Unidade especializada em atendimento a crianças com TEA relata avanços após um ano
Centro de Autismo Santa Casa BH acompanha mais de 200 famílias e prevê ampliar a assistência na capital

Pequenas conquistas no desenvolvimento podem representar mudanças importantes na rotina de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e de suas famílias. Em Belo Horizonte, o Centro de Autismo Santa Casa BH completa um ano de funcionamento nesta quinta-feira (29), com 202 famílias atendidas na unidade e relatos de avanços na comunicação, na interação social e na autonomia dos pacientes.
A primeira unidade da capital dedicada exclusivamente ao atendimento de crianças e adolescentes com Tea pelo Sistema Único de Saúde (SUS), conta com um espaço que acompanha a evolução dos pacientes em diferentes aspectos da rotina.
A estrutura conta com 13 consultórios, duas salas de integração sensorial, teleconsultas, sala de urgência e ambientes lúdicos. Para atender às diferentes necessidades dos pacientes, a equipe reúne neuropediatras, psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, enfermeiros, nutricionistas, psicopedagogos e fisioterapeutas.
Além de receber crianças e adolescentes com diagnóstico confirmado, o Centro atende pacientes com suspeita de autismo, possibilitando a investigação diagnóstica. O acompanhamento também ultrapassa o ambiente clínico, com agentes terapêuticos que orientam as famílias na rotina dos pacientes em casa e na escola.
Comunicação e autonomia marcam a evolução dos pacientes da unidade
Victor tinha 9 anos quando chegou ao Centro de Autismo como primeiro paciente da unidade, acompanhado pela mãe, Rute. Na época, ela ainda não sabia o que esperar do tratamento e buscava havia anos uma forma de lidar com as dificuldades de comunicação e interação do filho.
Um ano depois, Rute observa mudanças na autonomia e na comunicação de Victor, que passou a realizar atividades cotidianas com menos necessidade de supervisão.
“O Victor sempre foi bem retraído. Hoje, ele consegue ter uma comunicação boa, consegue ter a autonomia de fazer as coisas dele do dia a dia, sem eu ter que ficar supervisionando o tempo todo”, revela.
A participação dos familiares também faz parte do processo terapêutico. Segundo a terapeuta ocupacional Vitória Loiola, um dos primeiros desafios da equipe foi garantir que os responsáveis acompanhassem as consultas e incorporassem as orientações ao cotidiano das crianças.
“No início dos atendimentos, muitas famílias ainda tinham dificuldade para compreender o processo terapêutico e participar dele. Ao longo desse período, percebemos avanços tanto nas crianças quanto nos familiares”, avalia.
Para a coordenadora do Centro de Autismo, Gabriella Tárcia, os resultados precisam ser compreendidos a partir das necessidades individuais de cada criança. Por isso, a evolução nem sempre aparece em mudanças amplas ou imediatamente perceptíveis, mas também em pequenas conquistas que ampliam as possibilidades de comunicação e participação nas atividades diárias.
“A gente fala muito aqui sobre pequenas grandes vitórias. Nem sempre o avanço será uma criança que não falava começar a falar. Às vezes, o avanço é ela conseguir apontar um objeto que antes não apontava, comunicar o que quer, dizer sim ou não, ou permanecer por mais tempo em uma atividade. São conquistas que fazem diferença na rotina da criança e da família.”
Ampliação do atendimento está entre os próximos passos
Após o primeiro ano de funcionamento, a expectativa da instituição é ampliar a assistência e alcançar 500 famílias atendidas no próximo ano. Para isso, novos profissionais serão contratados ao longo do período.
Além da ampliação do atendimento, a equipe pretende compartilhar a experiência desenvolvida na unidade. De acordo com Gabriella, o Centro tem recebido convites de escolas e prefeituras interessadas em conhecer as estratégias e abordagens adotadas no atendimento às crianças e aos adolescentes com autismo.
“A sociedade tem muitas dúvidas sobre o autismo e precisa de informação. Estamos trabalhando em um modelo para poder compartilhar essa experiência em outros locais” conclui.