- Artigo
- dezembro 12, 2025
- 6 minutos
Comércio mineiro mira mais renda e crédito
Setor sente impacto dos juros, mas mantém confiança e projeta superar desempenho de 2025

Nadim Donato Elias Filho (*)
O setor do comércio de bens e serviços sentiu o peso da taxa de juros nas alturas, indicando recuo na taxa de crescimento. Em Minas Gerais, a alta em 12 meses do comércio até setembro foi de 1,7% de acordo com o IBGE. No mesmo período de 2024, o crescimento do varejo de bens essenciais à população acumulava 3,7% de incremento, mais do que o dobro do aumento registrado neste ano.
Vamos relembrar que, nos últimos três anos, o comércio vinha se recuperando das grandes perdas da pandemia. Ou seja, o crescimento do setor nos últimos anos tratou de uma recomposição de perdas, e com as altas de juros impactando tanto as empresas quanto as famílias no ano corrente, essa recomposição encolheu interrompendo a trajetória de necessária recuperação.
Ainda assim, a desaceleração da inflação dos alimentos e o desemprego em níveis muito baixos em 2025 contribuíram para que o resultado do comércio não fosse pior. Frisemos que a participação do consumo das famílias no PIB do País é de mais de 63% daí sua importância para o comércio que, como podemos ver, tem seu desempenho fortemente atrelado ao crescimento do Brasil. Cresce o comércio, cresce o País, não cresce o comércio e o País vê-se estagnado.
Para 2026, assim como as milhões de famílias brasileiras e mineiras que querem e precisam consumir, o comércio mantém o pensamento positivo e o trabalho ininterrupto e resiliente que o caracteriza. Vivemos, comércio e serviços, de muito trabalho e da mesma esperança que renasce todos os dias em cada casa, em cada família.
No ano que vem, o comércio deverá ser beneficiado com a isenção do imposto de renda para as pessoas físicas que ganham até R$ 5 mil e com a redução no pagamento do imposto para quem ganha até R$ 7.350,00. O contingente de beneficiados corresponde a 65% dos declarantes, indicando o impacto que a medida terá no poder de consumo das famílias.
Estima-se que R$ 32,8 bilhões sejam injetados na economia do País com a isenção do IR no ano que vem e, ajustando a projeção para a participação mineira no PIB, algo em torno de 10%, nosso estado deverá receber uma injeção de R$ 3,28 bilhões. Boa parte desse valor deverá ser utilizada no consumo das famílias e essa é uma boa notícia para o comércio mineiro.
Com a inflação sob controle, como tem caminhado neste ano tendendo a assim permanecer em 2026, juntamente com a preservação do ganho das famílias, há expectativa de o comércio, no mínimo, repetir o desempenho de 2025. Vamos trabalhar para superar a marca de 2025.
A Federação do Comércio de Minas Gerais tem buscado soluções que auxiliem o setor do comércio de bens, serviços e turismo a enfrentar a penosa alta dos juros. No segundo semestre de 2025, em parceria com o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), lançamos uma linha de crédito exclusiva, com taxas de juros reduzidas, visando beneficiar as pequenas empresas do setor. Nós sabemos que as micro e pequenas empresas é que sustentam o desenvolvimento do nosso Estado.
São as pequenas empresas que geram a maior massa de empregos para a população, além de constituírem a maioria das empresas de comércio e serviços. Por isso essa linha de crédito saiu, porque associou a necessidade do nosso setor de crédito mais barato e a missão do BDMG, de fomentar o desenvolvimento do Estado ao alcançar um universo de quase 750 mil empresas representadas pela Fecomércio MG.
A linha de crédito ajustada entre Fecomércio MG e BDMG reforça a estratégia das empresas de seguir expandindo neste final de ano, buscando a recuperação do setor. A taxa mínima é de 0,37% ao mês + Selic, 24 meses para pagar e 90 dias de carência. As condições exclusivas de financiamento são válidas por tempo limitado e empresas dos 853 municípios mineiros podem participar.
O financiamento aberto é por tempo determinado, mas ele pode vir a ser reeditado em futuro próximo reforçando assim essa parceria com o BDMG que promete ser duradoura.
Como mostrou recentemente a pesquisa Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC), realizada em Belo Horizonte no mês de outubro, as empresas registraram queda no nível de confiança na economia, mesmo assim mais de 60% sustentam a intenção de fazer contratação de pessoal. É essa coragem feita de ação que renova o espírito tenaz do comércio de Minas Gerais. E como não poderia deixar de ser, para 2026 seguiremos com ânimo renovado para seguir construindo presente e futuro do nosso Estado.
(*) Presidente do Sistema Fecomércio MG-Sesc-Senac