- Velocidade
- maio 29, 2026
- 5 minutos
Ferrari desafia tradição e lança elétrico com visual polêmico
Com preço de R$ 6 milhões, Luce combina desempenho extremo, cabine futurista e autonomia de 530 quilômetros

A era dos motores silenciosos finalmente chegou a Maranello — e ela veio cercada de ousadia, tecnologia e polêmica. A Ferrari apresentou oficialmente o Ferrari Luce, primeiro modelo totalmente elétrico da história da fabricante italiana. O lançamento marca uma das mudanças mais radicais já promovidas pela marca, tradicionalmente associada ao ronco de motores V8 e V12.
Batizado de “Luce” — palavra italiana para “luz” — o novo modelo representa a entrada definitiva da Ferrari na eletrificação. O projeto atende a exigências ambientais e regulatórias, e sinaliza uma nova filosofia de engenharia e posicionamento da marca no segmento global de luxo e performance.
O superesportivo impressiona pelos números. Equipado com quatro motores elétricos — um em cada roda — o Luce entrega 1.050 cavalos de potência, acelera de 0 a 100 km/h em 2,5 segundos e alcança velocidade máxima de 310 km/h. A autonomia estimada é de 530 quilômetros, alimentada por um conjunto de baterias de 122 kWh com arquitetura de recarga rápida de 800 volts.
Apesar de ser a Ferrari mais pesada já produzida, com aproximadamente 2.300 quilos, modelo aposta em soluções estruturais para compensar o peso extra das baterias. Segundo a empresa, cerca de 75% do chassi utiliza alumínio reciclável.
O Luce talvez seja a Ferrari mais distante visualmente daquilo que o público tradicional da marca está acostumado a ver. O modelo mistura proporções de crossover, coupé e gran turismo em uma carroceria de cinco lugares — algo inédito para a fabricante italiana.
As portas traseiras com abertura invertida, conhecidas como “suicidas”, ampliam o apelo futurista do projeto. Até os limpadores de para-brisa receberam patente própria para melhorar o fluxo aerodinâmico do veículo.
As rodas também chamam atenção pelas dimensões incomuns: aro 23 polegadas na dianteira e 24 polegadas na traseira.
A cabine é um dos pontos mais comentados do lançamento. Desenvolvido em parceria com a LoveFrom, do ex-chefe de design da Apple Jony Ive, o interior foi apelidado nas redes sociais de “Interior Apple”.
O ambiente mistura minimalismo digital e referências analógicas, e utiliza materiais premium como Gorilla Glass, além de interfaces altamente integradas.
A estreia do Luce provocou forte repercussão nas redes sociais. Enquanto parte do público celebrou a inovação e o design futurista, outros fãs criticaram o afastamento da identidade tradicional da marca.
Elogios e críticas à nova Ferrari
Comentários variaram entre elogios ao conceito e críticas ao visual considerado “distante da essência Ferrari”. O diretor de design da marca, Flavio Manzoni, afirmou que a proposta era naturalmente “polarizadora” e que mudanças fazem parte do processo de inovação.
O CEO da empresa, Benedetto Vigna, revelou que o desenvolvimento do Luce levou cerca de cinco anos. Segundo ele, a Ferrari continuará produzindo modelos híbridos e movidos a combustão, mantendo diferentes propostas dentro do portfólio da marca.
O lançamento acontece em um momento delicado para o segmento de elétricos de alto padrão. Mesmo assim, a Ferrari aposta no caráter exclusivo de seus veículos como diferencial competitivo. O Luce terá preço inicial estimado em 550 mil euros — cerca de R$ 3,2 milhões — e pode ultrapassar R$ 6 milhões no mercado brasileiro com impostos e taxas de importação.





