Festur Ouro Preto aposta na força da cultura e da fé para impulsionar o turismo em Minas

Festur Ouro Preto aposta na força da cultura e da fé para impulsionar o turismo em Minas

Com conexão internacional, foco em negócios e experiências culturais, evento chega à sexta edição com expectativa de público recorde

Cássia Neves organizadora do Festur Ouro Preto Foto Lydia Sucasas
Cássia Neves: Minas Gerais está em um momento de grande evidência no mercado, mas ainda há muito a ser feito nas cidades (Foto Lydia Sucasas)

 

Luís Otávio Pires

Entre sinos, tambores e tradições que atravessam gerações, Ouro Preto se prepara para viver mais uma edição de um dos eventos mais estratégicos para o turismo mineiro. Em junho, a cidade histórica se transforma em palco de encontros, negócios e experiências que conectam cultura, fé e desenvolvimento econômico. A 6ª edição do Festival Internacional de Turismo e Cultura de Ouro Preto (Festur) será realizada entre os dias 10 e 12 de junho, no Centro de Artes e Convenções da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), com o tema “No batuque da fé: tradições que movem Minas Gerais”.

O Festur se consolida como uma vitrine para o potencial turístico do Estado. Segundo a correalizadora do festival, Cássia Neves, a proposta é fortalecer o setor a partir da valorização da identidade cultural mineira.

 

“Minas Gerais está em um momento de grande evidência no mercado, mas ainda há muito a ser feito nas cidades. Escolhemos a cultura como eixo porque é ela que move o turismo. As manifestações de fé representam autenticidade, passam de geração em geração e encantam quem vivencia”, destaca.

 

A cada edição, o festival amplia sua presença e relevância. Em 2025, o evento reuniu representantes de 52 cidades e recebeu mais de 7 mil visitantes — número que superou com folga a média histórica, que girava entre 4 mil e 5 mil pessoas. Para este ano, a expectativa é manter o número de expositores e ampliar ainda mais o público, ao atrair empreendedores, gestores e profissionais do turismo.

 

“A cada ano conseguimos sensibilizar mais pessoas e fortalecer a participação do setor. O crescimento do público foi um salto importante e queremos avançar ainda mais”, afirma Cássia.

 

Conexão internacional do Festur com o Chile

 

Um dos diferenciais do Festur é a conexão internacional. A cada edição, o evento estabelece parcerias com um país estratégico — em 2026, o escolhido é o Chile. A iniciativa busca promover Minas Gerais como destino turístico no exterior e ampliar oportunidades de negócios.

 

“O Festur nasceu como um evento regional, mas rapidamente ganhou dimensão internacional. Ouro Preto já recebe muitos turistas estrangeiros, então entendemos a importância de criar essas conexões”, explica a organizadora.

 

A aproximação com o Chile inclui articulações com a Câmara de Comércio, órgãos governamentais e agências de turismo, além de ações conjuntas com a Câmara de Comércio Chile-Minas Gerais.

 

Outro destaque da programação é o lançamento do programa “Ouro de Minas”, que promove a integração entre cidades com afinidades culturais, históricas e econômicas. Nesta edição, será formalizada a parceria entre Ouro Preto, Ouro Branco, Ouro Fino e Aiuruoca. O objetivo é fomentar ações conjuntas e impulsionar o desenvolvimento regional por meio do turismo.

 

“O Festur é um espaço para acelerar conexões que precisam continuar além das gestões públicas. Queremos integrar poder público, iniciativa privada e terceiro setor para garantir continuidade aos projetos”, ressalta Cássia.

 

Além do foco em negócios, o evento também valoriza a experiência cultural. A programação inclui apresentações regionais, intervenções artísticas e manifestações folclóricas alinhadas ao tema desta edição. A abertura ficará por conta da “Chorata de Nova Lima”, uma experiência que mistura seresta e chorinho e será apresentada pela primeira vez no festival.

 

“O nosso objetivo não é trazer grandes shows, mas dar espaço para artistas locais e para a cultura de cada cidade. É uma forma de valorizar o que Minas tem de mais autêntico”, explica.

 

O tema “Batuque da Fé” reforça esse propósito, ao destacar manifestações culturais ligadas à religiosidade popular.

 

“A ideia é dar visibilidade a essas expressões e mostrar o valor que elas têm, tanto para as comunidades quanto para quem visita. É cultura viva, que precisa ser reconhecida como ativo do turismo”, salienta.