Projeto transforma plástico em solução contra desertificação no semiárido mineiro

Projeto transforma plástico em solução contra desertificação no semiárido mineiro

Pesquisadores da UFMG utilizam nanotecnologia para reaproveitar resíduos recicláveis e gerar renda com produção de própolis verde no norte de Minas

Pesquisador do projeto apresenta material desenvolvido a partir de plástico em laboratório da UFMG para uso no combate à desertificação
Pesquisadores da UFMG desenvolvem tecnologia que reaproveita plástico para melhorar o solo no semiárido mineiro (Foto: UFMG / Divulgação)

 

Pesquisadores da Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) de Materiais Avançados e Nanotecnologia, vinculados ao Centro de Tecnologia em Nanomateriais e Grafeno da Universidade Federal de Minas Gerais (CTNano/UFMG), desenvolvem um projeto com potencial de impacto direto no semiárido mineiro.

Intitulado Desenvolvimento nanotecnológico e sustentável de uma cadeia produtiva para o semiárido mineiro com base na comercialização de própolis verde, o estudo, coordenado pelo professor  da UFMG, Geraldo Wilson Fernandes, busca reduzir os danos ambientais causados pela poluição por plásticos em larga escala.

Com investimento de R$ 2,33 milhões, a iniciativa propõe transformar resíduos plásticos em uma nanoestrutura de carbono associada a um particulado sólido. O material será aplicado ao solo na forma de nanocompósito, com capacidade de aumentar a retenção de água e contribuir para o enfrentamento de processos de desertificação.

Em uma região marcada pela irregularidade das chuvas, a retenção hídrica no solo se torna um fator estratégico para a manutenção da produtividade e para a preservação ambiental.

Além do impacto ambiental, o projeto também avança na geração de renda. De acordo com o professor Luiz Orlando Ladeira, um dos pesquisadores envolvidos, a proposta inclui a criação de uma cadeia produtiva sustentável nas comunidades locais.

 

“O objetivo é desenvolver tecnologia e realizar testes em campo com o plantio de alecrim-do-campo em áreas sujeitas à desertificação, reduzindo a perda de fertilidade do solo. Paralelamente, incentivamos a criação de abelhas para produção de própolis verde, ampliando as oportunidades econômicas na região. Em 2026, iniciaremos testes em municípios do norte de Minas”, afirma.

 

 

Projeto aponta os impactos do descarte de plástico 

O descarte inadequado de garrafas PET contribui para a contaminação de solos e corpos d’água por microplásticos, além de impactar diretamente a fauna. Quando destinados a aterros sanitários, esses resíduos ampliam o volume de lixo e podem levar centenas de anos para se decompor.

A presença de microplásticos no ambiente também representa riscos à saúde humana, podendo provocar alterações hormonais e metabólicas, conforme a composição química dos materiais.

A produção em larga escala de plásticos teve início na década de 1950. Desde então, estima-se que cerca de 8,3 bilhões de toneladas foram produzidas no mundo em pouco mais de seis décadas, com apenas 9% desse total reciclado.

Mesmo diante dos impactos já conhecidos, o ritmo de produção e descarte segue elevado. A projeção é de que, até 2050, o volume de plástico acumulado no meio ambiente ultrapasse 12 bilhões de toneladas.