- Artigo
- outubro 1, 2026
- 7 minutos
Amanhã será um novo dia?
Queremos eleição em que prevaleça a verdadeira vontade soberana do eleitor, sem interferências indevidas de qualquer Poder, instituição ou interesse particular

Humberto Filho
Será que vai ter “Festa no Apê”, até acordar e tirar o Brasil do berço esplêndido, diferente, na segunda-feira?
No próximo domingo, o Brasil vai às urnas. Urnas polêmicas, mas único lar da Esperança.
Mais do que escolher presidente, governadores, senadores e deputados, teremos diante de nós uma oportunidade que aparece poucas vezes na vida de uma nação: a de sonhar e apostar, enfim, com o “País do Futuro”, no presente.
Que seja, antes de tudo, uma eleição justa.
Uma eleição em que prevaleça a verdadeira vontade soberana do eleitor. Sem interferências indevidas de qualquer Poder, instituição ou interesse particular. Sem abuso de podres poderes políticos ou econômicos. Sem manipulações. E sem fake news transformando mentiras em instrumentos para conquistar votos. Sem “gópi”!
Democracia pressupõe liberdade para escolher. E essa liberdade só existe quando o cidadão pode formar sua convicção com acesso à informação, respeito às regras e segurança de que sua vontade será respeitada.
Que seja também uma eleição pacífica como um Oceano Atlântico sem tufão, tempestade ou tsunami.
O Brasil não pode continuar transformando adversários políticos em inimigos pessoais. Mas também não pode transformar bandidos em políticos. Famílias não deveriam se dividir por causa de candidatos. Dividir-se, só quanto ao sabor da pizza. Amizades não deveriam terminar por causa de partidos. Brasileiros não deveriam enxergar outros brasileiros como inimigos simplesmente porque pensam diferente. Mas, please e “pelamordedeus”, sem dar a outra face porque aqui tem Mané não!
Podemos discordar – e vamos discordar. Mesmo porque, como reza a piada, estamos nos últimos dias “para brigar com amigos e familiares”.
Navegar é preciso e discordar também é democracia.
Mas, quando as urnas forem fechadas – ou desligadas – continuaremos todos vivendo no mesmo País. Ou no mesmo Titanic, sem boia para todos. Os problemas que nos esperam na segunda-feira não perguntarão em quem votamos, vão direto para nossas contas bancárias, em forma de boletos. Isso, se tivermos contas…
E talvez seja justamente aí que esteja a questão mais importante destas eleições 2026. O Brasil precisa voltar a ter esperança. O brasileiro está cansado de guerra, com medo até da paz, como aquela de 8 de janeiro, de sinistra memória.
Cansado de mentiras em pele de promessas que se repetem a cada quatro anos. Cansado de discursos que anunciam soluções definitivas para problemas que atravessam décadas. Cansado de ver a política concentrada permanentemente na próxima eleição, enquanto questões fundamentais para o futuro do País continuam esperando o bonde, a banda e Godot.
Talvez tenha chegado o momento de mudarmos não apenas os nomes, mas principalmente a agenda. Trocando em miúdos, está na hora de trocar tudo isso que está aí. Chega, basta!
Precisamos discutir um novo modelo de Educação, capaz de preparar nossas crianças e nossos jovens para um mundo que está sendo profundamente transformado pela tecnologia, pela inteligência artificial e por novas formas de trabalhar, produzir e aprender. Vamos brincar de trocar a Sociologia pela Matemática?
Precisamos construir um novo modelo de Desenvolvimento Econômico e Social, que combine crescimento, responsabilidade fiscal, geração de empregos, redução das desigualdades, inovação e oportunidades. O que é Desenvolvimento Econômico e Social? Sinceramente, já provei, mas não me lembro o gosto. Mas tinha o sabor de um país no qual produzir e empreender era estimulado e no qual prosperidade econômica significava melhoria concreta na vida das pessoas.
E precisamos desenvolver uma nova maneira de enxergar o mundo, de preferência, sem olho gordo ou binóculos, mas de olhos nos olhos.
O mundo está mudando numa velocidade extraordinária. Inteligência artificial, transição energética, mudanças nas relações de trabalho, novas disputas econômicas e geopolíticas estão redesenhando o planeta diante de nossos olhos. O brasileiro precisa sair das cavernas, principalmente a de Platão.
O Brasil não pode assistir a essa transformação olhando permanentemente pelo retrovisor. Porque, como dizia aquele motorista da “Corrida Maluca” ou o para-choque de caminhão: o que vem atrás não interessa!
Temos recursos naturais, energia, agricultura, indústria, conhecimento, criatividade e, principalmente, gente capaz de construir um país muito melhor. Precisamos transformar essas vantagens em um projeto de futuro.
É essa discussão que deveria começar no dia seguinte às eleições 2026. Menos disputa sobre o passado e mais debate sobre o futuro. Menos radicalização e mais construção. Menos promessas e mais resultados. Menos preocupação com a próxima eleição e mais compromisso com a próxima geração. Menos menos porque muito é muito pouco.
No domingo, cada brasileiro terá o direito de fazer livremente a sua escolha. E ela deve ser respeitada, seja qual for. Claro, desde que seja a escolha certa.
Mas há algo que pode nos unir independentemente do resultado: o desejo de que o Brasil encontre novamente razões para acreditar em si mesmo.
Que a eleição seja justa, livre e pacífica.
E que, quando o País acordar na segunda-feira, possamos finalmente começar uma conversa nova porque será um lindo dia da mais louca alegria que se possa imaginar.
Não sobre quem venceu ou quem perdeu.
Mas sobre qual o próximo jogo do Galo e o Brasil que queremos construir daqui para frente.