Imóveis compactos ganham destaque e redefinem dinâmica imobiliária em Belo Horizonte e Nova Lima

Imóveis compactos ganham destaque e redefinem dinâmica imobiliária em Belo Horizonte e Nova Lima

Alta na demanda por metragens reduzidas impulsiona estratégia das incorporadoras e reforça novo perfil de moradia no mercado mineiro

Raphael Lafetá: Imóveis compactos ganham destaque e redefinem dinâmica imobiliária em Belo Horizonte e Nova Lima
Raphael Lafetá, do Sinduscon-MG: mudança reflete o comportamento do consumidor e as condições do próprio mercado (Foto: Divulgação CC / MRV&Co)

 

A busca por imóveis compactos avançou em Minas Gerais ao longo de 2025, com maior intensidade em Belo Horizonte e Nova Lima. O movimento, por sua vez, tem direcionado a atuação das incorporadoras, que ampliaram os investimentos em projetos com metragens reduzidas.

Dados do Censo do Mercado Imobiliário, encomendado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG) à Brain Consultoria, mostram que o estado comercializou 21.516 apartamentos novos no último ano, alcançando um Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 14,513 bilhões.

Desse total, Belo Horizonte e Nova Lima concentraram 7.545 unidades vendidas, o equivalente a 31,5% do volume estadual, com um VGV combinado de R$ 7,376 bilhões. Dentro desse recorte, os imóveis compactos responderam por 27,4% das vendas.

Na prática, o avanço é expressivo. O número de unidades comercializadas saltou de 1.340 em 2024 para 2.071 em 2025, o que representa uma alta de 54,6%. Em paralelo, os lançamentos desse tipo de produto também cresceram e atingiram 2.128 unidades, cerca de 30% do total, indicando uma reação direta das incorporadoras à demanda.

 

 

Alta demanda redefine estratégia do mercado de imóveis

Segundo o presidente do Sinduscon-MG, Raphael Lafetá, a mudança reflete o comportamento do consumidor e as condições do próprio mercado.

 

“Muitos compradores hoje são pessoas que moram sozinhas ou famílias menores, que preferem imóveis bem localizados e com um valor total mais acessível. Ao mesmo tempo, como o preço dos terrenos nas cidades está alto, as construtoras têm investido mais em unidades menores, que costumam vender mais rápido. Isso faz com que os compactos ganhem espaço e ajudem a reduzir o risco de imóveis encalhados”, afirma.

 

Além da demanda aquecida, o levantamento também aponta para um estoque mais enxuto. Ao fim de 2025, Belo Horizonte e Nova Lima somavam 4.484 unidades novas disponíveis, volume suficiente para cerca de sete meses de vendas, considerando o ritmo médio do período e sem a entrada de novos lançamentos.

Nesse contexto, os imóveis compactos seguem como um dos principais vetores de liquidez do setor.

 

“Os compactos têm uma liquidez maior e ajudam a manter o dinamismo do setor, especialmente em um contexto de custos elevados de terreno e de produção”, comenta Raphael Lafetá. 

 

Por outro lado, a pressão sobre os preços dos imóveis novos permanece no radar. Diante desse cenário, a expectativa do setor está diretamente ligada às condições de crédito e ao comportamento das taxas de juros. 

 

“O acesso ao financiamento é decisivo nesse contexto. Se houver uma redução consistente das taxas de juros, isso pode ampliar a capacidade de compra da população e ajudar a equilibrar o mercado”, afirma o presidente do Sinduscon-MG.