Inclusão e convivência em espaço multissensorial de Belo Horizonte

Inclusão e convivência em espaço multissensorial de Belo Horizonte

Parque Girassol, dentro do Parque Municipal Américo Renné Giannetti, integra estímulos sensoriais ao cotidiano de crianças do espectro autista

Entrada do Parque Girassol, espaço multissensorial gratuito no Parque Municipal de Belo Horizonte: espaço de inclusão e convivência
Parque Girassol, espaço multissensorial gratuito no Parque Municipal de Belo Horizonte, voltado a crianças do espectro autista (Foto: Varanda Criativa / Divulgação)

 

Já funciona em Belo Horizonte o Parque Girassol, espaço multissensorial integrado ao Parque Municipal Américo Renné Giannetti. A iniciativa desenvolvida pela Ativa Inclusão é voltada especialmente para crianças do espectro autista, é totalmente gratuita e reúne elementos lúdicos e terapêuticos em um ambiente acessível e democrático, de inclusão e convivência.

O parque funciona de terça a sábado, das 7h às 21h, e aos domingos, das 7h às 17h, com entrada permitida até meia hora antes do fechamento.

O projeto nasceu com o objetivo de ampliar o acesso de crianças autistas e de pessoas com outras necessidades específicas, incluindo deficiências visual, auditiva e motora, a estímulos que contribuem para o aprendizado, o desenvolvimento da coordenação, a autonomia e a vivência sensorial ao ar livre. 

Segundo o diretor da Ativa Inclusão, Filipe Rosa, a proposta é romper barreiras históricas no acesso a esses estímulos.

 

“Nosso compromisso era criar um espaço onde crianças autistas pudessem se sentir incluídas, seguras e acolhidas. Ao levar para o ambiente público estímulos que antes estavam restritos às clínicas, promovemos saúde e reduzimos barreiras que ainda limitam o acesso das famílias a vivências fundamentais para o desenvolvimento e a socialização”, afirma.

 

Entre diversos recursos instalados estão plataformas de movimento, painéis sensoriais, rotas de equilíbrio e elementos de estímulos táteis.

 

 

Os equipamentos foram desenvolvidos por uma equipe multidisciplinar, formada por terapeutas ocupacionais, arquitetos, engenheiros, pais de crianças autistas e especialistas em acessibilidade. Eles podem ser utilizados de forma livre ou como apoio terapêutico, quando a atividade é conduzida por um profissional de terapia ocupacional. Todos os aparelhos contam ainda com QR Codes, que direcionam para tutoriais acessíveis com Libras, audiodescrição e legendas.

Para a terapeuta ocupacional Bárbara Moura, o espaço representa um avanço na relação entre saúde e cidade. 

 

“O Parque Girassol é a ponte entre o ambiente clínico e o espaço público, onde as adversidades ganham acolhimento, respeito e bem-estar”, destaca.

 

Um espaço de convivência e inclusão

Mais do que oferecer estímulos sensoriais, o Parque Girassol propõe um ambiente de convivência e integração. Aberto a todos, o espaço estimula interações naturais entre famílias típicas e atípicas, fortalecendo vínculos, o senso de comunidade e a convivência na diversidade.

A iniciativa, que ainda está em fase piloto, contou com um investimento de aproximadamente R$ 500 mil e recebeu apoio da Prefeitura de Belo Horizonte e da Fundação Municipal de Parques e Zoobotânica para a utilização do espaço. A manutenção diária ficará sob responsabilidade do município, enquanto a Ativa Inclusão oferecerá garantia técnica dos equipamentos no primeiro ano.

Há estudos para expandir o projeto para outras cidades brasileiras, por meio de parcerias públicas e privadas. A proposta é replicar um modelo que apoia o desenvolvimento e a saúde de crianças autistas, fortalece a convivência entre famílias e contribui para uma sociedade mais acolhedora.