Abril Verde amplia debate sobre saúde mental no centro da segurança no trabalho

Abril Verde amplia debate sobre saúde mental no centro da segurança no trabalho

Especialista alerta impacto do estresse e da sobrecarga no aumento de acidentes e reforça a importância de uma abordagem mais ampla nas empresas

Abril Verde: Psicóloga e especialista em desenvolvimento de lideranças, Bruna Antonucci, explica sobre saúde mental no trabalho
Especialista Bruna Antonucci reforça a importância do equilíbrio emocional e da atenção no ambiente corporativo durante o Abril Verde (Foto: Jessica Freitas / Divulgação)

 

No mês da campanha Abril Verde, a conscientização sobre saúde e segurança no trabalho ganha força no ambiente corporativo. A iniciativa amplia o debate ao incluir fatores que vão além dos riscos físicos, incorporando aspectos comportamentais e emocionais à pauta da prevenção.

Nesse contexto, empresas passam a adotar treinamentos contínuos e práticas voltadas ao bem-estar, com o objetivo de reduzir riscos operacionais e melhorar a qualidade de vida dos colaboradores.

Segundo dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) os fatores psicossociais, como estresse e sobrecarga, estão diretamente relacionados ao aumento de acidentes. A pressão por resultados, somada à execução simultânea de tarefas, compromete a atenção e a tomada de decisão, elevando o risco de falhas.

Diante desse cenário, programas de capacitação deixam de ocupar papel secundário e passam a integrar a política de prevenção das organizações.

Para a psicóloga e especialista em desenvolvimento de lideranças, Bruna Antonucci, ainda há uma lacuna na compreensão dessa relação.

 

“Muitas pessoas não associam acidentes de trabalho ao estresse ou à falta de atenção. Existe uma tendência de focar apenas nos riscos físicos, quando, na prática, o comportamento humano é decisivo para a prevenção. É porque o ambiente corporativo que valoriza pausas, integração e momentos de descontração contribui para reduzir a impulsividade e aumentar o nível de atenção dos colaboradores”, ressalta. 

 

A especialista destaca ainda a importância da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que estabelece diretrizes gerais sobre segurança e saúde no trabalho no Brasil. A norma orienta as empresas a adotarem medidas de gestão de riscos ocupacionais, incluindo fatores organizacionais e psicossociais.

 

“A NR-1 amplia o olhar sobre o que é risco. Não se trata apenas de máquinas ou equipamentos, mas também de condições como pressão excessiva, acúmulo de funções e ambientes que favorecem o esgotamento”, explica Bruna.

 

 

Cultura de prevenção passa pelo comportamento no Abril Verde

Nesse cenário, treinamentos periódicos assumem papel central na construção de uma cultura de segurança. Ao abordar não apenas procedimentos técnicos, mas também aspectos comportamentais, as capacitações ajudam o trabalhador a reconhecer sinais de fadiga, estresse e sobrecarga.

Além disso, atividades recreativas também ganham espaço. Elas funcionam como ferramentas de integração e alívio de tensão. Com isso, favorecem relações mais equilibradas no ambiente de trabalho.

 

“O desafio está em mudar a lógica produtiva baseada exclusivamente na entrega de resultados. Quando o foco está apenas em produzir mais, as pessoas tendem a agir no automático, o que aumenta o risco de erros. A segurança depende de atenção, e a atenção exige condições adequadas de trabalho, inclusive do ponto de vista emocional”, pontua a especialista.

 

Ao integrar saúde mental, capacitação e práticas de bem-estar à prevenção de acidentes, a campanha Abril Verde reforça uma abordagem mais ampla e estratégica.

 

“Ao associar saúde mental, treinamentos e práticas de bem-estar à prevenção de acidentes, a iniciativa contribui para transformar a cultura organizacional. Empresas que investem nesse modelo não apenas reduzem índices de afastamento, mas também constroem ambientes mais seguros, produtivos e sustentáveis no longo prazo”, concluí.