prática regular de atividade física, que têm se mostrado mais eficaz do que qualquer medicamento.
“Evitar hipertensão, diabetes não controlado e manter um acompanhamento de saúde constante é fundamental. A atividade física regular – vale reforçar – é a intervenção com evidência científica mais consistente para prevenção”, finaliza.