- Cultura
- novembro 22, 2025
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Ouro Preto recebe festival que enaltece o samba-canção
V Festival & Movimento com o espetáculo “Paixão Brasileira, a música do samba-canção” acontece no dia 29 de novembro, em Ouro Preto

Ouro Preto recebe, no próximo sábado (29), às 20h30, o espetáculo “Paixão Brasileira – A Música do Samba-Canção”, que acontece na Saramenha Artes & Ofícios. A apresentação traz uma imersão na história e na poesia do samba-canção, gênero consagrado nas décadas de 1940 e 1950.
Com concepção e direção de Paulo Rogério Lage, o espetáculo reúne músicos de destaque: Luadson Constâncio (piano), João Paulo Avelar (baixo), Gegê Mendes (bateria), Maíra Manga (voz) e Egídio Oliveira (voz e violão).
O cenário e a iluminação são de Pedro Pederneiras com Bob Tostes na assistência de direção, textos e narração, o figurino é de Liana Fernandes, a produção executiva é de Sérgio Amaral e a gerência de projeto é de Sérgio Rafael do Carmo. Juntos, eles recriam a atmosfera que marcou uma das fases mais sensíveis e elegantes da música popular brasileira.
Paulo Rogério Lage explica que o projeto nasce de uma memória afetiva ligada ao universo do samba-canção e de uma homenagem ao irmão Silvério, que cresceu ouvindo e cantando clássicos do gênero.
“O samba-canção foi muito popular nas décadas de 40 e 50, a geração dos meus irmãos e primos. As músicas falavam de amor, quase sempre um amor perdido, de um jeito muito bonito e melancólico. São canções belíssimas que, apesar de estarem um pouco esquecidas, permanecem no inconsciente coletivo brasileiro”, afirma.
Ele relembra também a influência dessas músicas na própria formação musical: “Era o som que vazava dentro de casa, nos saraus em família e no rádio. Isso inspirou o nome do espetáculo, Paixão Brasileira, porque o tema do amor sempre esteve presente.”
Contexto histórico e força cultural
O espetáculo revisita o período pós-fechamento dos cassinos, em 1946, quando músicos migraram para as boates de Copacabana e consolidaram o samba-canção como um estilo intimista, mais lento e profundamente emocional.
A abertura da apresentação, ao som de Dorival Caymmi, transporta o público ao Ride Janeiro dos anos 1940/1950, então centro político e cultural do país.
Autores e intérpretes como Tom Jobim, Cartola, Caymmi, Dolores Duran, Ary Barroso, Lupicínio Rodrigues, Maysa, Orlando Silva e Tito Madi, estão entre os grandes nomes celebrados na apresentação, que busca resgatar um repertório fundamental para a construção da identidade musical brasileira.
Inspirado pela infância entre olarias e pelas memórias afetivas de Tracunhaém, no Pernambuco, e do Vale do Jequitinhonha, Paulo Rogério fundou a Saramenha Artes & Ofícios como um refúgio para a criação artística enraizada nas tradições brasileiras.
O espaço se tornou um centro cultural vivo, onde se ensina, se experimenta e se celebra a arte popular — da cerâmica aos painéis de azulejos, da música aos livros.