- Artigo
- maio 30, 2026
- 5 minutos
Terapeuta Ocupacional amplia debate sobre desenvolvimento infantil e autonomia
Letícia Cançado estreia a coluna no CIDADE CONECTA com reflexões sobre funcionalidade, neurodivergência, e os desafios do cotidiano de crianças e famílias

Letícia Cançado
É com grande alegria que inicio este espaço de diálogo, conhecimento, troca e reflexão sobre desenvolvimento humano, funcionalidade, autonomia e qualidade de vida. Sou Terapeuta Ocupacional há mais de 20 anos e atuo na área do desenvolvimento infantil. Convido você a caminhar comigo por temas que fazem parte do cotidiano de muitas famílias, crianças, adolescentes, educadores e profissionais.
Mas afinal, o que faz um Terapeuta Ocupacional?
A Terapia Ocupacional é uma profissão da área da saúde que busca promover funcionalidade, participação e autonomia nas atividades de vida diária. Nosso olhar vai muito além do diagnóstico: observamos a pessoa em sua totalidade, suas potencialidades, desafios, ambiente e tudo aquilo que influencia sua participação no mundo.
Nosso principal objetivo é possibilitar que cada indivíduo alcance o máximo de independência possível em sua rotina, seja no brincar, aprender, estudar, alimentar-se, relacionar-se, organizar-se, cuidar de si mesmo ou desempenhar atividades significativas ao longo da vida. Afinal, participar das atividades do cotidiano com autonomia e significado é essencial para uma vida próspera e com qualidade.
Ao longo desta coluna, abordaremos temas relacionados aos transtornos do desenvolvimento, neurodivergência, superdotação/altas habilidades, dupla excepcionalidade, funcionalidade e muitos outros assuntos que fazem parte do universo do desenvolvimento humano.
Também falaremos sobre um tema cada vez mais discutido na atualidade: o Transtorno do Processamento Sensorial (TPS), também conhecido como Disfunção de Integração Sensorial (DIS). Nosso cérebro recebe informações do ambiente e do próprio corpo o tempo todo por meio dos sentidos. Quando existe dificuldade em processar, organizar ou interpretar essas informações sensoriais, podem surgir impactos significativos no desempenho e na participação nas atividades do dia a dia.
Essas manifestações podem aparecer de diversas formas, muitas vezes sendo observadas na rotina antes mesmo de receberem um nome. Algumas crianças podem apresentar seletividade alimentar (dificuldade para experimentar texturas ou alimentos diferentes); outras podem demonstrar desafios motores (coordenação motora grossa e fina), dificuldades relacionadas à atenção, organização, sono, aprendizagem, regulação emocional e planejamento das atividades.
Nem toda dificuldade isolada significa um transtorno ou disfunção. Porém, quando essas características começam a interferir na funcionalidade, participação e no desempenho das atividades cotidianas, torna-se importante uma avaliação mais aprofundada. Nesse contexto, o Terapeuta Ocupacional pode contribuir significativamente na avaliação, compreensão, análise e construção de um plano de intervenção, com o olhar voltado para o potencial e também para as necessidades de cada pessoa.
Ao longo dos próximos encontros, nossa proposta será traduzir a ciência para uma linguagem próxima da realidade das famílias e da comunidade, ajudando a compreender comportamentos que muitas vezes são interpretados apenas como “birra”, “falta de interesse”, “preguiça” ou “mania”, quando podem representar formas diferentes de perceber e responder ao mundo.
Cada indivíduo é único. E compreender essa singularidade é o primeiro passo para promover desenvolvimento, autonomia e inclusão.
Espero encontrar você nas próximas colunas. Será um prazer construirmos esse caminho juntos.
Até a próxima!