Campanha alerta para o câncer de pele: tipo mais comum no Brasil

Campanha alerta para o câncer de pele: tipo mais comum no Brasil

Apesar de ser o câncer mais frequente no Brasil, o câncer de pele ainda é subestimado por grande parte da população

medica diagnosticando um melanoma no corpo de uma paciente sexo feminino
O câncer de pele ainda é subestimado por grande parte da população. Muitas lesões são encaradas como “manchas normais” (Foto: Freepik)

Muitas lesões são encaradas como “manchas normais”, feridas simples ou alterações próprias do envelhecimento, o que contribui para diagnósticos tardios. A campanha Dezembro Laranja surge justamente para ampliar esse olhar e levar informação prática além do discurso básico de proteção solar.

Segundo o dermatologista Dr. Fabio Gontijo, especialista em dermatologia clínica, cirúrgica e oncologia cutânea, um dos principais problemas é a ideia de que um câncer de pele sempre causa dor ou desconforto.

“Grande parte das lesões não dói, não coça e não sangra no início. Por isso, acabam sendo ignoradas por meses ou até anos”, explica.

No consultório, o médico relata que é comum pacientes procurarem ajuda apenas quando a lesão já cresceu, mudou de aspecto ou passou a incomodar, o que poderia ter sido evitado com avaliação precoce.

Quando uma lesão deixa de ser normal

Feridas que não cicatrizam em algumas semanas, manchas que crescem lentamente, áreas avermelhadas ou descamativas e lesões com aparência aparentemente inofensiva estão entre os sinais mais comuns do câncer de pele não melanoma, o tipo mais frequente da doença. Justamente por evoluir de forma lenta e, na maioria das vezes, sem dor, esse tipo de câncer costuma ser negligenciado.

Já o melanoma, considerado o tipo mais agressivo, pode surgir tanto a partir de uma pinta pré-existente quanto em uma área aparentemente normal da pele. Alterações no tamanho, na forma, na cor ou nas bordas das pintas são sinais que merecem avaliação médica imediata.

“Nem toda pinta é perigosa, mas toda pinta que muda precisa ser investigada”, alerta o dermatologista Dr. Fabio Gontijo.

Quem chega tarde ao diagnóstico e por quê

Embora o câncer de pele possa atingir qualquer pessoa, alguns grupos apresentam maior risco de desenvolver a doença. Pessoas de pele clara, trabalhadores expostos ao sol ao longo da vida, idosos e indivíduos com histórico familiar de câncer de pele devem manter acompanhamento regular com o dermatologista.

Segundo o Dr. Fabio Gontijo, homens e idosos ainda representam grande parte dos diagnósticos tardios. “A falta do hábito de observar a própria pele e a demora em buscar atendimento fazem com que muitos casos cheguem ao consultório em estágios mais avançados”, explica.

A avaliação dermatológica periódica permite identificar lesões suspeitas ainda no início, quando o tratamento é mais simples e as chances de cura são maiores.

A avaliação dermatológica permite identificar lesões suspeitas ainda em fases iniciais, muitas vezes antes mesmo de sintomas visíveis. Exames clínicos e, quando necessário, procedimentos simples podem evitar cirurgias mais extensas e tratamentos complexos.

Para o Dr. Fabio Gontijo, o Dezembro Laranja é um convite à observação e ao cuidado contínuo com a pele. “Olhar para a própria pele, perceber mudanças e buscar avaliação especializada são atitudes simples, mas decisivas. No câncer de pele, o tempo faz toda a diferença”, conclui.