• Turismo
  • dezembro 22, 2025
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Açores: Um arquipélago histórico no coração do Atlântico

Açores: Um arquipélago histórico no coração do Atlântico

Nove ilhas vulcânicas repletas de natureza, história e sabores, um destino imperdível para viajantes de todos os estilos

Açores, viagem inesquecível a Portugal
Ilha de São Miguel é uma das regiões mais visitadas pelos turistas que viajam a Açores, arquipélago pertencente a Portugal (Fotos: Cláudio Motta)

 

Luís Otávio Pires (*)

Situado a cerca de 1 500 quilômetros da costa de Portugal, no meio do Oceano Atlântico, o arquipélago dos Açores pertence a Portugal e forma uma região autônoma marcada por belas paisagens e cultura singular. Descobertas pelos navegadores portugueses no século 15, as ilhas tornaram-se pontos estratégicos para a navegação entre Europa, África e América, pois influenciavam rotas comerciais e o desenvolvimento do Atlântico Norte ao longo dos séculos.

Composta por nove ilhas principais divididas em três grupos — Oriental (São Miguel e Santa Maria), Central (Terceira, Graciosa, São Jorge, Pico e Faial) e Ocidental (Flores e Corvo) — a região combina história, tradições locais e cenários naturais de tirar o fôlego.

O clima dos Açores é temperado oceânico, com temperaturas amenas durante o ano inteiro — verões frescos e invernos suaves —, além de chuvas frequentes e mudanças rápidas de tempo. Este clima singular favorece a vegetação exuberante, campos verdes, hortênsias soltas por encostas e solos ricos em minerais que moldaram crateras vulcânicas, lagos de tonalidades impressionantes e fontes termais naturais.

 

 

As ilhas de Açores e suas atrações

São Miguel: a maior ilha e principal porta de entrada ao arquipélago, famosa pelos lagos Sete Cidades, Furnas com suas caldeiras termais e pelo Terra Nostra Park, um jardim botânico com piscinas termais centenárias.

Terceira: repleta de história, com a cidade Angra do Heroísmo, Patrimônio Mundial da Unesco, onde igrejas seculares, fortalezas e museus como o Museu de Angra do Heroísmo contam a saga do arquipélago.

Pico: domina o horizonte com seu vulcão icônico — o ponto mais alto de Portugal — e seus vinhedos classificados como Patrimônio Mundial.

Faial: conhecida como a “Ilha Azul” pelas hortênsias em flor, abriga a animada marina de Horta e o impressionante vulcão Capelinhos.

São Jorge, Santa Maria, Graciosa, Flores e Corvo completam o mosaico das ilhas, cada qual com belezas únicas, de fajãs e cachoeiras a praias de areia preta e vilarejos pitorescos.

 

Duas vezes capital

Uma atração singular nos Açores é Angra do Heroísmo, na Ilha Terceira, onde nem mesmo alguns portugueses a conhece. Ocupa um lugar honroso na história de Portugal por ter sido, em dois momentos decisivos, a capital do Reino, e se afirmou como centro político, institucional e simbólico da resistência e da legitimidade do estado português.

A primeira vez ocorreu no contexto da Crise de Sucessão de 1580. Após a morte do rei D. Sebastião e, depois, do Cardeal D. Henrique, Portugal enfrentou a ameaça da perda da sua independência. Foi na então Ilha Terceira, com sede em Angra, que se organizou a resistência ao domínio filipino. Entre 1580 e 1583, Angra do Heroísmo tornou-se a capital do Portugal resistente, reconhecendo D. António, Prior do Crato, como rei. Nesse período, a cidade foi sede de governo, de decisões políticas e militares, simbolizando a defesa da soberania nacional e da autonomia portuguesa.

A segunda vez foi durante as Guerras Liberais, no século 19, quando, em 1830, serviu de sede ao governo liberal de D. Pedro IV – o nosso Pedro I, ele mesmo -, em oposição ao regime absolutista de D. Miguel. A partir de Angra partiram decisões estratégicas e políticas fundamentais para a restauração do constitucionalismo e das liberdades em Portugal. Como reconhecimento do seu papel histórico e da coragem do seu povo, a cidade recebeu o título de “do Heroísmo”, por decreto régio de 1837.

 

Açores e seus frutos do mar, queijos e cia.

A culinária açoriana é um convite ao paladar: do tradicional cozido das Furnas — preparado lentamente com calor vulcânico — às lapas grelhadas e frutos do mar frescos, cada ilha oferece pratos que contam sua história. Também merece destaque o queijo de São Jorge, um dos produtos regionais mais celebrados, e os vinhos únicos de Pico, moldados pelo solo vulcânico.

Não existem voos diretos do Aeroporto Internacional de Belo Horizonte (Confins – CNF) para os Açores. A forma mais comum é embarcar em voos com escala em Lisboa ou outras capitais europeias e, em seguida, seguir para a ilha de São Miguel (Ponta Delgada), o principal aeroporto dos Açores.

Atualmente, passagens aéreas de ida e volta com saídas de Confins para Ponta Delgada podem ser encontradas a partir de R$ 4.600 – R$ 5.900, conforme da época do ano e da antecedência da compra.

A temporada ideal para explorar os Açores vai de maio a outubro, quando o clima é mais estável, os dias são mais longos e as trilhas, mirantes e atividades ao ar livre — como observação de baleias — ganham ainda mais encanto.

Se você busca preços mais acessíveis e menos multidões, os meses de final de primavera (maio/junho) e início do outono (setembro) oferecem equilíbrio perfeito entre clima agradável e custos de viagem moderados.

 

 

(*) Com colaboração de Cláudio Motta, presidente da Casa dos Açores de Minas Gerais