- Bem-estar
- novembro 18, 2025
- 6 minutos
Novembro Azul reforça necessidade de diagnóstico precoce
Campanha chama atenção para a importância dos exames preventivos e para o combate ao preconceito que ainda afasta muitos homens do consultório

Com a chegada do Novembro Azul, o debate sobre o câncer de próstata volta a ganhar destaque. Mesmo sendo uma das doenças que mais afetam os homens, o tema ainda é cercado por silêncio, desinformação e preconceitos que dificultam o cuidado com a própria saúde.
A Rede Mater Dei reforça, neste mês de prevenção, a importância do diagnóstico precoce e da atenção contínua ao tema. O tumor, muitas vezes silencioso, pode provocar dores, dificuldades ao urinar e, em casos graves, comprometer o funcionamento de outros órgãos. O especialista em urologia da Rede Mater Dei, médico Renato Corradi, alerta que a prevenção não deve se limitar ao mês de novembro, mas fazer parte da rotina de cuidados ao longo de toda a vida.
Prevenção necessária
Os exames de rastreamento são fundamentais para identificar o câncer de próstata em sua fase inicial. O médico Renato Corradi destaca que o toque retal e o PSA (antígeno prostático específico) são complementares e devem ser realizados em conjunto.
“Não existe exame mais eficiente isoladamente. Ambos devem ser realizados de forma complementar”, afirma.
O urologista da Rede Mater Dei, médico Guilherme Valente, explica que o PSA mede uma proteína presente no sangue, que pode estar elevada por motivos diversos, nem sempre malignos.
“O toque retal avalia diretamente o tamanho, a consistência e possíveis nódulos suspeitos. São exames que se completam”, relata.
Mesmo com PSA dentro da normalidade, cerca de 20% dos tumores só são identificados pelo toque retal.
“A avaliação ideal combina os dois exames, considerando idade, histórico familiar e fatores de risco individuais”, conclui.
Preconceito ainda afasta homens do consultório
Além da doença, outra barreira desafia os especialistas: o preconceito associado ao toque retal. Um estudo do Hospital de Câncer A. C. Camargo, em parceria com a Nexus, indica que três em cada dez homens nunca realizaram e não pretendem realizar o exame. O dado reforça a necessidade de conscientização contínua, já que 44% dos homens desconhecem as formas de prevenção do câncer que matou 17.587 brasileiros somente em 2024.
“Muitos homens ainda associam o exame ao constrangimento ou a uma ameaça à masculinidade. Nosso papel é trazer naturalidade e informação”, destaca o médico Guilherme Valente, ressaltando a importância das campanhas de conscientização.
Ele também reforça que mulheres trans e travestis com próstata precisam de acompanhamento adequado.
“O câncer de próstata não apresenta sinais nas fases iniciais. Prevenir é sempre melhor do que tratar. A conversa com o médico deve ser natural, assim como ir ao dentista ou cardiologista. E esse cuidado deve acontecer em um ambiente acolhedor e livre de tabus”, afirma.
Segundo o médico Guilherme Valente, pessoas com próstata devem consultar um urologista anualmente a partir dos 45 anos, ou a partir dos 40 anos no caso de histórico familiar da doença.