- Bem-estar
- julho 10, 2025
- 7 minutos
Entrevista: Tecnologia a favor da vida
Para o médico Marcelo Esteves, a medicina tem usado a tecnologia em muitas especialidades como uma aliada para oferecer mais segurança nos procedimentos e melhor qualidade de vida

O médico Marcelo Esteves é urologista da Rede Mater Dei de Saúde nas unidades Santo Agostinho, Contorno e Nova Lima. Também é professor adjunto da Faculdade de Medicina da UFMG e Chefe do Centro de Treinamento e Educação Cirúrgica do Hospital das Clínicas da UFMG. É o atual diretor científico da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU-MG) e atua na área de endourologia, com foco no tratamento de cálculos urinários e Hiperplasia Prostática Benigna. Com um vasto currículo e experiência, o médico ressalta a importância da medicina de alto nível. Nesta entrevista ao CIDADE CONECTA, o médico fala sobre como a tecnologia, a exemplo da endourologia, permite tratamentos minimamente invasivos e melhora a qualidade de vida dos pacientes.
Quais foram os principais fatores que levaram o senhor a se dedicar à urologia e, em especial, à endourologia dentro do corpo clínico do Mater Dei?
Desde o início da minha formação médica, sempre me interessei por áreas que combinassem tecnologia com precisão cirúrgica e impacto direto na qualidade de vida dos pacientes. A urologia reúne exatamente esses elementos. Dentro dela, a endourologia me encantou por ser uma subespecialidade que alia inovação, procedimentos minimamente invasivos e constante evolução técnica. No Mater Dei, encontrei um ambiente que valoriza exatamente isso: excelência técnica, estrutura de ponta e incentivo à prática de uma medicina de alto nível. Isso me motivou a desenvolver aqui um serviço moderno, alinhado com o que há de mais avançado no mundo.
A endourologia permite tratamentos minimamente invasivos, como a endoscopia para tratar pedras nos rins e Hiperplasia Prostática Benigna. Quais benefícios imediatos esses procedimentos oferecem aos pacientes atendidos no Mater Dei, em comparação às cirurgias abertas tradicionais?
Os principais benefícios são menos dor, recuperação mais rápida, menor tempo de internação e retorno precoce às atividades. No caso das pedras nos rins, por exemplo, conseguimos resolver cálculos complexos com mínima agressão ao organismo. Já no tratamento da Hiperplasia Prostática Benigna, com a enucleação prostática a laser, promovemos uma desobstrução completa da próstata sem incisões externas, com sangramento mínimo e excelente recuperação. Esses ganhos são especialmente relevantes para pacientes idosos ou com comorbidades, que antes teriam risco elevado com cirurgias abertas.
O Mater Dei investe continuamente em tecnologia e inovação. Como esse ambiente contribui para a incorporação de novas técnicas endourológicas em sua prática diária?
O Mater Dei nos oferece uma infraestrutura moderna, com acesso a equipamentos de última geração, como torres de vídeo 4K, lasers de alta potência e ureteroscópios flexíveis digitais.Isso cria um cenário ideal para a prática de uma endourologia avançada, comparável aos melhores centros internacionais. Além disso, existe um estímulo institucional à atualização constante, o que nos permite incorporar rapidamente novas técnicas com segurança, beneficiando diretamente os pacientes.
O senhor acumula vasta experiência internacional. De que forma as vivências fora do país influenciaram a forma como estrutura o serviço de endourologia no Mater Dei?
As experiências internacionais me permitiram conhecer diferentes realidades, fluxos assistenciais e protocolos cirúrgicos. Trouxe para o Mater Dei não apenas as técnicas mais modernas, mas também uma visão de eficiência, organização e foco em resultados clínicos objetivos. Busco replicar o que vi de melhor nos grandes centros da Europa, dos Estados Unidos e da Ásia, adaptando à nossa realidade e sempre prezando pela segurança e humanização do atendimento.
Reconhecido como uma das maiores autoridades brasileiras em endourologia, como esse prestígio se reflete em iniciativas de ensino e pesquisa dentro do Mater Dei e em parcerias com outras instituições?
Tenho grande compromisso com a formação de novos urologistas e com a pesquisa aplicada. No Mater Dei, promovemos treinamentos, cursos, workshops e cirurgias demonstrativas, além de participarmos ativamente em congressos e publicações científicas. Essa reputação também nos aproxima de instituições nacionais e internacionais, com as quais desenvolvemos projetos conjuntos e intercâmbios científicos. Acredito que compartilhar conhecimento é uma forma de multiplicar excelência.
Em que cenários a enucleação prostática a laser é a melhor opção para o tratamento do crescimento benigno da próstata no Mater Dei, e quais diferenciais essa tecnologia oferece em termos de precisão e recuperação?
A enucleação prostática a laser é especialmente indicada em próstatas grandes ou quando o paciente não responde mais aos medicamentos, além de casos em que há comprometimento da função da bexiga. Com essa técnica, conseguimos remover completamente o tecido obstrutivo, com mínima perda sanguínea, mantendo a cápsula da próstata preservada. O pós-operatório é muito mais rápido, com alta precoce, retorno em poucos dias às atividades normais e excelente melhora dos sintomas urinários. É uma técnica precisa, moderna e amplamente reconhecida como o novo padrão-ouro em muitos centros do mundo — e aqui no Mater Dei temos orgulho de oferecê-la com excelência.
Quais avanços mais promissores o senhor vislumbra para a endourologia nos próximos anos, e como o Mater Dei está se preparando para adotá‑los?
A endourologia caminha para integração total entre imagem, laser e inteligência artificial. Estamos começando a ver ureteroscópios com aspiração integrada, sistemas robóticos de navegação intrarrenal e fontes de energias cada vez mais potentes. O Mater Dei acompanha essa evolução de perto, com investimentos constantes em tecnologia e capacitação da equipe. Estamos preparados para adotar as inovações que surgirem, sempre com o foco no que mais importa: o bem-estar do paciente.
Quais conselhos daria a jovens médicos do Mater Dei — ou de outras instituições — que desejam seguir carreira na urologia ou, especificamente, na endourologia?
Primeiro, busquem a excelência técnica com humildade e dedicação. A endourologia exige precisão, raciocínio clínico-cirúrgico refinado e atualização constante. Segundo, valorizem os locais que oferecem estrutura e incentivo ao aprendizado — como o Mater Dei. E, por fim, compartilhem conhecimento, invistam em formação, participem de congressos, publiquem, formem redes. A medicina se faz em conjunto. O futuro da urologia será construído por quem souber unir conhecimento, tecnologia e humanidade.