Cirurgia robótica: avanço no tratamento do câncer urológico no Brasil

Cirurgia robótica: avanço no tratamento do câncer urológico no Brasil

Tecnologia amplia precisão cirúrgica e reduz sequelas, transformando qualidade de vida após o tratamento

Cirurgia robotica
Guilherme Canabrava, médico urologista, especialista em cânceres urológicos e professor da UFMG (Foto/Arquivo Pessoal)

 

A cirurgia robótica se consolidou como uma das principais tendências da medicina em 2026 e já representa uma mudança concreta no tratamento dos cânceres urológicos, especialmente próstata, rim e bexiga. O avanço tecnológico permitiu que procedimentos antes associados a altas taxas de sequelas passassem a oferecer resultados oncológicos eficazes com melhor preservação funcional.

Em um cenário em que o câncer de próstata é o segundo mais incidente entre homens no Brasil, segundo o Inca, a adoção da cirurgia robótica marca uma nova fase no cuidado, combinando controle da doença com recuperação mais rápida e menor impacto na vida cotidiana do paciente.

 

“A cirurgia robótica mudou o paradigma do tratamento do câncer urológico. Hoje, não pensamos apenas em retirar o tumor, mas em preservar ao máximo as funções que garantem qualidade de vida ao paciente”, afirma Guilherme Canabrava, médico urologista, especialista em cânceres urológicos e professor da UFMG.

 

Do ponto de vista técnico, a tecnologia oferece visão tridimensional ampliada e instrumentos com movimentação articulada que superam a limitação da mão humana, proporcionando precisão milimétrica na dissecção de estruturas nobres.

Isso é especialmente relevante na preservação dos feixes nervosos responsáveis pela continência urinária e pela função sexual, com estudos internacionais demonstrando melhores taxas de recuperação funcional quando comparadas às técnicas abertas tradicionais, além de menor sangramento, menos dor no pós-operatório e redução do tempo de internação.

O grande diferencial da cirurgia robótica está na possibilidade de tratar o câncer sem comprometer de forma significativa a vida futura do paciente. A preservação da continência urinária e da função erétil deixou de ser um desfecho secundário e passou a integrar o planejamento terapêutico desde a indicação cirúrgica.

A técnica é indicada principalmente para tumores localizados ou localmente avançados, sempre após avaliação criteriosa do estadiamento da doença e das condições clínicas individuais, reforçando que a tecnologia é ferramenta estratégica quando associada à experiência do cirurgião.