- Artigo
- novembro 28, 2025
- 5 minutos
A força das trocas que aproximam gerações
Executivo aborda a experiência transformadora no Programa Sabedoria Ativa do Instituto Marina e Flávio Guimarães

Eduardo Fiorucci Vieira (*)
A primeira experiência como mentor costuma carregar descobertas, mas, para mim, ela foi além: tornou-se uma jornada profundamente transformadora. Ao assumir esse papel no Programa Sabedoria Ativa – iniciativa do Instituto Marina e Flávio Guimarães (IMFG), instituição social do Grupo Bmg, e o Instituto Joule – percebi rapidamente que a mentoria vai muito além de orientar tecnicamente.
Trata-se de criar vínculos, exercitar a escuta ativa e construir um espaço de confiança onde duas trajetórias distintas se encontram para aprender juntas. Cada conversa mostrava que, quando nos abrimos para a troca, crescemos tanto quanto aqueles que estamos acompanhando.
Resolvi participar da primeira edição do Sabedoria Ativa com a expectativa de contribuir com profissionais 50+, oferecendo vivências que pudessem fortalecer suas escolhas e ampliar horizontes. No entanto, logo compreendi que o valor dessa convivência estava justamente na soma das nossas perspectivas.
Há uma riqueza imensa nas histórias de quem já atravessou diferentes ciclos econômicos, tecnológicos e sociais. Ouvir trajetórias marcadas por resiliência, reinvenção e coragem é inspirador e provoca reflexões que muitas vezes passam despercebidas no ritmo acelerado do mercado.
Entre os vários momentos marcantes, um se tornou simbólico: a decisão da minha mentorada de retomar o contato com antigos clientes como estratégia de geração de negócios. Ela buscou três, conversou com autenticidade e conseguiu fechar um novo contrato.
O episódio reforçou algo simples, mas poderoso: muitas oportunidades estão em relações já cultivadas e olhar para trás pode ser o primeiro passo para avançar com mais segurança.
Essa vivência também revelou aprendizados essenciais: a persistência de quem já enfrentou inúmeras transformações, a capacidade de adaptação construída ao longo dos anos e a serenidade para tomar decisões com base em experiência real.
Essas competências dialogam de forma natural com aquilo que as gerações mais jovens oferecem, como inovação, rapidez, criatividade e domínio tecnológico. Quando esses talentos se unem, o ambiente de trabalho ganha densidade, equilíbrio e capacidade ampliada de resolver problemas.
Ao mesmo tempo, acredito que os jovens têm muito a absorver dos profissionais 50+. A lealdade, a paciência estratégica, o respeito às relações e a valorização do longo prazo são pilares que sustentam carreiras duradouras. E, na direção contrária, os mais experientes se beneficiam do olhar fresco, da energia e da abertura às novas tendências trazidas pelas gerações mais novas.
Se eu tivesse que traduzir essa jornada em uma frase, diria que determinação, adaptação e persistência são qualidades universais, independem da idade e definem quem continua evoluindo.
Por isso, deixo um convite às empresas e lideranças: incentivem e valorizem as trocas intergeracionais. A diversidade de ideias e vivências que nasce desse encontro é um ativo estratégico, capaz de impulsionar inovação, fortalecer culturas internas e gerar resultados mais humanos e sustentáveis. Quando diferentes gerações trabalham juntas, todos ganham: as pessoas, as equipes e o mercado.
*Eduardo Fiorucci Vieira é superintendente Jurídico do Banco Bmg