- Artigo
- julho 7, 2026
- 6 minutos
Panda 45 anos: o que nos move ainda é o próximo evento
Com a reputação positiva construída em Minas, empresa mira se consolidar também em mercados de outros estados

Eduardo Zech Coelho (*)
Existe uma parte da minha história com a Panda que não está em nenhum currículo ou portfólio. Antes de qualquer cargo formal, eu já vivia a empresa de dentro de casa. Um dos meus irmãos mais velhos fundou a Panda quando ainda morávamos todos juntos, e eu acompanhei aquele começo de perto, ainda adolescente.
Passei pela empresa de várias formas antes de virar sócio. Disputei campeonatos organizados pela Panda como atleta. Trabalhei como promotor, como produtor, e em alguns eventos como coordenador freelancer. Quando finalmente assumi um cargo efetivo, em 2005, a sensação foi de continuidade, não de estreia.
Sou ex-atleta de vôlei, e o caminho mais óbvio para mim, naquela época, talvez fosse a educação física. Mas o contato com os eventos da Panda me aproximou da comunicação, e foi isso que me levou para a publicidade. Hoje entendo essa escolha como consequência direta daquele convívio.
Confiança sustenta uma empresa familiar quando ela cresce
Sou o mais novo entre os sócios, o que significa que boa parte da minha trajetória na Panda foi construída ganhando espaço, aos poucos. Cheguei à empresa porque já trabalhava com marketing e comunicação em outros lugares, e foi esse trabalho que chamou a atenção dos meus irmãos. Essa origem importa, porque explica, em parte, a confiança que fui construindo com eles ao longo dos anos.
Foi essa confiança que me permitiu contribuir de forma mais ampla, trazendo um estilo próprio de gestão. Não aconteceu de uma vez: foi resultado de uma relação de respeito que vem da nossa criação, e que se manteve mesmo nos momentos de discordância.
Isso também tem a ver com o tipo de liderança que meus irmãos exerceram comigo. Se eles tivessem chegado impondo que, por ser o mais novo, eu deveria simplesmente seguir o que já estava definido, sem espaço para discordar, provavelmente eu não teria me desenvolvido da mesma forma. O que me marcou foi justamente o oposto disso: a liberdade para pensar diferente e propor mudanças, mesmo sendo o caçula entre os sócios.
Essa liberdade nunca significou ausência de atrito. Tivemos divergências ao longo desses anos, como acontece em qualquer relação de sócios, ainda mais entre irmãos. Mas nunca houve uma ruptura entre a gente. Mesmo nos momentos de desacordo, a saída sempre foi buscar consenso, sem perder o respeito, como aprendemos em casa.
Um trabalho que nunca termina na Panda
45 anos é uma marca importante, mas não é isso que ocupa minha cabeça no dia a dia. O que me move é entender que o nosso melhor evento não pode ser o último, mas sempre o próximo.
Uma empresa que vive de comunicação e criatividade não se sustenta olhando só para trás. O mercado muda, os clientes mudam, e a forma como as pessoas vivem experiências também muda.
A reputação que construímos ao longo dessas décadas, especialmente aqui em Minas Gerais, tem valor real. Ainda hoje encontro pessoas que participaram de eventos da Panda quando eram adolescentes, ou que trabalharam conosco em algum momento. Mas reputação não é algo que se guarda em uma prateleira. É algo que se sustenta com trabalho constante, porque o tempo que se leva para construir uma reputação é sempre maior do que o tempo que se leva para perdê-la.
O que vem depois de quatro décadas e meia
Olhando para frente, o primeiro passo é consolidar a nossa operação em São Paulo, que ainda é a caçulinha da Panda, mas já dá sinais claros de crescimento. A partir disso, penso em uma expansão para outras praças, talvez Rio de Janeiro, talvez Curitiba, sempre de forma orgânica e sustentável, sem abrir mão do padrão que construímos.
Quando olho para os últimos 21 anos, tempo que vivi diretamente dentro da Panda, vejo muita coisa boa feita. Mas confesso que não me dou por satisfeito. Ainda tenho vontade de fazer coisas mais interessantes do que já fizemos, e acho que é essa inquietação que me mantém motivado no dia a dia. Como líder, o que eu mais busco é passar essa mesma vontade para o meu time, para que cada pessoa aqui dentro sinta que ainda há muito espaço para entregar algo melhor.
Aos 45 anos, sinto que a Panda está começando de novo. Tudo o que construímos até aqui é alicerce, e serve para sustentar o que vem depois.
O que continua nos movendo é o próximo evento, o próximo cliente, a próxima ideia.
(*) Diretor de Marketing e Operações na Panda Eventos; especialista em Estratégia e Inteligência para Eventos Corporativos.

