- Velocidade
- janeiro 16, 2026
- 9 minutos
Ele não sai de moda: Fusca segue firme nas ruas e na memória dos brasileiros
No Dia Nacional, celebrado todo 20 de janeiro, o carro mais querido do Brasil se destaca pela manutenção simples, mecânica robusta e merece cuidados certos para se manter vivo

Luís Otávio Pires
Ele não precisa de telas digitais, assistentes virtuais ou motores silenciosos para chamar atenção. Basta aparecer na rua para arrancar sorrisos, memórias e histórias. No dia 20 de janeiro, data em que se celebra o Dia Nacional do Fusca, o modelo mais emblemático da Volkswagen reafirma seu lugar como um dos automóveis mais queridos e duradouros da história brasileira — um clássico que resiste ao tempo, às modas e às transformações do mercado.
Mesmo décadas após o fim de sua produção, o Fusca segue firme nas ruas. Dados do Denatran indicam que cerca de 2 milhões de unidades ainda circulam no Brasil. Isso comprova que, nem sempre, o novo é sinônimo de melhor. Simplicidade, economia e paixão continuam sendo os pilares que mantêm vivo o legado do “Besouro”.
A história do Fusca se confunde com a própria trajetória da Volkswagen no País. Em 1953, o modelo começou a ser montado em um galpão no bairro do Ipiranga, em São Paulo, equipado com motor de 1.200 cc³. A produção nacional ganhou escala a partir de 1959, na fábrica Anchieta, onde permaneceu em linha até 1986.
Durante todo esse período, o então chamado Volkswagen Sedan manteve características que se tornariam sua marca registrada: motor traseiro de quatro cilindros, refrigerado a ar, câmbio manual de quatro marchas e tração traseira. Ao longo dos anos, porém, o conjunto evoluiu.
Em 1967, o motor passou para 1.300 cc, com 45 cv brutos. Três anos depois, chegou a versão 1.500 cc, com 52 cv, acompanhada do aumento da bitola traseira — mudança que rendeu ao modelo o apelido de “Fuscão”. Já em 1974, o Fusca ganhou motor 1.600 cc, com dupla carburação e 65 cv, além de melhorias como para-brisa maior, novo sistema de ventilação interna, aumento da bitola dianteira e a introdução do pisca-alerta.
Ao longo das décadas, o Fusca recebeu uma série de aprimoramentos técnicos e visuais. Em 1977, foram introduzidos itens importantes de segurança e conforto, como a coluna de direção bipartida, o duplo circuito de freios independentes e o comando do limpador de para-brisa na coluna de direção. Dois anos depois, o modelo ganhou volante de polipropileno texturizado e as lanternas traseiras grandes e arredondadas, que ficaram conhecidas como “Fafá”.
Em 1983, vieram o aquecimento interno e a ignição eletrônica. Nesse mesmo ano, o nome Fusca passou a substituir oficialmente o Volkswagen Sedan. Em 1984, o modelo recebeu freios a disco na dianteira e passou a ser produzido apenas na versão 1.600, que, em 1985, também ganhou opção movida a etanol.
Além das mudanças técnicas, o Fusca teve diversas reestilizações e séries especiais ao longo da história, como a versão Prata, lançada em 1979.
A produção do Fusca foi interrompida em 1986, mas retomada em 1993, permanecendo em linha até 1996, a pedido do então presidente da República Itamar Franco. Ao longo de toda sua trajetória, o modelo superou a marca de 3,1 milhões de unidades vendidas no Brasil. Hoje, estima-se que cerca de 1,7 milhão de Fuscas ainda estejam em circulação – status de ícone nacional.
Manutenção do Fusca é simples: o segredo da longevidade
Parte do sucesso duradouro do Fusca está em sua manutenção descomplicada. O motor refrigerado a ar, o projeto robusto e a ampla oferta de peças tornam os reparos acessíveis. Permite que muitos proprietários realizem serviços básicos sem grandes custos.
A estética também contribui para o encanto do modelo. Mesmo utilizado no dia a dia, é possível manter o visual preservado com soluções modernas de pintura e conservação, sem comprometer o orçamento.
Pequenos cuidados fazem toda a diferença para garantir confiabilidade e economia: verificar níveis de óleo, apertar conexões e manter o carro limpo ajudam a evitar imprevistos e mantêm o Fusca rodando de forma tranquila.
Apesar da reconhecida robustez, o Fusca exige cuidados específicos, especialmente no sistema de ignição. Isso se torna ainda mais importante em veículos que rodam pouco ou permanecem longos períodos parados, condição comum entre carros clássicos.
Nessas situações, falhas de partida, desgaste prematuro e mau funcionamento podem surgir se a manutenção preventiva não for levada a sério.
Entre os principais cuidados recomendados estão:
- Utilizar velas de ignição corretas, respeitando as especificações originais da montadora, como grau térmico e aplicação adequada ao motor;
- Realizar inspeções periódicas das velas, mesmo em veículos com baixa quilometragem, observando sinais de desgaste, carbonização ou oxidação;
- Verificar o estado dos cabos de ignição, garantindo bom isolamento elétrico e evitando fuga de corrente;
- Inspecionar outros componentes do sistema, como platinado, rotor, bobina, diafragma do avanço a vácuo, avanço dinâmico e folga no eixo do distribuidor, que exigem regulagens precisas;
- Manter o sistema de ignição sempre bem regulado, favorecendo uma queima eficiente da mistura ar-combustível;
- Evitar o uso de componentes de procedência duvidosa, que podem comprometer o funcionamento do motor e a integridade de peças originais;
- Atentar para o envelhecimento do combustível, especialmente em veículos pouco utilizados, adotando procedimentos adequados quando o carro permanecer longos períodos parado.
Nos carros clássicos, a manutenção preventiva é fundamental para garantir partidas fáceis, funcionamento estável e preservação do motor. Em veículos carburados, a mistura mais rica tende a provocar maior carbonização das velas, exigindo mão de obra especializada na regulagem do sistema de alimentação.
Além das velas convencionais, hoje existem opções com metais nobres, como irídio e platina, que podem ser utilizadas em Fuscas, desde que respeitada a compatibilidade com o tipo de cabeçote — de rosca curta ou longa. Essas velas se destacam pelo eletrodo central mais fino, que proporciona centelha mais precisa, partidas mais rápidas e funcionamento mais uniforme, mesmo após longos períodos de inatividade.
Outro benefício é a maior durabilidade, o que reduz a necessidade de substituições frequentes. Ainda assim, especialistas recomendam que o uso dessas velas seja avaliado com cuidado, sempre respeitando o projeto original do motor, o grau térmico correto e as recomendações técnicas. Isso garante confiabilidade sem comprometer a originalidade e o desempenho que fizeram do Fusca um mito sobre rodas.
Dia do Fusca celebrado em Minas
Eventos marcados para BH e região:
Dia Nacional do Fusca – Rolê Especial CAF
- Data: 17 de janeiro
- Horário: 8h30
- Local: Comboio da Copasa Cercadinho (em frente ao BH Shopping) até O Milhão, em Florestal
Old Car Experience – Dia Nacional do Fusca – shows e concurso
- Data: 18 de janeiro
- Horário: 15h
- Local: Porks Castelo (Rua Castelo de Alenquer, 50 – Castelo, BH)
Encontro de Fuscas
- Data: 25 de janeiro
- Horário: 9h às 13h
- Local: Portal Auto Shopping (Av. Dom Pedro II, 1900 – Carlos Prates, BH)




