- Casa e design
- dezembro 11, 2025
- 6 minutos
Entrevista: O que o futuro reserva ao mercado de loteamentos em Minas
Presidente da Associação das Empresas de Loteamento em Minas Gerais (Aelo-MG), Gustavo Amorim, compartilha metas da entidade e aborda tendências para o setor

Com uma trajetória que combina experiência no mercado financeiro, empreendedorismo e forte atuação no setor imobiliário, o economista Gustavo Amorim assumiu, em setembro de 2025, a presidência da Associação das Empresas de Loteamento e Desenvolvimento Urbano de Minas Gerais (Aelo-MG) para o biênio 2025–2027.
Fundador da Incorpe Empreendimentos Imobiliários, empresa criada em 2013 e responsável por mais de 120 empreendimentos e R$ 3 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV), Amorim chega ao comando da entidade com a meta de ampliar sua representatividade em um mercado formado por cerca de 3,5 mil empresas no estado.
Nesta entrevista ao CIDADE CONECTA, Amorim fala sobre sua trajetória, os desafios da nova gestão e as perspectivas para o mercado de loteamentos em Minas Gerais.
Como sua trajetória profissional o trouxe até a presidência da Aelo-MG?
Sou economista e iniciei minha carreira como executivo comercial da BV Financeira, antigo Banco Votorantim, em Minas. Essa vivência no mercado financeiro ampliou minha visão sobre crédito, risco e desenvolvimento urbano. Em 2013, decidi empreender e fundei a Incorpe Empreendimentos Imobiliários. Hoje a empresa conta com cerca de 100 colaboradores, mais de 120 empreendimentos e R$3 bilhões em VGV. Construí minha trajetória entendendo de perto os desafios dos loteadores e isso me levou a assumir, naturalmente, o trabalho institucional da Aelo-MG, já que vinha participando e me engajando ativamente nos debates do setor, pensando em melhorias coletivas.
Você assumiu a presidência da Aelo-MG há poucos meses. Quais são suas metas e seus planos na gestão da entidade?
Vivemos um momento essencial para o setor. Minha expectativa é fortalecer a Aelo-MG como referência em Minas e ampliar o diálogo com o poder público. Temos cerca de 3,5 mil empresas no estado e quero, especialmente, aproximar mais empreendedores da entidade. Pretendemos criar mecanismos permanentes de parceria com órgãos públicos, promovendo segurança jurídica e previsibilidade para quem investe. Sintetizando, dois pontos são centrais: ampliar o número de associados e buscar o diálogo com o Poder Público para diluir entraves burocráticos que impactam nas aprovações de projetos, o que pode levar ao aumento do estoque e à redução dos lançamentos.
A que você atribui o otimismo em relação ao momento atual da Aelo-MG?
A Aelo-MG foi criada em 2018 e, portanto, ainda é jovem. No entanto, a entidade se consolidou como protagonista, especialmente nos últimos três anos, com a criação do Estudo do Mercado de Loteamento trimestral, feito pela consultoria Brain, a pedido da Aelo-MG, do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Minas Gerais (Sinduscon-MG) e da Câmara do Mercado Imobiliário e o Sindicato da Habitação de Minas Gerais (CMI-Secovi-MG). São dados proprietários de muita relevância, já que contempla municípios responsáveis por 41% da população e 57% do potencial de consumo de Minas Gerais. São dados que reforçam a importância do setor como vetor de urbanização e dinamismo econômico. Nosso setor é vital para o desenvolvimento econômico do estado. Precisamos de um ambiente regulatório que permita previsibilidade e estimule novos empreendimentos.
O Estudo de Mercado de Loteamento referente ao 1º semestre de 2025 traz alguns dados importantes. Como você avalia o desempenho do setor?
O semestre foi positivo. Foram comercializadas 4.050 unidades, somando R$ 1,42 bilhão em VGV. As vendas cresceram 7% do primeiro para o segundo trimestre, o que confirma a resiliência do mercado. Mesmo com a forte retração nos lançamentos, o setor respondeu bem à demanda. A confiança do consumidor permanece alta.
A queda nos lançamentos preocupa?
Sim, é um ponto de atenção. A redução de novos projetos pode gerar desequilíbrio futuro entre oferta e demanda. Por isso, reforço a importância de um ambiente regulatório que estimule a formação de novos estoques e garanta segurança jurídica para empresários e compradores.
O estudo mostra também uma mudança no perfil dos empreendimentos. Como interpretar esse movimento?
Os loteamentos abertos ganharam força e passaram de 8% para 53% do VGV no segundo trimestre, enquanto os fechados recuaram. Isso mostra um mercado mais diversificado, com demanda crescente por bairros planejados, integrados e sustentáveis. As pessoas buscam qualidade de vida, acesso à infraestrutura e ao convívio comunitário.
Como essa tendência deve influenciar o setor nos próximos anos?
Ela indica amadurecimento e oportunidade. Minas tem grande potencial para desenvolver projetos urbanos mais acessíveis e bem integrados às cidades. Com políticas públicas alinhadas, podemos promover um crescimento ordenado e sustentável, beneficiando tanto os empreendedores quanto às famílias mineiras.