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  • maio 22, 2026
  • 5 minutos

Antes de usar Inteligência Artificial, precisamos aprender a pensá-la

Antes de usar Inteligência Artificial, precisamos aprender a pensá-la

Nova coluna do CIDADE CONECTA aborda o universo da IA e suas possibilidades para empresas e pessoas físicas

Roque Almeida, CEO do Grupo Matter&Co, consultor, professor, investidor e conselheiro empresarial, sentado em escritório durante ensaio profissional sobre Inteligência Artificial e negócios
Roque Almeida: “a Inteligência Artificial opera nos bastidores de serviços que usamos diariamente, muitas vezes sem que percebamos” (Foto: Arquivo Pessoal)

 

Roque Almeida (*)

Há algumas semanas, uma empresária me disse que sua equipe havia “testado o ChatGPT e concluído que ele “não servia para o negócio delas”. Perguntei o que tinham feito. A resposta: pediram para ele escrever um e-mail e acharam o resultado formal demais. Depois soube que, na mesma semana, essa mesma equipe usava o Google Gemini para pesquisar fornecedores, como se fosse um mecanismo de busca sofisticado.

Sem perceber, já estavam dentro do universo das Large Language Models (LLMs), os grandes modelos de linguagem que estão redesenhando silenciosamente o modo como trabalhamos e decidimos. Esse episódio diz tudo sobre o momento em que estamos.

 A Inteligência Artificial já está presente em decisões de contratação, na curadoria do que consumimos, no atendimento ao cliente, na criação de conteúdo, na análise de dados e no planejamento de empresas.

Ela opera nos bastidores de serviços que usamos diariamente, muitas vezes sem que percebamos. E ainda assim, para a maioria das pessoas e organizações, ela continua sendo avaliada como ferramenta de produtividade, útil ou inútil, boa ou ruim. O problema não é a IA. É o modelo mental com que a encaramos.

Pensar a Inteligência Artificial apenas como uma ferramenta é como pensar a internet apenas como um catálogo de páginas. Tecnicamente correto, mas estrategicamente cego. A IA não é um recurso que se acessa; é um novo modelo cognitivo que está reorganizando a forma como trabalhamos, aprendemos, criamos, decidimos e nos relacionamos. É sobre isso que esta coluna vai tratar.

Pensar IA nasce com um propósito claro: traduzir esse universo de forma acessível, sofisticada e útil, sem alarmismo, sem deslumbramento e sem o vocabulário técnico que afasta quem mais precisa entender o tema. A cada semana, o convite é para refletir sobre como a IA está transformando negócios, comportamento, educação, criatividade, ética e o futuro do trabalho, não como tendência distante, mas como realidade já em curso.

O grande desafio da Inteligência Artificial não está na tecnologia em si. Está na capacidade que pessoas, empresas e instituições terão de utilizá-la com consciência, estratégia e responsabilidade. Quem dominar esse pensamento, e não apenas as ferramentas, vai liderar a próxima fase da economia e da cultura.

Pensar IA, no fundo, é pensar o tipo de futuro que queremos construir com ela. E isso começa agora.

 

(*) Roque Almeida é empresário, consultor, professor, investidor e conselheiro em empresas de diferentes segmentos. É CEO do Grupo Matter&Co.