Entrevista: Educação que transforma 

Entrevista: Educação que transforma 

Especialista da gestão educacional, fala sobre as mudanças atuais na área do ensino

Rita Guedes
Rita Guedes: “É fundamental que o professor seja um mediador do conhecimento, um curador de conteúdo e, principalmente, um inspirador”
(Foto: Arquivo Pessoal)

 

Rita Guedes é atualmente diretora da Afya Faculdade de Ciências Médicas de Contagem, mestre e doutora pela UFMG, possui mais de 13 anos de experiência na área de gestão educacional em instituições de ensino superior de grande porte com atuação nacional. Ao longo de sua carreira, atuou em cargos de gestão, acumulando experiência em planejamento acadêmico, integração curricular, desenvolvimento de metodologias de ensino e formação docente. Nesta entrevista ao CIDADE CONECTA, Rita Guedes aborda o atual momento da educação e as novas realidades que impõem mudanças dos gestores.  

O que você observa sobre o atual momento da educação? 

A educação vive um momento de profunda e acelerada transformação. Se antes o modelo tradicional de ensino, focado na aprendizagem passiva e centrada no professor, reinou soberano, hoje nos deparamos com um cenário que exige de nós, educadores e gestores, uma visão muito mais ampla, integrada e, acima de tudo, humana. Ignorar essa realidade é fechar os olhos para o futuro. 

Com sua experiência, quais são as mudanças mais notáveis que você tem testemunhado na área? 

Com mais de quinze anos de experiência em coordenação e direção de unidades de graduação, testemunho diariamente as mudanças no perfil dos estudantes, nas ferramentas educativas e nas competências exigidas pelo mundo do trabalho. As novas Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), que se tornaram uma extensão de nossas vidas, alteraram o processo de ensino-aprendizagem e a forma como os jovens interagem com o mundo. 

Quais desafios essa nova realidade impõe aos educadores e gestores? 

Os desafios são múltiplos e complexos, demandando uma preparação contínua e um olhar sensível para as novas realidades que invadem nossas salas de aula e corredores. Precisamos ir além do simples uso de dispositivos, criando um ecossistema educacional integrado, no qual professores, alunos e gestores estejam interligados por meio de plataformas digitais, tornando o aprendizado mais dinâmico, interativo e alinhado à linguagem dessa nova geração. 

Essa nova era exige uma transformação no papel do professor. Como você enxerga essa evolução? 

A preparação dos educadores para essa nova era vai além do domínio tecnológico. É fundamental que o professor seja um mediador do conhecimento, um curador de conteúdo e, principalmente, um inspirador. A capacidade de estimular o pensamento crítico, a criatividade e a resolução de problemas complexos tornam-se mais valiosa do que simplesmente deter a informação, que hoje está ao alcance de todos. Isso exige uma formação continuada, que não apenas atualize o professor em sua área de especialidade, mas que também o capacite em metodologias ativas de ensino e na gestão de uma sala de aula cada vez mais diversa. 

E na gestão educacional, o que muda? 

O papel do coordenador, do diretor, de quem está à frente do processo, não pode se restringir a questões burocráticas e administrativas. É nossa responsabilidade fomentar uma cultura de inovação, de colaboração e de acolhimento. 

Existem exemplos práticos dessas mudanças no ambiente acadêmico? 

As mudanças também se refletem em ações concretas dentro do ambiente acadêmico. No campo da Medicina, por exemplo, iniciativas como a plataforma Afya Play complementam a formação do estudante, por meio de uma experiência de aprendizagem mais acessível, interativa e personalizada, que não substitui o papel do professor, mas o potencializa. Como nunca, universidades vêm investindo grandes verbas em produção de softwares e sistemas próprios de ensino e aprendizagem, que complementam o ensino da sala de aula. 

E qual é o resultado dessas transformações nas possibilidades didáticas e no papel do estudante? 

O que vemos é a ampliação de possibilidades didáticas, capazes de atender à diversidade de estilos de aprendizagem e às demandas de um mundo em constante transformação. O estudante, por sua vez, passa a ocupar um lugar mais ativo no processo, assumindo responsabilidade pelo próprio percurso formativo.

Para concluir, qual é o caminho para a educação que desejamos? 

A educação que desejamos necessita de mudanças. Para isso, professores, coordenadores e diretores precisam estar em sintonia, compartilhando do mesmo propósito e munidos de um olhar atento e humano. Um olhar que enxergue além do conteúdo programático, que veja em cada aluno um universo de potencialidades e que compreenda a educação como a mais poderosa ferramenta de transformação social.