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  • abril 6, 2026
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Como os loteamentos têm redesenhado as cidades mineiras

Como os loteamentos têm redesenhado as cidades mineiras

Esses espaços delimitados conseguem atender à demanda por moradia e ajudam o poder público a antecipar o planejamento de infraestrutura

Como os loteamentos têm redesenhado as cidades mineiras
Para Gustavo Amorim, os loteamentos levam de melhor às cidades do interior é um desenvolvimento urbano estruturado (Foto: Thais Sheliden)

 

Gustavo Amorim (*)

O avanço dos loteamentos em Minas Gerais está revelando uma mudança estrutural na forma como o Estado vem crescendo, com destaque para cidades médias e polos regionais, onde o desenvolvimento urbano tem sido distribuído com mais equilíbrio pelo território.

O próprio Censo 2022 ajuda a enxergar esse movimento. Belo Horizonte tem 2.315.560 habitantes, ante 2.375.151 em 2010, uma queda de 2,5%; ao mesmo tempo, Minas Gerais chegou a 20.539.989 pessoas, e municípios como Uberlândia (713.224), Contagem (621.863) e Juiz de Fora (540.756) consolidaram-se como grandes centros regionais.

O que os loteamentos levam de melhor às cidades do interior é um desenvolvimento urbano estruturado. Além de atenderem à demanda por moradia, eles antecipam infraestrutura e ajudam o poder público a planejar as redes viárias (ruas, avenidas e estradas), o saneamento básico, o sistema de drenagem, o sistema de mobilidade urbana e ainda constrói, em contrapartida à utilização do solo, equipamentos urbanos, como praças e Unidades Públicas de Saúde (UPA). E tudo isso é feito com responsabilidade ambiental, frequentemente envolvendo a salvaguarda de áreas de preservação.

O loteamento evita o crescimento desordenado da cidade, que traz uma série de problemas para quem vive ali, em termos de acesso a serviços básicos, mobilidade e qualidade de vida de forma geral, e também para a prefeitura, que precisa incluir aquela região em seu planejamento improvisadamente.

Por outro lado, vejo com frequência o loteamento ser reduzido a uma operação imobiliária, enquanto deveria ser valorizado como operação de desenvolvimento urbano.

Mas nosso setor é resiliente. O Estudo de Mercado de Loteamentos de Minas Gerais registrou alta de 5,7% em Valor Geral de Lançamentos (VGL) no acumulado do ano de 2025, passando de R$ 3,02 bilhões em 2024 para R$ 3,19 bilhões.

 

Um fator comportamental que chama a atenção é o perfil da demanda. Ainda que os loteamentos fechados sejam maioria, no último trimestre de 2025, os loteamentos abertos apresentaram um aumento de 23,7%, evoluindo para R$ 190 milhões em VGL; eles também já tinham passado na frente dos loteamentos fechados em Valor Geral de Vendas (VGV) no segundo trimestre, ficando com 53% das transações.

 

Loteamentos abertos indicam acesso livre (qualquer pessoa pode circular pelas ruas, que são públicas) e integração urbana, sem muros que separam o loteamento do restante da cidade. Isso significa que os novos moradores vêm preferindo estar em conexão com o entorno e a comunidade.

Essa nova tendência de cidades sem “ilhas” de desenvolvimento e diferenciação social soma-se ao impacto econômico que um novo empreendimento imobiliário traz, com uma extensa cadeia de trabalho, da terraplanagem à engenharia, além do comércio e dos serviços que se instalam ao redor.

(*) Gustavo Amorim é economista, empresário e presidente da Associação das Empresas de Loteamento e Desenvolvimento Urbano de Minas Gerais (AELO-MG)