Tecnologia inédita permite cuidado neurológico de bebês em hospital filantrópico

Tecnologia inédita permite cuidado neurológico de bebês em hospital filantrópico

Sistema de neuromonitoramento 24h da Santa Casa BH para recém-nascidos de alto risco realiza diagnóstico precoce, intervenção rápida e redução de lesões cerebrais

Tecnologia de neuromonitoramento 24h da Santa Casa BH
Numa primeira etapa, o neuromonitoramento será implantado em dois dos 20 leitos da UTIN da Santa Casa BH (Foto: Pixabay)

 

Logo nos primeiros instantes de vida, cada sinal importa. Com essa premissa, a Santa Casa BH inicia o ano com um avanço significativo no cuidado neonatal: a implantação do neuromonitoramento cerebral contínuo para recém-nascidos de alto risco. A tecnologia inédita permite acompanhar, 24 horas por dia, a atividade cerebral dos bebês, ao possibilitar o diagnóstico precoce, intervenções rápidas e a redução do risco de lesões neurológicas de curto e longo prazo.

O sistema funciona de forma integrada à Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) da instituição. Ao identificar qualquer alteração, uma central de monitoramento, com apoio de inteligência artificial, aciona imediatamente a equipe assistencial para iniciar os cuidados necessários.

Chamado de neuromonitoramento neonatal, o serviço utiliza a eletroencefalografia contínua para acompanhar a atividade cerebral dos recém-nascidos. O acompanhamento é realizado por uma equipe especializada sediada em São Paulo, a fim de garantir análise técnica permanente e em tempo real.

 

 

A adoção do método se mostra ainda mais relevante diante de um dado alarmante: estima-se que entre 80% e 90% das crises convulsivas em bebês ocorram sem sinais visíveis ao olho humano. Isso faz com que o monitoramento contínuo seja decisivo para um diagnóstico preciso e para a condução adequada do tratamento.

Nesta primeira etapa, o neuromonitoramento será implantado em dois dos 20 leitos da UTIN da Santa Casa BH. A expectativa é de que cerca de 100 recém-nascidos sejam diretamente beneficiados por ano com a nova tecnologia.

Segundo a Protecting Brains & Saving Futures (PBSF), empresa responsável pela prestação do serviço da tecnologia inédita, os benefícios do monitoramento contínuo são expressivos:

 

  • Diagnóstico mais preciso, com identificação de ao menos 60% das crises convulsivas subclínicas;
  • Uso mais adequado de medicamentos, com redução de até 60% no uso indevido de anticonvulsivantes quando a suspeita clínica não se confirma;
  • Redução da mortalidade, com queda de 25% nos óbitos de recém-nascidos com encefalopatia hipóxico-isquêmica (EHI);
  • Internações mais curtas, com diminuição de pelo menos 10% no tempo médio de internação de grupos críticos, como prematuros extremos e bebês submetidos à hipotermia terapêutica.

 

A iniciativa também representa um importante avanço no enfrentamento da asfixia perinatal, condição caracterizada pela falta de oxigenação no cérebro e considerada a terceira principal causa de morte neonatal no mundo. Além do risco de óbito, o quadro pode gerar sequelas graves, como paralisia cerebral, cegueira, surdez e transtornos neurológicos permanentes.

Para a coordenadora da unidade neonatal da Santa Casa BH, Ana Cláudia Cunha, o novo serviço traz benefícios diretos tanto para os bebês quanto para a equipe assistencial.

 

“Nem sempre é possível identificar imediatamente a causa de um comprometimento neurológico. Nessas situações, cada segundo é decisivo. O neuromonitoramento contínuo nos permite acompanhar a atividade cerebral em tempo real e agir com rapidez e precisão, reduzindo o risco de lesões neurológicas permanentes”, ressalta.